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Vitor Vogas

“Não acredito que será feita a mesma sacanagem comigo”, desabafa Meneguelli

Deputado corre o risco de cair da bicicleta (como em 2022), enquanto assiste à iminente aliança entre o Republicanos e o PL. Em entrevista à coluna, diz confiar na palavra de Renzo e de Hartung e defende que PSD saia num movimento solo

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 21:45

Públicado em 

17 jul 2026 às 21:45
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Sérgio Meneguelli diz que não tem prazo para se filiar a outro partido político. Gazeta Online

Sérgio Meneguelli e sua bicicleta são inseparáveis. O veículo de duas rodas virou marca política do deputado estadual e ex-prefeito de Colatina. “Não tenho como ficar sem bicicleta. Quando fico sem ela, sinto falta. Pedalo todo dia e te garanto: quando me eleger senador, vou levar minha bicicleta dobrável e tomar posse de bicicleta. Vou chegar pedalando à Chapelaria do Senado”.


É bom mesmo pedalar em Brasília, cidade cheia de longas retas, ao contrário da acidentada Colatina. Mas talvez Meneguelli não chegue lá. O pré-candidato ao Senado parece muito perto de cair da bicicleta eleitoral. Ou melhor, ser derrubado. Mais uma vez, derrubado, quatro anos depois de ter sofrido uma dolorosa queda, justamente quando vivia auge de sua popularidade.


Meneguelli está atado ao Partido Social Democrático (PSD), ao qual se filiou em março. Não pode ser candidato neste ano por nenhuma outra sigla. Presidido nacionalmente por Gilberto Kassab e no Espírito Santo por Renzo Vasconcelos, o PSD já declarou apoio a Lorenzo Pazolini para governador e está na coligação do Republicanos. O ex-governador Paulo Hartung também está no PSD e incentivou a filiação de Meneguelli.


O partido de Pazolini, por sua vez, está na iminência de atrair, para a mesma coligação, o Partido Liberal (PL), liderado no Estado pelo senador Magno Malta. Nos termos do acordo bem avançado do PL com o Republicanos, o PSD só poderá indicar o candidato a vice-governador de Pazolini. A princípio, nessa composição, não sobrará ao partido de Meneguelli espaço para ter candidato a senador. Logo, se o PSD ficar aí, Meneguelli vai sobrar.


O deputado se recusa a crer nessa possibilidade: 

Não acredito que será feita a mesma sacanagem comigo, porque estou lidando com pessoas que não puxam o tapete. Até o momento, não posso duvidar de Paulo Hartung, Kassab e muito menos de Renzo. Tenho totais garantias dele de que serei candidato a senador”

Sergio Meneguelli, deputado estadual

Na entrevista a seguir, Meneguelli afirma que não pediria votos para Maguinha Malta (PL), diz que não depende de Magno Malta e defende que o PL se desgarre dessa coligação, lançando uma chapa puro-sangue, com ele candidato ao Senado e Hartung ao Palácio Anchieta. É o gol de bicicleta sonhado pelo deputado, mas hoje a ideia soa mesmo como um sonho, distante e irrealizável.


Se a queda do colatinense se confirmar, estaremos diante de um déjà-vu: reedição do enredo de 2022. Naquela oportunidade, Meneguelli estava no próprio Republicanos. A semanas do início da campanha, os dirigentes do partido, hoje presidido no Estado por Erick Musso, decidiram barrar a candidatura dele ao Senado. Ele precisou se contentar em se candidatar a deputado estadual, enquanto o próprio Erick foi candidato a senador pela legenda.


Magno venceu aquele pleito e voltou para o Senado. Meneguelli sempre o acusou de ter se articulado em Brasília com a cúpula nacional do Republicanos, a fim de lhe barrar a candidatura. Agora, Magno e Erick protagonizam as articulações que culminarão com a aliança local entre PL e Republicanos...e que podem resultar na nova queda.


Confira abaixo a entrevista de Meneguelli:


Como o senhor avalia as recentes articulações do PL com o Republicanos?


Só tenho tomado conhecimento através das notícias. Saiu na imprensa que o PL e Magno Malta exigiram de Pazolini a mesma linguagem, o apoio a Flávio Bolsonaro, a defesa da anistia e essas coisas. O PSD ficaria com a vaga de vice e sem senador. Isso foi um acordo entre eles lá que conversaram, se é que houve mesmo isso. O PSD não participou. Dentro do meu partido, não abro mão da minha candidatura. Tenho a palavra final do Kassab a do Renzo, e isso continua. Pelo Renzo e pelo Kassab, acredito 100% que serei candidato. Ainda mais diante da pesquisa de ontem [a pesquisa Quaest, divulgada por A Gazeta na quinta-feira]. E ainda nem estou fazendo campanha! Meu nome é competitivo.

   

O senhor confia, então, na manutenção da palavra empenhada por Renzo Vasconcelos de que o senhor terá legenda para ser candidato a senador pelo PSD?


Não tenho motivo para desconfiar da palavra do Kassab, nem da palavra do Renzo. Só estou esperando a convenção para confirmar. Inclusive acredito que temos força para irmos sozinhos. Não precisamos estar atrelados. Temos tamanho para termos candidaturas próprias e, a meu ver, o Hartung deveria ser o nosso candidato a governador.


Então o senhor defende que o PSD lance uma chapa majoritária avulsa, puro-sangue, com Hartung candidato a governador e o senhor a senador? É isso?  


Veja o resultado da pesquisa que vocês deram na quinta. O Paulo Hartung ganha sem estar fazendo campanha. O PSD hoje tem candidato a presidente da República [Ronaldo Caiado]. Se eu tivesse o poder de fazer isto, lançaria já hoje a candidatura de Hartung ao governo. Amenizaríamos essa polarização que acho que não faz bem à democracia.


E o PSD tem condições práticas de bancar esse movimento solo? Tem condições financeiras, políticas, estruturais, aliados nos municípios?


Claro que tem!


O partido terá chapa para a Câmara dos Deputados?


Acredito que sim. Hoje o PSD tem toda a estrutura para ser protagonista. Não precisa ser coadjuvante. Sem falar que hoje temos o nome mais forte para ganhar o Governo do Estado, que é o Paulo Hartung.


Deputado, em minha apuração, ouvi agentes políticos do PL e do Republicanos. Os dois lados dão conta de que a aliança está selada nos bastidores e que o anúncio é iminente. O PSD também já anunciou aliança com o Republicanos, e Renzo já declarou o apoio do partido a Pazolini. Mas, nos termos do acordo do PL com o Republicanos, o PSD só poderá ocupar a vice de Pazolini...


Então o PSD seria só para apoiar?


Teria a vice, mas não espaço, nessa coligação, para sua candidatura ao Senado...


Mas quem registra candidatura do PSD a senador não são eles. É o presidente do PSD. Essa é a vontade deles, não é a vontade do PSD. Eu sou candidato a senador. Eles não podem fazer isso. Não é dessa forma, eliminando alguém para ganhar... Não acredito que será feita a mesma sacanagem comigo, porque estou lidando com pessoas que não puxam o tapete. Até o momento, não posso duvidar de Paulo Hartung, Kassab e muito menos de Renzo. Tenho totais garantias dele de que serei candidato a senador. Para ser candidato, não dependo deles, de PL, de Magno, como nunca dependi... Até porque não os vejo como meus apoiadores, e sim como meus opositores, meus adversários políticos. Como diz o ditado, “caititu fora da manada leva tiro”...


Como é?


“Caititu fora da manada leva tiro”. Eu sou um caititu que não anda em manada, mas não vou levar tiro dessa vez. Tenho tradição de, na época da campanha, não andar com grupo. Não estou contando com o apoio de uma coligação, mas com o apoio do povo capixaba. Acredito que vou ser lançado e vou ser competitivo. Você sabe o que fizeram da outra vez... Não preciso repetir. Inventaram mil desculpas para retirar minha candidatura, mas todos sabem que foi para beneficiar quem foi eleito. Teve interferência da direção nacional do partido em que eu estava. Desta vez, não tem. Confio na palavra do Renzo. Ele declarou que, enquanto a caneta estiver na mão dele, sou candidato a senador. E não tenho dúvidas disso. Quem está botando dúvida são meus adversários.


O senhor apoiaria a Maguinha Malta?


Não. Eu sou o melhor candidato a senador. Por que vou apoiar outro se tenho condições de ser? Só conheço a Maguinha de nome. Só a conheço como a filha do Magno que será candidata. Nunca conversei com ela e não me lembro de já a ter visto. Não posso falar bem nem mal dela. Ela é minha adversária em termos de disputar, mas não tenho nada contra ela.


Basicamente, então, o senhor defende que o PSD se retire dessa coligação liderada pelo Republicanos e lance um movimento eleitoral próprio no Espírito Santo?


Particularmente, acho que nós temos condições. E defendo uma chapa puro-sangue. Kassab, Paulo Hartung e Renzo: desses três eu não duvido. Agora, se aqueles de lá exigirem, aí, sim, defendo que a gente saia sozinhos, pois não precisamos da bengala deles. Nunca passou pela minha cabeça ter o apoio do Republicanos ou do PL. 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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