Com a onda Bolsonaro que varreu o Brasil nas eleições gerais de outubro, o Partido Social Liberal (PSL), que abrigou Bolsonaro e bolsonaristas, cresceu como nenhum outro no país. Com 52 deputados federais eleitos, fez a segunda maior bancada da Câmara (atrás do PT, com 56). Em Assembleias Legislativas de muitos Estados, o partido também fez a festa. No Espírito Santo não foi diferente. Com quatro deputados estaduais eleitos, a sigla do novo presidente elegeu a maior bancada no Legislativo capixaba.
Mas o partido não está satisfeito. E por que estaria? Embalado pelo sucesso nas urnas em 2018 e pela euforia gerada pelo início do governo Bolsonaro, o PSL já tem planos ousados mirando as próximas eleições municipais, em 2020. Quem dá o serviço completo, em seu estilo sem rodeios, é o presidente estadual da legenda, o deputado federal Carlos Manato.
Segundo ele, o partido trabalha com a meta de eleger cerca de 20 dos 78 prefeitos capixabas no ano que vem. Nas prefeituras da Grande Vitória, o PSL pretende “fazer a limpa”. E, com quase dois anos de antecedência, os candidatos já estão pré-definidos. Nomes como os do próprio Manato, Danilo Bahiense, Marcos Guerra e Subtenente Assis, além do aliado Amaro Neto (PRB), devem voltar a figurar nas urnas em 2020. Confira:
Vitória
Para prefeito de Vitória, de acordo com Manato, o PSL trabalha com três opções: pode lançar ele próprio, ou a esposa dele, a também médica Soraya Manato. A terceira alternativa é o jornalista Torino Marques. Todos são filiados à legenda.
Prestes a encerrar o 4º mandato seguido na Câmara dos Deputados, onde chegou em 2003, Manato perdeu a eleição para governador em 2018, mas, politicamente, saiu maior do que entrou no processo, com 27,2% dos votos (total de 525.973). Em fevereiro, assume o cargo de secretário especial para a Câmara Federal. Vai ajudar o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), na articulação com os deputados (muitos deles, antigos pares; outros, correligionários seus no PSL que têm zero experiência parlamentar).
Sem exagero, Manato está operando de dentro da cozinha política do governo Bolsonaro, em Brasília. Além disso, no dia 12 de dezembro, elegeu-se presidente da Conselho Deliberativo do Sebrae-ES. Obviamente, pretende capitalizar essa boa fase visando à eleição de 2020.
Já Soraya Manato foi uma das grandes surpresas da eleição de outubro. Sem experiência política alguma, foi empurrada pela onda Bolsonaro e pelo sobrenome do marido. Chega à Câmara Federal como a 6ª candidata mais votada no Espírito Santo, com 57.754 dos votos.
Quanto a Torino Marques, é outro estreante em mandatos. Contou com a popularidade da TV para alcançar boa votação para um principiante em eleições: com 22.085 sufrágios, teve o 11º melhor desempenho na disputa à Assembleia.
Na Capital, conta Manato, o PSL tem um acordo com o PRB, que deve oferecer o vice da chapa. Esse acordo também passa por nosso próximo município:
Serra
No maior colégio eleitoral do Estado, a aposta do PSL é o deputado estadual Amaro Neto (PRB), que aportará na Câmara dos Deputados como o candidato mais votado para o cargo de todos os tempos no Espírito Santo (181.837 votos). Segundo Manato, para se aproximar dos eleitores serranos, Amaro já está montando seu gabinete de representação parlamentar no bairro Laranjeiras.
Repetindo a dobradinha em Vitória, o vice de Amaro na Serra deve vir do PSL. É a contrapartida.
Vila Velha
Segundo Manato, o delegado da Polícia Civil Danilo Bahiense (PSL) é candidatíssimo a prefeito canela-verde. Em fevereiro, Bahiense inicia o primeiro mandato eletivo, na Assembleia Legislativa, à qual também chegou com boa votação: com a preferência de 36.064 eleitores, foi o 4º mais votado em outubro.
Em Vila Velha, porém, não valerá a aliança com o PRB, já que, de acordo com Manato, o deputado estadual Hudson Leal também é candidatíssimo à sucessão de Max Filho (PSDB). Aliado de Manato (e médico como ele), Hudson foi reeleito pelo PRB na mesma coligação do PSL. Assim como Bahiense, o experiente político obteve muito boa votação, ficando em 6º lugar (30.632 votos).
Entre ambos, porém, já foi pactuada uma aliança em eventual segundo turno.
Não há a mínima chance de composição com o grupo de Max Filho. “Vamos para cima”, crava Manato.
Cariacica
Outro rosto novo na política está nos planos do PSL para prefeito do município: o do Subtenente Assis, filiado ao partido e bolsonarista entusiasmado. Em 2018, o policial militar estreou nas urnas, na disputa por uma das duas vagas ao Senado. Não se elegeu. Mas seus 247.209 votos não podem ser desprezados. Em Cariacica, ele obteve 23.829 sufrágios.
Assis é de Cariacica e mora no município. Suas mensagens em redes sociais são típicas de quem é pré-candidato. “Logicamente ele vai virar o presidente do PSL em Cariacica”, revela Manato.
Interior
O PSL também já tem planos traçados para cidades importantes do interior. Em Cachoeiro, conta Manato, o candidato a prefeito será o ex-vice-prefeito Jathir Moreira, filiado ao PSL. Em 2016, Moreira disputou a prefeitura pelo Solidariedade (presidido à época por Manato no Estado), tendo sido derrotado por Victor Coelho (PSB).
Já em Colatina o candidato a prefeito será Luciano Merlo ou o empresário Marcos Guerra. Diretor de faculdade particular na cidade, Merlo ficou em 3º lugar na eleição a prefeito em 2016, então no Solidariedade. No ano passado, foi candidato a deputado estadual pelo PSL, sem sucesso nas urnas (teve 8.338 votos). Já Guerra é ex-presidente da Findes e foi candidato a deputado federal pelo PSL em 2018. Ficou como 3º suplente da coligação PSL-PRB-PR. Ele foi um dos principais operadores da eleição de Manato no Sebrae-ES.
Assumção e Quintino
E por que Capitão Assumção e Coronel Quintino estão fora da lista? Afinal, ambos os oficiais da PMES também chegam à Assembleia Legislativa com boa votação, na bancada do PSL. Manato responde: não serão candidatos a nada em 2020 porque têm compromisso com as tropas, as quais representarão na Assembleia, de cumprirem até o fim o mandato na Casa de Leis.
Conclusão
Após fazer a limpa nas eleições de outubro, o PSL de Manato está pensando grande para 2020. O sucesso dos planos já traçados, com direito a nomes dos pré-candidatos, dependerá muito do prolongamento da onda bolsonarista, o que, por sua vez, dependerá diretamente do desempenho do governo Bolsonaro no primeiro biênio.
Fiquemos atentos, pois.
ENTREVISTA
"Daremos menos trabalho a Casagrande que o Majeski"
Nesta nova “ordem política” inaugurada com a posse de Bolsonaro, já especula-se que Carlos Manato possa emergir como líder de um novo polo de oposição ao governo de Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo, até visando a futuras eleições. Afinal, em 2018, ele foi derrotado pelo pessebista, mas por pouco não chegou ao 2º turno. Além disso, o partido de Casagrande fará oposição a Bolsonaro no Congresso. Em comum, PSB e PSL só têm o P e o S no nome. Manato, porém, rechaça essa especulação. Diz que não só os “meninos” da bancada do PSL na Assembleia vão colaborar com o governo Casagrande como ele mesmo, pessoalmente, já está fazendo isso em Brasília.
Como será a sua relação com o governo Casagrande nos próximos anos?
Conversei com os deputados do PSL e pedi uma coisa só: união para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia. Os quatro deputados vão votar em bloco no dia 1º de fevereiro. E, a partir do dia 2, ali se ocupam os espaços político-partidários, e eles vão ter total liberdade para atuarem da forma que acharem conveniente. Não vamos botá-los na oposição. A relação vai ser normal, tranquila. A bancada vai atuar normalmente, levar recursos para o interior... Vamos dar governabilidade.
Vão apoiar os projetos de Casagrande?
Se tiver alguma coisa que a gente não concorde, a gente vai bater firme. Somos Escola sem Partido. Se tiver alguma coisa contra isso, vamos bater firme. Somos redução da maioridade penal. Se tiver alguma coisa contra isso, vamos bater firme. Os meninos têm bandeiras da PMES. Se o governo apresentar alguma coisa que seja ruim para a PMES, é claro que vamos bater firme. Mas apenas em coisas pontuais. Não aquela oposição burra, sistemática, idiota. Acho que a bancada do PSL vai dar menos trabalho para Casagrande do que Sergio Majeski.
Mas e quanto ao senhor, pessoalmente? Fará oposição ao governo Casagrande?
Vou te falar do primeiro ganho que não vão botar na minha conta, mas o crédito é meu: a garantia da ferrovia no litoral sul capixaba. Fui eu que articulei isso junto à equipe de Bolsonaro. Vou fazer o possível para colaborar.