Os quatro vereadores afastados da Câmara da Serra por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção passiva voltaram a sofrer uma derrota na Justiça do Espírito Santo e seguem impedidos de retornar aos cargos.
Em decisão assinada na quarta-feira (15), o juiz Gustavo Grillo Ferreira, da 2ª Vara Criminal da Serra, negou o pedido de reconsideração apresentado pelas defesas de Saulinho da Academia (PDT), Cleber Serrinha (MDB), Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT).
Os parlamentares estão afastados desde 23 de setembro de 2025, quando a Justiça acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MPES). Eles são apontados como integrantes de um esquema de propina, que chegaria a R$ 100 mil. A motivação do suposto esquema seria a aprovação de regras envolvendo a regularização de imóveis. Segundo a peça acusatória, os vereadores negociavam a apresentação e a aprovação de propostas de interesse particular em troca de vantagens indevidas.
No novo pedido para retornar as atividades legislativas, os advogados sustentaram que o afastamento já dura mais de 265 dias. Também alegaram que a fase de depoimentos das testemunhas de acusação foi encerrada e que os projetos de lei que deram origem à investigação já foram votados.
Ao rejeitar o pedido, o magistrado entendeu que os motivos que justificaram o afastamento continuam presentes. Segundo a decisão, o retorno dos réus ao Legislativo poderia comprometer a produção de provas documentais complementares e permitir a retomada de uma "autoridade administrativa e ingerência política" considerada prejudicial ao andamento da ação.
O juiz também destacou que informações recentes apresentadas pelo Ministério Público indicam que Saulinho da Academia, ex-presidente da Câmara, estaria mantendo atuação indireta em assuntos administrativos da Casa, reforçando, na avaliação do magistrado, a necessidade de manutenção da medida cautelar.
Saulinho da Academia foi procurado pela reportagem nesta sexta-feira (17), por meio de mensagens de texto, para comentar os fundamentos da nova decisão. Caso haja manifestação, este texto será atualizado. A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos demais vereadores. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
Nova decisão ocorre dois meses após outra derrota
Em maio, o juiz já havia rejeitado os pedidos para anular as gravações que embasam a investigação, afastar a denúncia do Ministério Público e encerrar o processo.
Na ocasião, o magistrado Gustavo Grillo Ferreira considerou que a perícia confirmou a autenticidade dos áudios, entendeu que a gravação feita por um dos participantes da conversa não era ilícita e concluiu que a denúncia do MPES descrevia de forma suficiente os fatos atribuídos aos acusados. O magistrado também afirmou que eventual absolvição só poderá ser analisada ao final da instrução processual.