Esta segunda-feira (14) é o Dia D para a vereadora Neuzinha de Oliveira, para o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas e para os respectivos grupos político-eleitorais. Às 16 horas, na Câmara Municipal de Vitória, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) realiza a sua convenção para definir qual dos dois será lançado como candidato da sigla a prefeito da Capital. O partido chega à convenção dividido e sem definição, mas algo é possível deduzir: se não houver influência (ou interferência) direta da direção nacional do PSDB na decisão do partido em Vitória, antes ou depois da convenção, Neuzinha tem o favoritismo para assegurar a legenda.
Se a decisão for tomada pelo voto dos convencionais e se tudo se resumir a isso, sem a ação de fatores externos e forças superiores, Neuzinha deve ficar com a legenda, basicamente, porque tem hoje absoluto controle sobre a Comissão Executiva do PSDB em Vitória, sobre a chapa de candidatos a vereador do partido, montada a dedo por ela, e, consequentemente, sobre a maioria dos convencionais com direito a voto.
Além disso, a vereadora se fia bastante na relação estabelecida por ela com a presidente nacional do PSDB Mulher, a ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius. Neuzinha é a 2ª tesoureira nacional desse segmento do partido, que deseja expandir o número de candidaturas femininas do PSDB nas capitais. A própria Neuzinha, em recente conversa com a coluna, enfatizou este ponto: após cinco mandatos sucessivos na Câmara Municipal, quer ser a primeira mulher eleita prefeita de Vitória.
Enquanto isso, Luiz Paulo certamente priva de trânsito muito melhor com a atual cúpula nacional do PSDB, incluindo o atual presidente, Bruno Araújo, ex-deputado federal por Pernambuco e ministro das Cidades no governo Temer (MDB). Como indicou claramente o advogado eleitoral de Luiz Paulo, Luciano Ceotto, em nota à coluna, o ex-prefeito realmente espera que venha da Executiva Nacional a palavra final sobre candidatura majoritária em Vitória.
Em abril, essa palavra veio em socorro a Luiz Paulo. Quando o ex-prefeito quis voltar do Cidadania para o PSDB, Neuzinha e seus aliados inicialmente barraram o seu retorno ao ninho tucano. Coube a Araújo, então, enquadrar a direção municipal, determinando de cima para baixo a refiliação do “filho pródigo” Luiz Paulo: “Filie-se”. Assim, à revelia da direção municipal, Luiz Paulo voltou ao velho lar.
Mas agora o quadro é mais complexo. Uma coisa é autorizar uma filiação. Outra, bem diferente, é definir uma candidatura a prefeito. A estratégia eleitoral traçada pela cúpula nacional do PSDB em Vitória passa não só por outras grandes cidades capixabas como por outras capitais do país. Resta saber se a Executiva Nacional desta vez terá mesmo interesse em intervir em favor de Luiz Paulo, o que, por ora, é algo incerto.
MARIDO DE NEUZINHA NA CHAPA
Neuzinha montou a chapa de candidatos a vereador do PSDB tão de perto que até seu marido entrou nela: Valdir Santos concorrerá a uma das 15 vagas na Câmara de Vitória pelo partido da esposa, que lá está desde o início do século.
A DISPUTA PELA VICE DE PAZOLINI
Ainda que Neuzinha derrote Luiz Paulo na convenção do PSDB em Vitória, parte do mercado político da Capital conserva dúvidas se ela será mesmo candidata a prefeita. Existe forte especulação de que, com Luiz Paulo “removido” do páreo, a vereadora pode levar o partido para a coligação liderada por Lorenzo Pazolini (Republicanos), buscando emplacar a si mesma como vice do deputado estadual.
O PAPEL JOGADO POR VANDINHO
Esse eventual acerto com certeza agrada ao presidente do PSDB no Espírito Santo, o deputado estadual Vandinho Leite, parceiro de Pazolini na Assembleia Legislativa e na atual geopolítica estadual. Por outro lado, Vandinho é candidato a prefeito da Serra, cidade onde o Republicanos de Pazolini já anunciou apoio à candidatura do também deputado estadual Alexandre Xambinho (PL). Traduzindo: a menos que o Republicanos volte atrás na Serra, eventual apoio do PSDB a Pazolini em Vitória virá sem contrapartida para Vandinho na cidade vizinha.
DEM PODE FICAR SEM ESPAÇO
Estendendo um pouco esse raciocínio, se Neuzinha vier mesmo a virar vice de Pazolini em Vitória, isso significará um “chega pra lá” no presidente da Câmara Municipal, Cleber Felix (DEM), também interessado no posto. A dúvida nesse caso será: o que fará em Vitória o DEM do deputado estadual Theodorico Ferraço, caso fique sem poder apoiar Luiz Paulo (prioridade do partido, segundo Ferraço) e sem a vice de Pazolini (plano B do partido na Capital)?
PP TAMBÉM PODE ESPIRRAR
E para onde irá o PP, que também queria apoiar Luiz Paulo e poderia emplacar até o vice do tucano, com o presidente da sigla em Vitória, Marcos Delmaestro? No caso do PP, pela inserção do partido no governo Casagrande, meu palpite é que, se ficar órfã da candidatura de Luiz Paulo, a sigla tende a engrossar a coligação do vice-prefeito Sérgio Sá (PSB).
O PEDAÇO DO PALÁCIO NA CHAPA DE SÁ
Falando em governo Casagrande e em PSB, o candidato do partido a prefeito de Vitória, Sérgio Sá, contou com um representante do alto escalão do governo estadual em sua convenção, na última quinta-feira (10): o secretário de Governo, Tyago Hoffmann. Está certo que Hoffmann não só pertence ao PSB como faz parte da Executiva Estadual, no cargo de “secretário especial”. Mas sua presença certamente também pode ser interpretada como uma pilastra do Palácio Anchieta sustentando o palanque de Sá.
GANDINI SEM PSC… AO MENOS POR ENQUANTO
Ainda em Vitória, todo mundo (inclusive o candidato) esperava o anúncio do apoio do Partido Social Cristão (PSC) ao deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) na corrida à Prefeitura de Vitória. Mas o partido do vereador Wanderson Marinho, aliado do prefeito Luciano Rezende (Cidadania) na Câmara, adiou o anúncio. Na sua convenção, “decidiu não decidir”, delegando à Executiva a escolha do candidato a ser apoiado.
CHIABAI: FORTES CHANCES DE SER VICE DE ARNALDINHO
Passando para Vila Velha, o vereador Ricardo Chiabai (Cidadania) desponta na bolsa de apostas como favorito para ocupar a posição de vice na chapa do também vereador Arnaldinho Borgo (Podemos) à Prefeitura de Velha. Ambos são críticos à gestão do prefeito Max Filho (PSDB). Chiabai afirma, porém, que mantém sua pré-candidatura a prefeito de Vila Velha, a qual será confirmada nesta segunda-feira (14), ainda de acordo com ele, na convenção do Cidadania em Vila Velha.
NEUCIMAR E HÉRCULES SEGUEM JUNTOS
Ainda na capital histórica do Espírito Santo, ninguém ainda sabe dizer ao certo qual dos dois será candidato a prefeito: o deputado estadual Hércules Silveira (MDB) ou o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD). Integrantes do PSD encomendaram uma pesquisa, cujos resultados serão lidos e avaliados conjuntamente na tarde desta segunda-feira pelos dois pré-candidatos. Certo mesmo, segundo Neucimar, é que a aliança eleitoral entre os dois está e será mantida no processo eleitoral.
NÃO COMBINARAM COMBINAR…
“Prova maior” da sintonia eleitoral entre Neucimar e Hércules está na foto abaixo. Durante a convenção do PDT em Vila Velha, realizada na manhã deste domingo (PDT), os dois compareceram com camisas sociais da mesma cor. O “azul-candidato” combinando, garantem, não foi combinado. Neucimar ainda brincou com a coincidência: "O candidato será o de máscara branca e camisa azul na foto".
QUAL É O NOVO “UNIDOS DO SOVACO”?
Ainda na seção “Fotos Inusitadas”, conforme já registrado aqui, o “toque de cotovelos”, nesta temporada pandêmica, é o novo aperto de mãos entre candidatos a prefeito e seus respectivos vices e demais aliados. A pergunta que restava era: e qual será o novo “Unidos do Sovaco”? Sim, o que substituirá aquela clássica foto em que vários aliados, em geral de duas ou mais siglas, se dão as mãos e erguem os braços, dando a ver as manchas de suor nas axilas da camisa?
“AS POPOZUDA PERDE A LINHA”...
Os deputados estaduais Marcelo Santos (Podemos), Erick Musso (Republicanos) e Euclério Sampaio (DEM) trataram de dar uma resposta insofismável na convenção em que os dois primeiros declararam apoio ao segundo para a Prefeitura de Cariacica. O novo “Unidos do Sovaco” é, basicamente, a “Dança da Motinha”. Num oferecimento Furacão 2000. Agora, se eleito, Euclério, policial civil aposentado, não poderá acabar com bailes funk na cidade...