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Luta eleitoral

José Carlos Gratz vira pivô da campanha a prefeito de Vitória

“Em Vila Velha, faço campanha contra o Max Filho. Em Vitória, contra o PT. E, a partir de hoje, Gandini tem uma pessoa com voto na cidade trabalhando contra ele”, diz ex-deputado

Publicado em 31 de Outubro de 2020 às 06:00

Públicado em 

31 out 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Gratz diz que trabalha contra Gandini, Coser e Max Filho
Gratz diz que trabalha contra Gandini, Coser e Max Filho Crédito: Amarildo
Em Vitória, faltando menos de 20 dias para o 1º turno, o nome de José Carlos Gratz passou a fazer parte da campanha pela prefeitura. Na última segunda-feira (26), em discurso inflamado feito para 2 mil pessoas em comício no Álvares Cabral, Fabrício Gandini falou em “ameaça de retorno à Era Gratz”. A fala foi reproduzida em sua propaganda eleitoral de TV:
“Nós queremos defender Vitória dessas pessoas que foram já retiradas pela urna e muitas das vezes até pela Justiça aqui no Espírito Santo. Nós precisamos nos unir para derrotar mais uma vez e falar: ‘Siga lá porque o povo já te tirou daqui. Fica quietinho! Fica quietinho!’. A Era Gratz não vai voltar no Espírito Santo. Corrupção, página de jornal, na coluna de política, não é Vitória.”
Quem acompanha a campanha na Capital compreendeu: o alvo certo da indireta de Gandini foi um dos seus adversários eleitorais, o deputado Lorenzo Pazolini, cujo 1º suplente na Assembleia é Marcos Madureira, aliado importantíssimo de Gratz quando este presidia a Casa (1997/2002). Se Pazolini levar em Vitória, Madureira pode assumir o mandato.
Pelas redes sociais, também se deflagrou um duelo à parte. Apoiadores de Gandini têm procurado associar Gratz a Pazolini, diretamente, pelo fato de Madureira poder herdar o mandato do deputado.
Montagem contrária a Pazolini que circula pelo Whatsapp
Montagem contrária a Pazolini que circula pelo Whatsapp Crédito: Reprodução
Enquanto isso, em grupos de direita no Whatsapp, simpatizantes de Pazolini e também de Capitão Assumção têm feito circular um possível vínculo entre Gratz e Gandini, pelo fato de este já ter nomeado em seu gabinete um servidor comissionado que tem o mesmo sobrenome do ex-presidente da Assembleia: Jean Carlo Gratz Pedrini.
Montagem contrária a Gandini que circula pelo Whatsapp
Montagem contrária a Gandini que circula pelo Whatsapp Crédito: Reprodução
Mas o próprio ex-deputado afirma que sua família é enorme e que nem sequer conhece o assessor, enquanto o servidor informa que Gratz é primo de 3º grau da sua mãe.
Seja como for, o ex-presidente da Assembleia virou personagem da luta política na campanha a prefeito de Vitória. Por isso, em busca de esclarecimentos, a coluna decidiu ouvir o próprio José Carlos Gratz, que nos deu esta entrevista exclusiva:

O senhor apoia algum candidato em Vitória?

Não. Neste 1º turno, não estou apoiando ninguém. Eu tenho as pessoas que faço campanha contra, em Vitória e em Vila Velha. Em Vitória, trabalho contra o candidato do PT [João Coser]. E, em Vila Velha, sou rigorosamente contra o Max Filho, porque ele foi o autor da armação e da minha cassação*.

Na Capital, o candidato Gandini fez uma referência direta ao sr., em sua propaganda eleitoral, mencionando a ameaça de um possível retorno à “Era Gratz”. Como o sr. avalia essa menção?

Respondi ao Gandini pelo Facebook, porque nunca ataco ninguém, mas nunca deixo de responder aos ataques, à minha maneira. Eu não vou mudar. Respondi a ele do meu jeito: se ele for homem o suficiente para mostrar algo errado na minha vida… Ninguém nunca mostrou. Passar por momentos políticos que eu passei nos últimos 18 anos… Tive 74 processos prescritos. Fui preso, fui cassado… Você não deve lembrar o que o PT fez, a mando de Paulo Hartung, na época que fui cassado e preso, vinte dias depois, por um desembargador federal. Esses processos todos foram extintos sem nem sequer serem julgados.

E é por isso também que o sr. está trabalhando contra o PT em Vitória?

A única página que tenho no momento é o Facebook. Faço campanha diariamente contra o PT. Sou antipetista.

Em grupos de Whatsapp, circula uma espécie de contra-ataque, por parte de simpatizantes de candidatos de direita, como Pazolini, em que se busca associar Gandini ao sr. pelo fato de ele já ter nomeado um assessor de gabinete chamado Jean Carlo Gratz Pedrini. Há alguma relação com o sr.?

Minha família, de origem italiana, vive no Espírito Santo há cerca de 140 anos. Vieram para Aracruz em 1882. Sou Guasti e Furieri por parte de mãe. E Gratz por parte de pai. Tenho centenas de parentes com sobrenome Gratz e que eu não sei quem são, porque a família é muito grande.

No caso desse servidor comissionado, qual é o grau de parentesco?

Eu não tenho noção de quem seja essa pessoa. Ele deve ser um parente distante. Você está dizendo algo que eu não sabia. Inclusive estive com o Pazolini ontem [na quinta], em um evento no Iate Clube. Por coincidência, eu estava lá no evento. Estive com ele e não acredito que Pazolini seja esse tipo de homem de fazer esse tipo de ataque a ninguém nem espalhar boataria.

Se Pazolini vencer a eleição a prefeito da Capital, o ex-deputado e ex-conselheiro do TCES Marcos Madureira pode herdar o mandato dele na Assembleia. Por associação de ideias, podemos inferir que foi essa a referência indireta que quis fazer Gandini ao falar em “volta da Era Gratz”. Madureira teve proeminência na política capixaba enquanto o sr. comandou a Assembleia. Como o sr. vê o possível retorno político dele? Existe alguma ligação com sua pessoa?

Primeiro que esse Gandini, eu não tinha nada contra ele, mas passei a ter. A partir de hoje, ele já tem uma pessoa que tem voto trabalhando contra ele. Então agora já tenho dois em Vitória para trabalhar contra. A partir de hoje já estou contra o Gandini. Ele é tão despreparado que fala de “Era Gratz”, e eu tenho dois deputados da minha era que estão lá, que se chamam Enivaldo dos Anjos e José Esmeraldo. E quem fez a emenda constitucional para a minha eleição à presidência foi Enivaldo, então ele foi o meu maior aliado. Em grande parte do período em que fui presidente, Madureira já não era deputado. Ele já estava no Tribunal de Contas do Estado.

Mas como seu aliado também, não?

O Madureira sempre foi meu aliado, com os demais deputados. O que mostrei para esse Gandini é que a Era Gratz só fez tudo. Não existe uma lei aprovada depois que saí da Assembleia que fosse importante para o Espírito Santo. Todas foram na Era Gratz. Além disso, caso Pazolini se eleja, acho que Madureira não vai querer assumir o mandato por dois anos na Assembleia. Ele não tem mais nenhum interesse político.
* Max foi o autor da denúncia que originou a cassação do mandato de Gratz em 2002 e a sua primeira prisão, por desvio de dinheiro para asfaltamento de ruas em Cobilândia.

"Tentativa de associação com José Carlos Gratz é inverídica e sem fundamento"

Assessor de gabinete de Gandini na Assembleia, em cargo de livre nomeação, de fevereiro de 2019 a julho deste ano (segundo o Portal da Transparência da Casa), o próprio Jean Carlo Gratz Pedrini ofereceu seus esclarecimentos à coluna, por intermédio da assessoria de imprensa do candidato: 

“Conheço Gandini há mais de 20 anos. Ele deu aula na escola bíblica dominical para a minha filha. Trabalhei com ele de 2018 até junho deste ano na Assembleia Legislativa, quando me desincompatibilizei para ser candidato a vereador em Aracruz. Tenho um histórico de militância social na cidade e já fui presidente do PPS (atual Cidadania). José Carlos Gratz é primo distante (de terceiro grau) da minha mãe. Nunca tive ligação política com ele, não tenho relacionamento ou convívio. Qualquer tentativa de fazer essa associação na disputa em Vitória é inverídica e sem fundamento. Não condiz com a verdade.”

Jean Carlo Gratz Pedrini

A Gazeta

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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