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Vitor Vogas

Marcelo Santos pede perdão publicamente a Audifax

Deputado apoiou ascensão de Rodrigo Caldeira, presidente da Câmara que virou inimigo nº 1 do prefeito. Irmão de Caldeira chegou a ser assessor de gabinete de Marcelo. Agora, o parlamentar se diz arrependido

Publicado em 06 de Abril de 2019 às 00:55

Públicado em 

06 abr 2019 às 00:55
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Praça Oito - 06/04/2019 Crédito: Amarildo
Em meio ao pior conflito político no município da Serra em muitos anos, um personagem inusitado, forasteiro na cidade, protagonizou uma cena inesperada na noite da última quinta-feira: o deputado estadual Marcelo Santos (PDT) pediu perdão em público ao prefeito Audifax Barcelos. O pedido de desculpas foi feito no palanque montado no Centro Comunitário de Laranjeiras, durante uma prestação de contas promovida por Audifax, como parte da estratégia de reação contra a Câmara Municipal.
Nas últimas semanas, o prefeito está em pé de guerra com o presidente da Câmara, Rodrigo Caldeira (ambos da Rede). A crise se agravou no decorrer desta semana, com as declarações dadas por Audifax em entrevista coletiva, acusando Caldeira de tentativa de golpe para tirá-lo do cargo e de envolvimento direto com o crime organizado – acusações rebatidas pelo presidente da Casa.
No evento em Laranjeiras, diante de uma plateia de apoiadores de Audifax, Marcelo foi chamado a discursar. E surpreendeu com as seguintes palavras: “Errar é humano. Permanecer no erro é burrice e, às vezes, covardia. E eu quero lhe pedir desculpas publicamente por ter errado com você. E não ter apostado naquilo que você apontou, que era o caminho mais correto para a Serra. Eu conheço a todos e respeito a todos. Respeito o presidente da Câmara. Mas é preciso que ele respeite a cidade e as vontades que ela tem. E é isso que estou fazendo hoje, Audifax”.
A que Marcelo se refere? Pois é. O deputado não o disse textualmente, mas, no entorno de Audifax, é corrente desde o início do ano passado o comentário de que o deputado teria usado sua influência junto à Justiça estadual para ajudar a derrubar a ex-presidente da Câmara, Neidia Pimentel (PSD), então aliada de Audifax e afastada do cargo pela Justiça desde março de 2018. Consequentemente, alegam audifistas, Marcelo teria contribuído para a ascensão de Caldeira à presidência da Casa, no lugar de Neidia.
Por quê?
Porque Marcelo e Caldeira eram aliados políticos. Evidência da proximidade de ambos é que um irmão do presidente da Câmara, de nome Rogers Caldeira, foi assessor de gabinete de Marcelo na Assembleia, de março de 2016 a dezembro de 2017. “Eu já estive no lado oposto ao Audifax, num passado não tão distante.”
Contudo, a julgar pelo discurso de Marcelo na última quinta, a parceria com Caldeira ficou no passado. Suas palavras, ditas de público, foram de arrependimento. E também contiveram uma crítica veemente a Caldeira, corroborando a tese de golpe lançada por Audifax. Disse Marcelo, dirigindo-se ao prefeito: “Você está aqui fazendo sua prestação de contas, diferente de outros tantos que escusamente estão querendo assumir, no tapetão, aquilo que você ganhou democraticamente no voto”.
Marcelo também associou Caldeira a “retrocesso” – referendando assim, também, acusações de Audifax contra o presidente da Câmara. “A sociedade da Serra não aceita mais a volta ao passado.”
Em conversa ontem com a coluna, Marcelo reiterou seu pedido de desculpas a Audifax. Confirmou que o irmão de Caldeira foi seu assessor. Não confirmou, porém, ter apoiado Caldeira na disputa pela presidência da Câmara da Serra. Mas admitiu que chegou a pedir a Audifax “uma atenção devida a esse rapaz”. Algo de que diz se arrepender.
"Quando ele se colocou à disposição para disputar a presidência da Câmara, eu num dado momento encontrei Audifax e disse: ‘Dê uma atenção devida a esse rapaz, porque ele pode ser o presidente da Câmara e fazer uma boa parceria, respeitando a independência do Legislativo’. O que estou vendo que não está acontecendo. Me arrependo de ter feito esse registro para Audifax. Foi extemporâneo e desnecessário. Até torci para que ele [Caldeira] ganhasse. Mas não concordo com seu modus operandi hoje.”
Cariacica quer ser Serra
Marcelo Santos também encheu a bola de Audifax em seu pronunciamento na quinta-feira: “Sou morador do município vizinho, de Cariacica. E o sonho do morador de Cariacica é que nossa cidade um dia possa se igualar à cidade de Serra. Parabéns, Audifax!”, cumprimentou Marcelo, enquanto cabos do prefeito puxavam gritos de “Audifax governador”.
Perdeu o respeito
Marcelo ainda insinuou que o atual presidente da Câmara da Serra viria desrespeitando o prefeito: “Nenhuma relação entre Câmara e prefeitura pode ser harmônica, mesmo independente, se não existir o respeito”.
Possível explicação
Em março, Audifax iniciou aproximação política ostensiva com o grupo político representado pelo deputado federal Amaro Neto (PRB) e pelo presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB). Marcelo faz parte desse mesmo grupo. Na quinta, ele disse que Erick “apoia integralmente a gestão de Audifax”.
Dupla sem holofotes
Na concorrida solenidade de assinatura do acordo do governo estadual com a Petrobras, ontem, Marcelo e Erick saíram do Palácio Anchieta irritados com o governador. O motivo: nenhum deputado foi convidado a discursar.
A vingança de Lauriete
A deputada federal Lauriete só permanecerá no PR se o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, substituir seu ex, Magno Malta, por ela no cargo de presidente estadual do PR. Lauriete já pediu a cabeça de Magno a Valdemar. Se não rolar, ela sai. Tem convite de partidos como o MDB.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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