Uma das filhas do ex-senador Magno Malta (PL), a jornalista Magna Karla Santos Malta Campos está lotada no gabinete do deputado estadual Lorenzo Pazolini (sem partido) desde o início da atual legislatura, em fevereiro, com salário líquido de R$ 4,9 mil. O deputado nega que tenha convidado a filha de Magno para ser sua assessora de gabinete por indicação do ex-senador.
“Isso não passou pelo Magno. Não houve esse pedido, nunca houve. Eu a conheci durante o processo eleitoral. Ela apresentava e produzia programas em rede nacional. E me auxiliou, voluntariamente, com ideias na parte de comunicação e marketing durante a campanha. Conheci e gostei do trabalho dela. Muitas das propostas que ela me fez eu aproveitei e foram exitosas”, relata Pazolini, citando a estratégia concentrada nas redes sociais, por conta da campanha muito barata, com gasto per capita de R$ 0,63 por voto, segundo ele.
Durante o processo eleitoral, Magna Karla também apresentou propagandas de Magno no horário eleitoral gratuito. O convite para trabalhar com Pazolini, de acordo com o deputado, foi feito em novembro. Ela não chegou ao gabinete por meio do processo seletivo aberto pelo delegado de polícia para montar sua equipe parlamentar.
Pazolini ressalta que ele é um dos deputados que menos nomeou assessores de gabinete – e é mesmo, empatado com Sergio Majeski (PSB). Dos 19 assessores possíveis, seu gabinete tem 10. Destes, seis foram escolhidos por meio do processo seletivo promovido por ele. O deputado destaca, ainda, a economia feita por ele até agora: considerando assessores de gabinete e a cota parlamentar para custear o mandato, ele gastou só 50,3% do total que teria direito a gastar em seus primeiros meses na Assembleia.
Curiosamente...
Magna Karla Santos Malta Campos é assessora de comunicação de Pazolini. O site da Assembleia traz uma relação dos respectivos assessores de comunicação dos 30 deputados. Na lista, ela é apresentada como Karla Campos. Sem Magna. Nem Malta.
De Magno para Pazolini
Como presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Adolescentes e de Políticas sobre Drogas da Assembleia, Pazolini tem três comissionadas indicadas por ele que assessoram os trabalhos da comissão. Uma delas se chama Adriana Célia Sartório Bazon. Ela é aliada de Magno e foi assessora dele no Senado de 2010 a janeiro deste ano (quando acabou o mandato dele). Além disso, Adriana é dirigente estadual do Partido Liberal (PL), presidido pelo ex-senador no Espírito Santo. O site do PL traz o e-mail pessoal dela como contato do partido no ES.
Independência ou morte?
Após a vitória acachapante do governo na votação do projeto que criou o Fundo Soberano e o de Infraestrutura, na última segunda-feira, com votos de todos os deputados ditos “independentes”, a grande dúvida é: deste ponto em diante, esse bloco, formado hoje por dez deputados, manterá a mesma união que tem demonstrado desde o fim de abril? Nesse caso, qual será o seu poder de pressão sobre o governo doravante?
Morte dos independentes?
Logo após a votação favorável ao governo, o líder de Casagrande, Enivaldo dos Anjos, disse à coluna que continua tratando o “bloco de independentes” como aquilo que realmente são: oposição ao governo. Mas fez gestos de reconciliação. Questionado se fora uma vitória do governo, respondeu: “Foi uma vitória da Assembleia. A oposição mostrou que é responsável e que não havia como se recusar a aprovar um projeto como esse”.
Itapemirim: CPI suspensa
A Justiça determinou a suspensão da CPI aberta em maio pela Câmara de Itapemirim contra o prefeito do município, Thiago Peçanha (PSDB). A decisão foi tomada na quinta-feira pelo desembargador Ewerton Schwab Pinto Júnior, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele acolheu recurso apresentado pelo prefeito.
Cobra comendo cobra
O prefeito é Peçanha, mas a disputa política ali em Itapemirim é de peçonha.
O Dossiê Pelicano
Até companheiro filiado ao PSB de Manaus (AM) está ganhando cargo de indicação política no governo Casagrande. Filiado ao partido no Estado da Região Norte, o advogado Wilson Santana Venturim foi assessor especial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos de 1º de abril a 5 de junho. Chegou a ser designado para a função de coordenador de aquisições do programa Segurança Cidadã. Agora acaba de ser “promovido” a procurador-geral da Junta Comercial do Espírito Santo.
Bico sem fundo
Não nos cansamos de registrar aqui: o símbolo do PSB é uma pomba, mas o bico do partido é de pelicano.
Sandro Locutor
Na última segunda, informamos que o ex-deputado Sandro Locutor, presidente estadual do PROS, atual subsecretário da Casa Civil, chegou a ser nomeado por Casagrande como 2º representante do governo na Junta Comercial, mas nem chegou a tomar posse. Ele entrou em contato para corrigir a informação. Disse que tomou posse sim, mas preferiu abdicar para não prejudicar o governo, pois descobriram que ele não preenchia um requisito: tempo mínimo de experiência como administrador de empresa.
Nomeia e depois checa
O problema é que esse tipo de situação está revelando outro padrão em nomeações do governo (além da preferência por quadros do PSB): a de nomear a pessoa primeiro e só depois preocupar-se em checar se ela cumpre todas as exigências para a função. Foi assim também com Frei Paulão (PSB), agora no gabinete de Sérgio Vidigal (PDT): nomeado na Secretaria de Agricultura, foi exonerado depois que A GAZETA “lembrou” que ele é ficha-suja.