A decisão de Sergio Majeski, anunciada no último sábado (4), de não trocar de partido para se candidatar a prefeito de Vitória neste ano, não deixa o deputado estadual, de modo algum, fora do jogo eleitoral na Capital, nem como cabo eleitoral importante, nem como potencial candidato à sucessão de Luciano Rezende (Cidadania). Tecnicamente, Majeski ainda pode concorrer à prefeitura, desde que pelo seu atual partido, o PSB – e desde que o PSB volte atrás e decida lançá-lo na convenção de julho ou agosto.
No comunicado de Majeski destinado à imprensa no último sábado, a mensagem central não é "desisti de ser candidato a prefeito", mas "não serei candidato a prefeito por outro partido". Textualmente, o que ele escreveu foi:
"Com relação às eleições municipais ainda programadas para este ano, venho esclarecer que não ingressarei neste sábado, dia 4 de abril, numa nova sigla com o propósito de viabilizar candidatura a prefeito de Vitória."
Na nota de sete parágrafos, ele faz esta ressalva: “Sempre deixei claro que não serei candidato a prefeito a qualquer custo (grifo nosso)”. Veja bem: “a qualquer custo”. Esse “a qualquer custo”, pelo visto, significaria trocar de sigla, no limite do prazo para isso (precisamente no último sábado), apenas para ser candidato e sem a convicção necessária. Mas em nenhum ponto da nota ele afirma categoricamente: “Não serei candidato a prefeito”. Manejando as palavras, o deputado manteve essa janela aberta.
Agora, de fato, o que Majeski não pode mais é ser candidato por outra sigla. O prazo para isso expirou no sábado. Nos próximos meses até o registro de candidaturas, ele pode até sair do PSB e ingressar em outro partido. Se fizer isso, aí sim, não poderá mais ser candidato, por perda do prazo, e aí sim estará completamente fora do páreo. Enquanto estiver no PSB, Majeski segue no jogo. Em outras palavras, se quiser viabilizar candidatura, terá que fazer isso dentro do PSB. Resta saber se o PSB mudará de ideia e, na hora H, decidirá abraçar a candidatura do deputado.
Por ora, o partido do governador Renato Casagrande tem, em Vitória, outro pré-candidato a prefeito: o atual vice-prefeito, Sérgio Sá, que derrotou Majeski em prévia realizada pela Executiva Municipal do PSB em 17 de fevereiro. Na prática, todo mundo sabe que essa decisão e a própria prévia foram simbólicos e que, do ponto de vista legal, o que vale é o que partido decidir e lavrar em ata na convenção, que poderá ser realizada de 20 de julho a 5 de agosto.
No meio político capixaba, já há muita gente apostando que o PSB pode mudar mesmo de ideia e preferir segurar o passe de Majeski em virtude de um fato novo que alterou todo o cenário: a filiação do deputado estadual Lorenzo Pazolini ao Republicanos e a confirmação da sua pré-candidatura a prefeito de Vitória pelo partido de Amaro Neto e justamente no lugar deixado pelo deputado federal, que transferiu o domicílio eleitoral da Capital para a Serra.
Eventual candidatura e até eventual vitória de Amaro na Capital seriam muito mais digeríveis para Casagrande, seu partido e seu núcleo político. Com Pazolini, a coisa muda completamente de figura. O deputado estadual tem feito oposição intensa ao governo Casagrande na Assembleia. Sua eventual chegada à Prefeitura de Vitória representa, a princípio, para o Palácio Anchieta, a chegada de um adversário político.
Vai que, nos próximos três meses até as convenções, Pazolini começa a crescer muito nas pesquisas de intenção de voto, consolidando-se como ameaça real? E vai que as mesmas pesquisas destacam Majeski como único candidato em condições de fazer frente ao delegado? O PSB pode decidir lançá-lo para derrotar Pazolini ou, pelo menos, tirar votos que iriam para ele. Por que não?
MAJESKI COMO CABO ELEITORAL
Outra opção para Majeski é, saindo ou ficando no PSB, decidir não ser mesmo candidato e apoiar outro concorrente que não Sérgio Sá. Sem dúvida terá peso no processo como cabo eleitoral. Nesse caso, duas opções despontam:
A primeira é o vereador Roberto Martins, pré-candidato a prefeito pela Rede Sustentabilidade. Os dois têm ótima relação desde os tempos em que eram colegas de magistério. Antes do fim do prazo para filiações de candidatos, Martins convidou Majeski para se filiar à Rede e chegou a afirmar diversas vezes que, se o deputado topasse, seria o candidato a prefeito da Rede no lugar dele mesmo. Agora, mesmo fora da Rede, Majeski pode retribuir e apoiar a candidatura de Martins.
A outra opção de Majeski é, independentemente do partido, apoiar eventual candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas, recém-refiliado ao PSDB, caso o ex-prefeito de Vitória consiga ser candidato. Entretanto, hoje, a viabilização dessa candidatura soa muito difícil, por motivos jurídicos e políticos. Com condenação judicial em 2º grau, Luiz Paulo hoje, tecnicamente, pode ser considerado inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, enquanto tenta reverter a sentença junto ao STJ.
Além disso, mesmo que seja liberado pela Justiça Eleitoral, Luiz Paulo precisará vencer a convenção municipal do PSDB em julho. Hoje, o partido é comandado em Vitória pela vereadora Neuzinha de Oliveira, que é aliada do presidente estadual do partido, Vandinho Leite, e tem a maioria da Executiva. Tanto que a direção municipal chegou a barrar a filiação de Luiz Paulo, garantida no tapetão por determinação expressa do presidente nacional dos tucanos, o ex-deputado federal Bruno Araújo.
Se Majeski for candidato e Luiz Paulo não, é possível que o deputado conte com o apoio pessoal do ex-prefeito.
RESUMO: AS TRÊS OPÇÕES DE MAJESKI
Ir com ele mesmo
Independentemente do partido, apoiar pessoalmente a candidatura do vereador Roberto Martins pela Rede.
Independentemente do partido, apoiar pessoalmente a candidatura do ex-prefeito Luiz Paulo pelo PSDB (caso esta se concretize).
Ser candidato a prefeito pelo PSB, o que depende de vontade do próprio Majeski em primeiro lugar, além de apoio de Casagrande, retirada da pré-candidatura de Sérgio Sá e entendimento entre todas as partes envolvidas. Essa opção, é claro, também poderia representar desgaste na relação de Luciano Rezende com Casagrande e quebra do compromisso do governador, como ele mesmo já disse, de "fortalecer o movimento político de Luciano em Vitória", leia-se fortalecer a candidatura de Gandini.