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Vitor Vogas

Governo Casagrande apresentou a fatura a Marcelo e Erick Musso

Recuo de Marcelo Santos na disputa pela vaga do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas também foi contrapartida pelo apoio do governo À reeleição de Erick Musso na Assembleia

Publicado em 15 de Fevereiro de 2019 às 21:46

Públicado em 

15 fev 2019 às 21:46
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Anotamos aqui, na última terça-feira (12), que a disputa entre Marcelo Santos (PDT) e Luiz Carlos Ciciliotti (PSB), o candidato do governo Casagrande, pela vaga do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado, era a disputa, respectivamente, da raposa contra o elefante. Nesse jogo do bicho, deu elefante (o governo), que fez valer o seu tamanho e o peso de sua pata sobre os deputados estaduais.
Após conversa com Casagrande no Palácio, Marcelo anunciou ontem que não entrará na disputa, de modo que Ciciliotti já pode ser considerado o substituto de Valci. Na justificativa oficial, Marcelo alegou “o fator Durão”: se deixasse o mandato agora, Durão, acusado e preso por estupro, poderia assumir a cadeira dele na Assembleia como seu 1º suplente da coligação.
Mas não foi só isso não. Mesmo porque, três dias antes, apoiadores de Marcelo garantiam que, se o deputado fosse para o TCES, a Mesa Diretora daria um jeito de não empossar Durão. Sabe-se lá como, mas o discurso era esse.
O que o mercado político se pergunta então é: o que levou Marcelo a recuar, de fato e de novo, desta vez em favor de Ciciliotti?
Uma das especulações é a de que Marcelo teria cobrado um preço alto e recebido do governo uma promessa de compensação política: apoio na eleição em Cariacica em 2020 ou para ficar com a vaga do conselheiro Sérgio Borges, o próximo a se aposentar. Não há nenhuma evidência disso, no entanto.
Pelo que apuramos, o recuo de Marcelo na verdade passou por um cálculo regido pelo pragmatismo e pelo senso de sobrevivência política do deputado. Na ponta do lápis, contando voto a voto, ele não tinha a menor convicção de que poderia derrotar Ciciliotti (ou melhor, o governo). Aliás, as probabilidades estavam contra ele.
Pelas contas de casagrandistas, na lista mantida pelo deputado Freitas (PSB) em prol de Ciciliotti, o governo já contava com a assinatura de 18 dos 30 parlamentares. Certos mesmo, Marcelo só contava com, no máximo, dez votos (contando o dele). Se ele tivesse partido para o enfrentamento em plenário, poderia sofrer uma derrota que na certa teria consequências não só para ele como para seu grupo político – aí incluído o presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB).
Na prática, isso significaria isolamento e desprestígio por parte do governo nos próximos quatro anos. O experiente Marcelo entraria num longo inverno. Pior ainda para o jovem presidente da Assembleia, que está só na primavera de sua carreira e tem planos ambiciosos para si. Se Marcelo e Erick tivessem esticado demais a corda, esta poderia ter se rompido para o lado deles.
Por sinal, nesse movimento de recuo de Marcelo, Erick teve papel determinante como um dos arquitetos do consenso. O líder do governo, Enivaldo dos Anjos (PSD) – também membro do grupo que hoje comanda a Assembleia –, foi outro importante engenheiro dessa conciliação. No início, Erick estava determinado no apoio a Marcelo, a quem deve muito, para a vaga de Valci. Por isso, o recuo de Marcelo passou, primeiro, pelo recuo de Erick.
Para fazer o presidente da Casa voltar atrás, o governo fez um gesto singelo: apresentou-lhe a fatura pelo apoio à sua recondução à presidência da Mesa Diretora, no último dia 1º. Algo muito fresco, mas que, por um momento, Erick parecia ter esquecido. O governo tratou de lembrá-lo, em uma série de conversas.
Na terça à noite, o secretário de Governo de Casagrande, Tyago Hoffmann (PSB), conversou com Erick. Na quarta, Casagrande almoçou com Erick e, mais tarde, conversou a sós com Marcelo. Sucederam-se outras conversas. Todas amigáveis, mas com um recado reto: cobrança por reciprocidade. O governo recordou Erick que, na eleição da Mesa, Casagrande lhe deu um voto de confiança, apesar de toda a forte ligação do deputado com Paulo Hartung.
Casagrande poderia muito bem ter agido para travar a reeleição de Erick, lançando um candidato com o seu carimbo. Não o fez e deu salvo-conduto a Erick, apostando na sua promessa de garantir governabilidade a Casagrande e, acima de tudo, de manter unida a base governista na Casa.
Aí, na primeira oportunidade, essa coesão da base estava começando a ceder, sob o olhar complacente de Erick – aliás, com a ajuda dele –, por causa da pré-candidatura de Marcelo contra Ciciliotti. Não era bem a contrapartida que o governo Casagrande esperava dele. O governo fez Erick entender que precisava dele, assim como ele precisou do governo na eleição da Mesa. Era chegada a hora de Erick fazer por merecer a confiança depositada nele, retribuindo essa confiança e demonstrando que as duas partes terão mesmo uma frutífera parceria, de ajuda mútua, nos próximos anos.
“Agora era necessário voto de confiança na direção contrária”, resume um emissário de Casagrande.
Distensionado o conflito com Erick, o presidente passou a realizar a tarefa que o governo esperava dele: a de mediador do consenso com Marcelo.
O QUE MARCELO GANHOU?
Tudo bem, se Marcelo não era o favorito, no fundo não abriu mão de tanto assim. E talvez seja exagero dizer que ele, mais uma vez, foi para o “sacrifício político”. De todo modo, pela segunda vez em um mês, é inegável que ele dá um passo atrás que ajuda muito o governo Casagrande. No primeiro caso, ao desistir de assumir a Secretaria de Estado de Esportes, poupou o governo do constrangimento de permitir o retorno de Durão à Assembleia. Desta vez, poupou o governo de algo mais.
Se tivesse ido até o fim, Marcelo poderia ter exposto um racha na base indesejado pelo governo. Mesmo com vitória de Ciciliotti, a base sairia fraturada se Marcelo tivesse levado os seus dez votos. Base rachada é sempre mau negócio para o governo. Mais ainda bem no início do mandato. Para virar maioria contra o Palácio, não custaria muito.
Assim, segundo fontes governistas, Marcelo agora está mais prestigiado que nunca pelo governo. "Com esse comportamento, ele se revela aos olhos do governo como uma figura ainda mais merecedora de respeito e consideração, pela atitude que tomou", afirma Enivaldo dos Anjos. 
Será que era isso que Marcelo queria desde o início? Pode ser. Nesse caso, mesmo perdendo para o elefante, a raposa saiu ganhando, provando mais uma vez sua astúcia.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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