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Vitor Vogas

Itapemirim: Justiça suspende CPI contra prefeito Thiago Peçanha

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13) pelo desembargador Ewerton Schwab Pinto Júnior, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele acolheu recurso apresentado pelo prefeito

Publicado em 14 de Junho de 2019 às 22:18

Públicado em 

14 jun 2019 às 22:18
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Thiago Peçanha é prefeito do município de Itapemirim Crédito: Facebook Thiago Peçanha
A Justiça determinou a suspensão da CPI aberta em maio pela Câmara de Itapemirim contra o prefeito do município, Thiago Peçanha (PSDB). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13) pelo desembargador Ewerton Schwab Pinto Júnior, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Ele acolheu recurso apresentado pelo prefeito.
A decisão é cautelar (provisória). Assim, a suspensão da CPI vale até o julgamento do mérito do recurso apresentado por Peçanha para barrá-la em definitivo. Se a Câmara descumprir a decisão, terá que pagar multa de R$ 5 mil por dia.
A CPI em questão é a que investiga o Consórcio Intermunicipal Expandida Sul, firmado pela Prefeitura de Itapemirim, na área de saúde pública, “que visa apurar possíveis ilícitos praticados de improbidade administrativa e crime contra a administração pública”, segundo a resolução que instaurou a comissão.
Em linhas gerais, o prefeito alega ausência de fato determinado para justificar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito contra ele. No recurso, Peçanha também argumenta que “a instauração da CPI baseada em fatos genéricos só demonstra o cunho eminentemente político, bem como utilização da máquina legislativa para perpetração de abuso político”.
Ele reclama, ainda, da “convocação irregular da esposa do agravante [ele mesmo], uma vez que não exerce atividade pública ou política no município” e pede a suspensão da convocação da esposa para prestar depoimento à CPI.
O desembargador Ewerton Schwab concordou com os argumentos do prefeito: “(…) examinando a resolução nº 01/2019 que criou a Comissão Parlamentar de Inquérito, percebe-se a generalidade na fundamentação articulada pela Câmara Municipal com vias de apuração das supostas irregularidades”. Ele cita parte da mencionada resolução, segundo a qual a CPI foi aberta “tomando-se por base fatos relacionados ao Consórcio na área da Saúde – CIM – Consórcio Intermunicipal Expandida Sul”.
Para o autor da decisão, “ausente o motivo determinado de investigação ou de delimitação de fato passível de apuração, a Comissão Parlamentar de Inquérito pode exacerbar em seus poderes investigativos, atentando-se contra os princípios constitucionais”.
Conclui o magistrado: “(…) ao que momentaneamente restou configurado, houve grave ferimento ao princípio da legalidade, fato este capaz de ser tutelado pelo Judiciário, sem que isso signifique, oportunamente, a possibilidade de rever o posicionamento aqui estampado, após a oitiva do agravado [o depoimento do prefeito]”.
ENTENDA
No dia 24 de maio, seis dos 11 vereadores da cidade, no Litoral Sul capixaba, aprovaram a criação da CPI para investigar o prefeito Thiago Peçanha.
No mesmo dia, acolhendo uma questão de ordem levantada pelo vereador Rogério da Silva Rocha, o Rogerinho (PCdoB), esses mesmos seis parlamentares aprovaram projeto de decreto legislativo que determinou o afastamento do prefeito do cargo por 60 dias.
Reunidos na Câmara, os seis chegaram a assinar ato de posse do presidente da Casa, Mariel Delfino Amaro (também do PCdoB), como prefeito interino. Delfino foi quem deu o voto de desempate a favor da abertura da CPI.
Peçanha não tomou conhecimento desse ato, considerado por ele juridicamente inválido. De fato, três dias depois, o juiz Leonardo Augusto de Oliveira Rangel, substituto da 1ª Vara Cível e da Fazenda Pública de Itapemirim, suspendeu o afastamento do prefeito, por falta de sustentação legal.
Agora, a CPI também está suspensa liminarmente, por decisão de segunda instância.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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