O ex-deputado federal Carlos Manato chegou a um entendimento
com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e vai disputar a
eleição para deputado federal.
Manato passou toda a maratona de pré-campanha, desde 2025,
apresentando-se como pré-candidato ao Senado. Mas, sem espaço para isso no
Republicanos, decidiu “descer”. Agora tentará voltar à Câmara dos Deputados, na
chapa do partido conservador que tem Lorenzo Pazolini como candidato a
governador.
Enquanto buscava se viabilizar para senador, Manato também
trabalhou durante todo o período de pré-campanha para emplacar a própria
esposa, Soraya Manato, como candidata a deputada federal na chapa do Republicanos.
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Como parte desse projeto, os dois se aproximaram politicamente
do grupo de Pazolini. Em março do ano passado, Soraya se tornou secretária de
Assistência Social da Prefeitura de Vitória, por nomeação de Pazolini.
No bojo de tal nomeação, marido e mulher declararam apoio a Pazolini para governador. Isso não mudou.
Para se manter apta a disputar as
eleições, Soraya se desincompatibilizou do cargo de secretária dentro do prazo
(no dia 2 de abril). Passou para um cargo comissionado menor na mesma
secretaria, na gestão Cris Samorini (PP), ficando cerca de três meses como
assessora especial. No dia 2 de julho, foi exonerada, seguindo habilitada a
disputar.
Entretanto, na noite da última quarta-feira (29), Manato
informou o plot twist: Soraya desistiu de tentar voltar para a Câmara,
onde exerceu um mandato, de fevereiro de 2019 a janeiro de 2023, pelo antigo
PSL (sigla pela qual Jair Bolsonaro elegeu-se presidente em 2018).
A trajetória política de Soraya
sempre esteve subordinada ao marido, como uma correia de transmissão... uma
maneira de Manato seguir, sem seguir, na Câmara dos Deputados.
Segundo Manato – que sempre atuou
como porta-voz político da esposa –, Soraya agora estava “desanimada” para
voltar a encarar as urnas, preferindo se dedicar aos negócios familiares e à
própria família.
Ao anunciar a desistência da esposa,
Manato informou que “desceria” e preencheria o lugar deixado por ela na chapa
de candidatos a deputado federal do Republicanos. Isso não estava tão bem
combinado com a direção do partido.
A operação não é tão simples, pois
não é uma troca de seis por meia-dúzia. O Republicanos contava com Soraya não
só para contribuir com a votação total da chapa, mas para preencher a cota de
gênero (pelo menos 30%, ou quatro mulheres num total de 11 candidatos).
Para Manato entrar na chapa no lugar
de Soraya, outro homem que já tinha lugar nela terá de ser retirado, e uma
outra mulher terá de ser incluída. Mulheres competitivas, sendo bem franco,
estão em falta no “mercado político capixaba”. Mas, segundo uma fonte do
Republicanos, eles trabalham com duas alternativas (duas mulheres já filiadas à
legenda).
Na quinta-feira (30), Erick e Manato
se reuniram e se entenderam. O próprio Erick é pré-candidato a deputado
federal, ao lado, por exemplo, do Coronel Alexandre Ramalho e, a princípio,
de Evair de Melo (que pode assumir candidatura a
senador).
O partido de Pazolini é um dos poucos no Espírito Santo que terá chapa cheia à
Câmara dos Deputados, com chances reais de eleger pelo menos um federal e
apostando na possibilidade de chegar a dois. Dependerá da escalação final dos
onze.
Com a troca da mulher pelo marido, a
chapa do Republicanos ganha por um lado e perde por outro. Manato, em teoria,
poderá obter até mais votos do que alcançaria sua esposa. Mesmo há oito anos
sem mandato e há quase quatro anos fora da cena política, o ex-deputado deve
preservar parte do seu recall acumulado,
particularmente junto a eleitores bolsonaristas.
Por outro lado, a mulher que entrar
na chapa, no apagar das luzes, dificilmente terá o mesmo potencial eleitoral
que teria Soraya. Neste ponto, é impossível dizer se o saldo da equação será
positivo ou negativo. Só as urnas o dirão.
Derrotado por Renato Casagrande (PSB)
nas últimas duas eleições para governador, em 2018 e 2022, Manato exerceu
quatro mandatos seguidos na Câmara dos Deputados, entre fevereiro de 2003 e
janeiro de 2019.
Em suas três primeiras vitórias
(2002, 2006 e 2010), elegeu-se pelo PDT, partido de centro-esquerda que
apoiou os governos Lula e Dilma. Em 2014, renovou o mandato pelo
Solidariedade. Depois alinhou-se a Jair Bolsonaro e passou por outras
siglas, incluindo o PSL e o PL, até entrar no Republicanos, no último mês de
março.
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