No pronunciamento de logo mais, marcado para as 17h desta quarta-feira (10), o governador Renato Casagrande (PSB) apresentará à sociedade capixaba as medidas que serão adotadas pelo governo do Estado caso a taxa estadual de ocupação dos leitos de UTI para a Covid-19 no SUS ultrapasse a marca de 90% e municípios ingressem em quadro de “risco extremo” na Matriz de Risco. Na prática, o governador deve explicar, ou começar a explicar, qual é o "plano para o caso do risco extremo".
Às 16h, pouco antes do pronunciamento à população, o governador terá uma videoconferência com o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, e uma comitiva formada por outros deputados estaduais, para explicar a eles o conjunto de medidas definidas.
Embora o próprio governo evite o termo “lockdown”, o protocolo, pactuado com o Ministério Público Estadual (MPES), inclui medidas muito mais restritivas em relação à circulação de pessoas pelas vias públicas e ao funcionamento de atividades econômicas. “Na prática, será semelhante a um lockdown”, afirma uma fonte que participa da elaboração do plano.
Pelo que a coluna apurou, no pronunciamento das 17h, o governador não anunciará o conjunto de medidas como uma decisão já tomada ("faremos isso a partir do dia X"), mas como uma decisão que será tomada, imediatamente, se municípios entrarem no risco extremo ("se isso ocorrer, faremos isso").
A ideia do governo é apresentar com antecedência e “pactuar”, com toda a sociedade, o “plano para o risco extremo”, antes que este precise ser efetivamente decretado. Essa “pactuação” inclui autoridades dos vários Poderes e instituições, municipais e estaduais. Além da reunião de logo mais com deputados estaduais, o governador já teve duas reuniões decisivas nesta quarta-feira, ambas no sentido de apresentar o “Plano Risco Extremo”.
A primeira, pela manhã, foi com os cinco prefeitos da Grande Vitória: Luciano Rezende (Vitória), Max Filho (Vila Velha), Juninho (Cariacica), Audifax Barcelos (Rede) e Gilson Daniel (Viana). Em seguida, Casagrande reuniu-se com representantes do MPES, incluindo a procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade, e promotores de Justiça que integram o grupo especial de acompanhamento da pandemia no órgão, para, juntos, terminarem de traçar as medidas do risco extremo.
Os promotores estão finalizando a análise do documento que dará a normatização das medidas a serem tomadas.
O governo, enfim, está terminando de amarrar um “protocolo preventivo” para o caso de risco extremo, que parece mais próximo a cada dia (a taxa de ocupação dos leitos de UTI no Estado já supera os 80%). Nesta quarta-feira, o governador começa a apresentar à sociedade esse protocolo, cuja execução será iniciada assim que a taxa superar o limite de 90%.
Quando um lockdown é decretado, pessoas devem se recolher compulsoriamente em suas residências e as atividades econômicas são totalmente paralisadas, exceto farmácias, supermercados e estabelecimentos essenciais.