Assustado, aterrorizado, perplexo, não sei como que você reagiu ou reage ao ver as notícias envolvendo a Prevent Senior nos últimos dias. A operadora de saúde, que conquistou referência no segmento voltado para o público da terceira idade, vive um momento dramático e grave, sobretudo na mídia, com a exposição negativa quase diária de sua marca, que vinha sendo cuidadosamente construída desde 1997. A pergunta que se faz é essa: será que ela vai aguentar?
De acordo com o dossiê da CPI conduzida pelo Senado e já divulgado amplamente pela imprensa, a Prevent Senior teria ocultado mortes de pacientes que participaram, sem conhecimento, de um estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina contra a Covid-19. E mais: Bruna Morato chegou a dizer que a expressão que ela ouviu muitas vezes ser utilizada é: "óbito também é alta". Bruna é a advogada que representa 12 médicos da operadora de saúde em questão.
A professora da Faap e Universidade Católica de Santos, Isabel Rodrigues, lembra que por essa e outras razões, o objetivo imediato, ainda que na efervescência do caso, é tentar “tirar” a marca do topo da pauta dos veículos de comunicação; nas redes sociais, onde a conversa é direta com o público consumidor (clientes e prospects), deve dedicar-se a abaixar a temperatura do descontentamento. O quadro grave está intimamente relacionado ao tempo de exposição pública negativa.
Vamos lá: em mercado de saúde, a confiança é o que manda, converte e faz crescer. E aqui temos o essencial abalado, estarrecido e caótico. Talvez vejamos doravante a empresa, além de ações internas, mudando o seu nome no desfecho desse imbróglio. Podemos lembrar aqui do que aconteceu com a Odebrecht, que agora atende como Novonor, ou ainda a JBS que vende a todo momento um compromisso ambiental forte e audacioso, e aí por diante.
Bom, até aqui, temos desenhada uma Prevent Senior que tende a seguir uma nova estratégia de imagem para os outros. Mas a pergunta que sempre fica é: e a imagem que já está na mente? E o drama que a operadora possibilitou aos seus clientes, com custo de vidas?
Por outro lado, o Brasil assiste o custo do negacionismo em nome do lucro e dos interesses. Até esses dias, poderíamos achar que o negacionismo estava interligado com a ideologia, mas o que se vê é que ele está claramente interligado com interesses dinheiristas, e aqui se vê um negacionismo assassino.
É inconfortável (talvez, angustiante) ver, ouvir e até ler a pauta. Contudo, chegamos à conclusão que os engenheiros do risco e do óbito agora padecem do que praticaram. Hoje, a marca se encontra na UTI, quase nas últimas. Talvez, nos próximos dias, seja criado um “kit sobrevivência”, mas com eficácia não comprovada. A Prevent Senior que aplicou tantos kits de prevenção da Covid, esqueceu-se de se prevenir para o caos. Aliás, o “kit de prevenção” só lhe rendeu óbitos, até da marca.