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Vitor Vogas

Erick Musso pavimenta ascensão política

Reeleito presidente da Assembleia, o jovem deputado de 31 anos sobe mais um degrau em sua rápida ascensão

Publicado em 07 de Fevereiro de 2019 às 08:48

Públicado em 

07 fev 2019 às 08:48
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Não se sabe até onde ele está indo nem até onde é capaz de chegar, mas, com sua reeleição ao cargo de presidente da Assembleia Legislativa, o jovem deputado Erick Musso (PRB), 31 anos, sobe mais um degrau em sua rápida ascensão. Até pode ser exagero dizer, como no título, que Musso desta vez “se fez sozinho”. Ninguém chega a lugar algum sozinho. Mas com certeza, nessa eleição interna, Musso mudou de status político, assumindo protagonismo sobre o movimento que o reconduziu à presidência da Casa por mais um biênio. Um protagonismo que antes lhe faltara, em outras vitórias eleitorais.
Desde que entrou na política (aliás, antes mesmo de entrar), Musso vinha ascendendo à sombra de padrinhos fortes. Na Assembleia, sua primeira passagem foi como assessor de gabinete do avô, o então deputado e ex-prefeito de Aracruz Heraldo Musso. Também assessorou Marcelo Coelho, que viria a governar a mesma cidade (2013-2016). Em 2012, aos 25 anos, Erick Musso chegou à Câmara de Aracruz e, de plano, à presidência da Casa, com apoio de Coelho.
Em 2014, conquistou o primeiro mandato na Assembleia, com apoio de Coelho e de Marcus Vicente. Tornou-se, de imediato, vice-líder do então governador Paulo Hartung. No início de 2017, como é público e notório, Hartung o empurrou, com as duas mãos nas costas, para ele chegar à presidência da Assembleia.
Desta vez não teve Hartung. E, como se sabe, Musso não era o nome dos sonhos de Renato Casagrande para o comando do Legislativo. Casagrande, porém, aceitou a construção de Musso. Nada fez para barrar nem embaraçar a reeleição do deputado apoiado por Hartung. Poderia tê-lo feito? Poderia. Mas teria assumido um risco grande. O risco de trincar sua base logo no início do mandato. E, pior ainda, o de perder a eleição em plenário, sofrendo de cara uma derrota marcante e indesejável na Assembleia. Teria sido um sinal de fraqueza que poderia ter-lhe custado caro na sequência do governo.
Afinal, o fato concreto é que Musso se viabilizou. Em meados de janeiro, já contava com o apoio manifesto de 20 dos 30 deputados eleitos. Casagrande engoliu e digeriu a reeleição do pupilo de Hartung – cuidando apenas de cercá-lo por dois secretários da Mesa bastante leais a ele. Mas como Musso se viabilizou?
A ARTICULAÇÃO
No dia 8 de outubro, dia seguinte à eleição estadual, Musso acordou com o seguinte pensamento: “Estou reeleito, ótimo, mas Casagrande venceu em 1º turno. Vai ser difícil continuar à frente da Mesa Diretora”. Afinal, na campanha, PH subira em seu palanque (e só em seu palanque). No mesmo dia, o presidente começou a ser procurado por deputados reeleitos e a construir seu grupo visando à reeleição. De saída, pôde contar com o apoio de dez dos outros 14 reeleitos. Todos, menos Majeski (PSB), Bruno Lamas (PSB), Theodorico (DEM) e Dary Pagung (PRP).
Também no dia 8 de outubro, Musso recebeu uma primeira ligação, republicana, de Casagrande. Na semana seguinte, Casagrande foi ao encontro de Musso, no gabinete da presidência, acompanhado pela vice eleita, Jacqueline Moraes (PSB), por Tyago Hoffmann (PSB) e por Álvaro Duboc, ambos membros da equipe de transição. Ali Casagrande pediu a Musso que brecasse a tramitação do Orçamento de 2019 enviado por Hartung, no que foi prontamente atendido. E ali Musso começou a estreitar a relação e mandar a Casagrande o recado que este queria ouvir: não vou te atrapalhar na Casa.
Em paralelo, começou a se formar o “bloco dos novatos”, que chegou a agregar 14 dos 15 deputados eleitos que não tinham mandato na Assembleia. O passo seguinte de Musso, para começar a assegurar-se a maioria, foi fechar apoio em bloco da maior bancada eleita: a do PSL, com quatro deputados (todos novatos). Essa articulação foi feita “por cima”, diretamente com o cacique estadual do partido, Carlos Manato. Na eleição estadual, PRB e PSL foram parceiros, ou seja, Musso reelegeu-se pela coligação de Manato.
Em novembro, Musso recebe os novatos na Assembleia. Ali eles estabelecem o critério de representatividade igualitária na formação da Mesa: se o presidente fosse um deputado reeleito, os novatos queriam as duas secretarias. Musso não se opôs. Só fazia questão de ter um vice-presidente em quem pudesse confiar: na impossibilidade de Marcelo Santos (PDT), então cotado para compor o secretariado de Casagrande, sua preferência era por Enivaldo dos Anjos (PSD).
Marcelo e Enivaldo, aliás, foram, ao lado de Vandinho Leite (PSDB), os generais de Musso nessa articulação. Vandinho, em especial, teve papel relevante, liderando a “acoplagem” dos novatos ao grupo original de Musso (o clube dos 10). Não totalmente “novato” – foi deputado estadual de 2011 a 2015 –, Vandinho foi o primeiro a embarcar. Em seguida, nesta ordem, vieram Xambinho (Rede), Pazolini (PRP), Carlos Von (Avante), Gandini (PPS) e Mameri (PSDB). Com os quatro do PSL, o clube dos 10 virou dos 20.
Com a maioria consolidada, Musso partiu para a coleta de assinaturas, ato liderado por Vandinho. À exceção de Theodorico e de Majeski, os demais se juntaram à chapa única por osmose. Aí foi correr para o abraço – e para a bênção de Casagrande, dada após a aprovação do Orçamento do atual governo e do projeto da anistia aos PMs grevistas.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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