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Guerra à vista!

Luiz Paulo volta ao ninho tucano a fim de podar as asas de Vandinho

De volta ao ninho tucano e tornando a fazer política partidária no interior do PSDB, o ex-prefeito representa uma ameaça e uma disputa certa, eleitoral e ideológica, com o atual presidente da sigla no ES

Publicado em 05 de Abril de 2020 às 06:00

Públicado em 

05 abr 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Luiz Paulo volta ao PSDB querendo podar asas de Vandinho, Amaro e Pazolini
Luiz Paulo volta ao PSDB querendo podar asas de Vandinho, Amaro e Pazolini Crédito: Amarildo
O governo de Renato Casagrande (PSB) não tem o menor interesse em ver o PSDB indo parar de mão beijada nos braços do deputado estadual Lorenzo Pazolini, opositor do Palácio Anchieta e filiado na última sexta-feira (3) ao partido Republicanos para concorrer à sucessão do prefeito Luciano Rezende (Cidadania) em Vitória. E, ao que tudo indica, Luiz Paulo Vellozo Lucas também não.
Com longa história no PSDB, do qual se apartou circunstancialmente em 2018, o ex-prefeito de Vitória não parece disposto a ficar vendo, passivamente, o seu antigo partido trabalhar para eleger um candidato a prefeito que faça oposição ao governo Casagrande e que não esteja no campo político do governador, do qual hoje ele é parte.
Tampouco parece resignado a ver o “seu” PSDB, nascido em 1988 como partido social-democrata (de centro-esquerda), tomar um caminho tão distante de sua identidade original em Vitória, ajudando a eleger um candidato que pouco tem a ver com o ideário daquele partido idealizado por FHC e Mario Covas, entre outros.
Diferentemente de Luiz Paulo, Pazolini, Vandinho Leite e Amaro Neto – hoje aglutinados na eleição em Vitória – são políticos de direita. Vandinho e Pazolini, declaradamente de direita. Na Assembleia Legislativa, no que concerne à pauta comportamental, ambos por vezes adotam posições numa linha meio Bolsonaro, flertando um pouco com o discurso do ex-senador Magno Malta (PL). Pazolini, aliás, tem quadros ligados a Magno indicados por ele em cargos na Assembleia.
Ou seja: Luiz Paulo de volta ao ninho tucano, e voltando a fazer política partidária no interior do partido, representa, potencialmente, uma disputa com Vandinho não só do ponto de vista da definição de candidaturas e estratégias eleitorais. Representa, para além de tudo isso, uma disputa de teses de fundo ideológico.
A leitura, então, é a seguinte: Luiz Paulo não saiu do Cidadania mal com Luciano, ou por ter brigado com Luciano. Nada disso. Mesmo fora do Cidadania, se pensarmos a “geopolítica capixaba” atual, o ex-prefeito continua no mesmo time de Luciano, assim como também continua no time do governo Casagrande – do qual por sinal fazia parte até a semana passada, como presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, o órgão de pesquisas científicas do Executivo estadual.
Os dois times são os mesmos, aliás, integrados que são os partidos de Casagrande e de Luciano na aliança PSB/Cidadania, hoje assentada no poder no Espírito Santo.
Em sua volta literalmente “por cima” ao PSDB – já que teve o passaporte de reingresso carimbado pela direção nacional do partido, a despeito da decisão da Executiva de Vitória que havia barrado o seu retorno –, Luiz Paulo deve buscar operar internamente, nos próximos quatro meses, para “redirecionar” aquela rota já traçada por Vandinho para o PSDB: apoiar Pazolini já no 1ºturno, ou lançar no 1º a vereadora Neuzinha de Oliveira para apoiar no 2º o delegado de polícia licenciado.
Na prática, isso significa que Luiz Paulo pode ou trabalhar realmente, dentro do PSDB, a sua própria pré-candidatura; ou buscar levar o PSDB a apoiar, na Capital, o deputado estadual Fabrício Gandini, presidente estadual do Cidadania e candidato, desde sempre, de Luciano Rezende; ou buscar “puxar” o PSDB para a coligação do deputado estadual Sergio Majeski (se este acabar sendo candidato a prefeito pelo PSB).
Em qualquer uma dessas hipóteses, Luiz Paulo deve se empenhar, acima de tudo, para impedir ou pelo menos dificultar a aderência automática do PSDB à candidatura de Pazolini pelo Republicanos na Capital. Em outras palavras, melar os planos de Vandinho Leite, hoje à frente do PSDB no Espírito Santo, e ajudar a esvaziar essa coligação que envolve adversários do governo Casagrande e da aliança PSB/Cidadania.
Por que “acima de tudo” bloquear uma candidatura de Pazolini? Porque, para o governo Casagrande (polo PSB/Cidadania), eventual candidatura de Amaro Neto em Vitória pelo mesmo Republicanos até seria palatável. Assim também eventual vitória do deputado federal na Capital. Tanto que o governador chegou a discutir eleições pessoalmente com Amaro – reuniram-se no Palácio Anchieta em pelo menos três oportunidades, entre dezembro e março.
Já eventual candidatura de Pazolini na Capital pode incomodar, e muito, o Palácio Anchieta: assim como faz rotineiramente na Assembleia, o deputado, durante a campanha, com certeza baterá no governo estadual. Se ele vier a ganhar, então, o governo Casagrande terá, a princípio, o dissabor de lidar com um prefeito nem um pouco aliado do Palácio, na cidade politicamente mais importante do Estado.
De volta ao ninho, então, Luiz Paulo – com suas características verve e capacidade de formulação – tem potencial para, no mínimo, tentar fazer uma disputa interna de teses e sacudir as coisas em um partido que parecia estável sob a liderança de Vandinho no rumo traçado pelo deputado.
Do ponto de vista mais prático, pensando nas definições eleitorais em Vitória, Luiz Paulo pode cumprir um objetivo estratégico para ele mesmo e para aquele time PSB/Cidadania: levar o PSDB a apoiar Gandini ou Majeski (em caso de candidatura do último) ou, no mínimo, impedir que o partido pelo qual ele próprio governou Vitória de 1997 a 2004 apoie Pazolini.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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