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Vitor Vogas

Klebão: problema pra Casão, ontem e hoje

Agora que Casagrande retornou ao Palácio Anchieta, o problemão que virou o Klebão também retorna para as mãos dele. E está aqui para ficar. O que fazer com o estádio que virou um elefante branco e gera prejuízo gigantesco para os cofres públicos capixabas?

Publicado em 05 de Junho de 2019 às 00:44

Públicado em 

05 jun 2019 às 00:44
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Praça Oito - 05/06/2019 Crédito: Amarildo
“Yesterday / All my troubles seemed so far away / Now it looks as though they’re here to stay”, cantou Paul McCartney, em seu segundo e derradeiro bis, para as 34 mil pessoas que lotaram o Kleber Andrade naquele histórico 10 de novembro de 2014. Traduzindo livremente os três primeiros versos do clássico do ex-beatle: “Ontem / Todos os meus problemas pareciam tão distantes / Agora parece, porém, que eles vieram para ficar”. Sir Paul não sabia, mas, no antológico show que valeu como pré-inauguração do estádio, deixou uma premonição para Renato Casagrande.
A mais importante praça esportiva capixaba foi comprada pelo governo estadual em 2008, ainda na segunda administração de Paulo Hartung. As obras da reforma foram iniciadas em 2010. Em 2011, Casagrande assumiu o governo e, com ele, o compromisso de entregar o novo estádio. Em 27 de dezembro de 2014, no apito final de seu primeiro mandato, Casagrande inaugurou o novo Klebão, com a obra inacabada, ao custo de R$ 180 milhões para os cofres estaduais.
Daí em diante, devolveu o “problema” do elefante branco para Hartung, que, nos últimos quatro anos, nada fez para transformá-lo em um equipamento rentável e mais interessante – a reforma nem sequer foi concluída. Agora que Casagrande retornou ao Palácio Anchieta, o problemão que virou o Klebão também retorna para as mãos dele. E está aqui para ficar.
Reportagem de A GAZETA publicada na última segunda-feira comprova, com riqueza de dados oficiais: com capacidade para 21 mil pessoas, o Klebão é, hoje, um espaço faraônico e deficitário, gigante que atrai pouquíssima gente e causa enorme prejuízo para o contribuinte capixaba. Os gastos com a manutenção do estádio são inversamente proporcionais às receitas geradas por ele.
Desde janeiro de 2015, o governo do Estado dispendeu R$ 7,4 milhões só para manter o Klebão (despesas de custeio, como água, energia e cuidados com o gramado). No mesmo período, o estádio só gerou R$ 354,4 mil aos cofres públicos, menos de 5% de tudo o que foi gasto. Essa parca arrecadação vem do aluguel cobrado pelo governo para a realização de partidas, única receita gerada pelo Klebão atualmente.
Desde a inauguração, o estádio sediou 109 partidas de futebol profissional. Há, esporadicamente, jogos envolvendo times de fora, com destaque para clubes populares do Rio de Janeiro, que levam ao estádio torcidas maiores e aumentam a sua média de público. Mas essa não é a regra. Das 109 partidas, 86 foram disputadas entre times capixabas.
Nesse recorte, a média é de 1.220,6 pagantes, o que corresponde a 5,8% da capacidade do estádio. Ou seja, em média, para cada 50 cadeiras, só três são ocupadas nas partidas locais. Acrescente-se que 13 desses 86 jogos (15%) tiveram menos de cem torcedores. Tanto espaço vazio leva à pergunta: por que fizeram essa obra megalomaníaca se não há demanda para tanto?
À reportagem de A GAZETA, Casagrande evitou a palavra “preocupante” para definir a situação, mas não pôde fugir da palavra “discrepante”. Destacou que, nos últimos quatro anos, o estádio ficou entregue às moscas e sinalizou que a concessão do equipamento para a iniciativa privada é a solução de seus sonhos. Isso, contudo, está longe e soa incerto.
Até lá, o secretário estadual de Esportes, Júnior Abreu, diz ter editado portaria que permitirá ao governo expandir o leque de possibilidades de aluguel do estádio, também para feiras, shows e até ensaios fotográficos de casamento.
No entanto, produtores de eventos ouvidos por A GAZETA assinalam que, mesmo após a reforma, o Klebão carece de estrutura para competir com outras praças, em outros Estados, na atração de megaeventos. Assinalam problemas adicionais que tornam o estádio pouco atraente, como banheiros distantes, a falta de conforto e de segurança e, principalmente, o acesso ruim ao local.
Antes de tudo, sem dúvida, é necessário completar as obras. Recentemente, o governo autorizou R$ 15 milhões para a conclusão (elevador, escada rolante, placar eletrônico etc.). Governo, sociedade civil e empresários capixabas devem se unir a fim de pensar em conjunto as melhores estratégias para potencializar e diversificar a utilização do equipamento, o qual, não se pode perder de vista, cumpre relevante papel social na área do desporto, da cultura e da arte.
Finalmente, os clubes e a Federação de Futebol não podem se eximir de responsabilidade. Precisam oferecer torneios mais organizados e atraentes, com um futebol mais decente, e não esse que há mais de década não consegue evoluir do padrão Série D. Os últimos anos o provam: não é um bom estádio que eleva a qualidade dos times; são times de qualidade que elevam o público nos estádios.
Juntos, we can work it out.
Guerra em Itapemirim
No plenário da Assembleia, ontem, o deputado Euclério Sampaio (sem partido) mencionou que o prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha (PSDB), vem sofrendo ameaças de morte pelas redes sociais. Pediu apuração aos órgãos competentes. Aparteando Euclério, Marcos Mansur (PSDB) disse também ter sofrido ameaças pelas redes sociais.
Guerra em Brejetuba
Os conflitos políticos de Brejetuba também ecoaram ontem na Assembleia. Vários parlamentares manifestaram solidariedade ao prefeito João Lourenço (PV), afastado pela Câmara Municipal e depois reconduzido ao cargo por decisão liminar concedida pela Justiça na última sexta-feira. Entre eles, Hudson Leal (PRB), José Esmeraldo (MDB), Luciano Machado (PV) e Janete de Sá (PMN).
Cena Política
Hércules Silveira (MDB) costuma se gabar de ser o primeiro em tudo na Assembleia, inclusive a se inscrever para discursar. Ontem, na fase das comunicações, ele foi “só” o 3º. Majeski não perdeu a chance de tirar um sarro: “Só pra registrar: o Dr. Hércules anda meio lento. Ele é terceiro hoje? O que é que aconteceu, Dr. Hércules? Explica aí pra nós”. Hércules não deixou por menos: “Os colegas ficam preocupados quando não sou o primeiro. Posso não ser o primeiro no painel. Mas sou o primeiro que chego aqui e o último que saio”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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