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Eleição na Capital

Majeski virou um problema para o PSB e para o governo Casagrande

Hoje, do ponto de vista estratégico, deputado é um ativo muito menos importante para Casagrande do que era há dois anos. PSB pode preferir vê-lo em outra sigla a lhe dar legenda para disputar Prefeitura de Vitória

Publicado em 09 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

09 mar 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Majeski pode estar de saída do PSB Crédito: Amarildo
Uma das grandes perguntas sem resposta neste momento decisivo do calendário eleitoral é: o que fará Sergio Majeski? Ficará no PSB ou trocará de partido até o dia 4 de abril para buscar ser candidato a prefeito de Vitória? Na coluna de hoje não oferecemos uma resposta, mas uma constatação que deve ter peso nessa decisão: para Renato Casagrande, hoje, é muito menos conveniente ter Majeski no PSB do que era quando o filiou ao partido, em 2018. Hoje, o deputado já não é um ativo político imprescindível nem para o PSB nem para o governo Casagrande.
Em abril de 2018, quando Majeski decidiu trocar o PSDB pelo PSB a convite do hoje governador, era interessante para o PSB e Casagrande (ou “para o PSB de Casagrande”) contar, em suas fileiras, com o deputado que então simbolizava a “resistência” ao governo Paulo Hartung na Assembleia. Chamado por colegas de “líder da oposição”, Majeski não dera trégua ao Executivo, com críticas e cobranças frequentes, em 40 meses de mandato até aquele momento. Era uma pedra no sapato de Hartung.
E àquela altura Casagrande, como quase todo mundo, esperava que Hartung seria seu adversário nas urnas. Era para esse oponente que ele se preparava havia anos. Mas, no início de julho de 2018, Hartung anunciou que não seria candidato a nada, reconfigurando completamente o jogo. E, para Casagrande e seu PSB, a importância de Majeski começou a declinar aí.
Até então pré-candidato ao Senado, o deputado acabou desistindo desse salto maior para alcançar algo muito mais à mão: a reeleição na Assembleia. Em julho de 2018, retirou a candidatura ao Senado queixando-se de falta de apoio por parte dos dirigentes do PSB, Casagrande incluído. O cacique-mor do PSB teria preferido endossar as candidaturas de Marcos do Val (então no Cidadania, hoje no Podemos) e de Ricardo Ferraço (PSDB), que de fato foram os dois candidatos ao Senado pela coligação de Casagrande.
É verdade que Casagrande não fez questão de bancar a candidatura de Majeski, mas também é certo que Majeski não mostrou nenhum empenho para tentar se viabilizar dentro do novo partido. Não fez a menor menção de peitar os dirigentes partidários para manter a candidatura ao Senado. Conformado com mais um mandato na Assembleia, teve ótima votação em 2018 – a maior para o cargo.
Mas, no primeiro ano de novo mandato (2019), o deputado continuou agindo como agira nos quatro anos do mandato anterior, durante o governo Paulo Hartung: com postura crítica ao Executivo, embora num tom mais ameno. O governo mudou, Majeski não. Para ele próprio, pode ser algo positivo: sempre poderá alegar a coerência de quem não vê cara de governador nem cor de partido no governo, de quem não atenua ou intensifica críticas de acordo com quem está no poder. Numa palavra, independência.
Já para o governo Casagrande, isso é péssimo: não bastassem os deputados de oposição, é preciso lidar com um deputado com quem o governo sabe de antemão que não pode contar, mesmo sendo do partido do governador. Imprevisível e indomável, Majeski pode incomodar mais do que oposicionistas na Casa, não mostra fidelidade nem ao governo nem ao partido e, frequentemente, vota contra os projetos e os interesses do Palácio Anchieta, inclusive em matérias essenciais, como o orçamento estadual para 2020, aprovado em dezembro na Assembleia contra o voto do professor. Definitivamente, não é um político “partidário”.

MAJESKI NÃO É VOTO GARANTIDO PARA GOVERNO DO PRÓPRIO PARTIDO

Na última terça-feira (3), para dar um exemplo bem recente em um tema bastante delicado para o Executivo, Majeski subiu à tribuna para defender uma indicação sua ao governador: que Casagrande avalie conceder aos profissionais do magistério estadual o mesmo “reajuste diferenciado” concedido aos integrantes das forças de segurança (Polícia Civil, Polícia Militar e Bombeiros). Isso num momento em que várias categorias se organizam para reivindicar tratamento isonômico e a mesma proposta de aumento aceita pelos policiais na última quinta-feira (5).
Nesta segunda-feira mesmo (9), há assembleia geral de sindicatos em frente à Assembleia. Tudo de que o governo não precisa neste momento é dessa pressão extra vinda de um deputado do partido. Caso clássico de fogo amigo. Mas aí é que está: apesar de ser do PSB, Majeski não é da base, muito menos “amigo do governo”.

SE MAJESKI FOR PREFEITO DE VITÓRIA, O PSB CHEGA À PREFEITURA?

E se, eventualmente, o deputado candidatar-se a prefeito pelo PSB e chegar mesmo à Prefeitura de Vitória? Por acaso uma administração de Majeski seria mesmo uma administração do PSB? Até que ponto ele teria compromisso em fazer uma gestão compartilhada com o partido e de modo a atender os interesses da direção da sigla? Dentro do próprio PSB, paira certa insegurança quanto a isso.
É bom lembrar que, como já registramos aqui, o partido do governador tem se notabilizado por um apetite voraz por cargos na máquina pública estadual – atualmente, loteada entre socialistas e integrantes de partidos aliados. E na Prefeitura de Vitória? Logo Majeski, que critica tanto o preenchimento de cargos na Assembleia por indicação política, estaria disposto a incorporar essa prática na administração municipal? Dificilmente. Enfim, se Majeski chegar à prefeitura, o PSB chega com ele? Não necessariamente.

SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

Noves fora, Majeski hoje parece ter se tornado mais problema para o PSB do que propriamente solução. E, para o comando da sigla, incluindo o próprio Casagrande, pode ser mais conveniente, hoje, ter o deputado fora do PSB – nem que seja para disputar a eleição por outro partido – do que dar ao incontrolável deputado legenda para concorrer em Vitória.
Majeski: "Sou 40 (PSB)". Será mesmo? Crédito: Letícia Gonçalves
Não por menos, o PSB de Vitória realizou, em fevereiro, aquela inusitada prévia, na qual o vice-prefeito Sérgio Sá foi escolhido como o pré-candidato oficial do partido a prefeito, quase por aclamação. E não por acaso, também, o próprio Casagrande tratou de dar a deixa a Majeski, antes mesmo da referida prévia, dizendo que o derrotado poderia sentir-se livre para buscar viabilizar candidatura por outra agremiação.

MAJESKI TOPA O RISCO?

Para isso, Majeski pode trocar de partido até o dia 4 de abril. Fonte da alta cúpula do governo e do PSB afiança que, se ele o fizer, o partido não pedirá o seu mandato de deputado à Justiça Eleitoral. Majeski desconfia de tamanha generosidade. Durante a prévia em Vitória, arrematou seu discurso com uma citação colhida de Guimarães Rosa, em “Grande Sertão: Veredas”: “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.
Peço licença para emendar outro aforismo clássico do vaqueiro Riobaldo, no mesmo romance: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
A vida política também o quer. Política é risco. Talvez seja chegado o momento de Majeski demonstrar essa coragem.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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