Os dois se conhecem muito bem. Conhecem os respectivos pontos fracos e sabem como derrotar um ao outro. Coexistem politicamente em Vila Velha há pelo menos 20 anos. Lá no comecinho, eram aliados. Há muito tempo, são adversários. Já se enfrentaram nas urnas duas vezes, com vitória (parcial) para um em 2012 e triunfo do outro em 2016, quando travaram um duelo antológico no 2º turno. Será que, nesta eleição, teremos uma reedição do 2º turno do clássico canela-verde “Max Filho versus Neucimar Fraga”?
Ainda não é possível saber, mas, como já analisamos aqui, o que se pode sim dizer é que Max é o adversário perfeito para Neucimar no 2º turno, enquanto o ex-prefeito é o oponente ideal para o atual ocupante do cargo. Não só pelo fato de eles se conhecerem tão bem, mas com base nos números eloquentes da primeira pesquisa Ibope/Rede Gazeta em Vila Velha, de 15 de outubro:
Na intenção estimulada de voto, Max e Neucimar empataram tecnicamente na liderança (com 26% e 24%, respectivamente). Mas têm, de longe, os maiores índices de rejeição (44% e 36%, respectivamente). Em outras palavras, Max e Neucimar são os candidatos com maior probabilidade de passar ao 2º turno, mas, uma vez lá, são os que enfrentam a maior quantidade de eleitores predispostos a não votar neles de jeito nenhum.
Partindo dessa premissa, fomos ouvir os dois candidatos sobre a possibilidade de voltarem a se enfrentar no 2º turno em Vila Velha. Ambos refutam enfaticamente a tese de que é melhor enfrentar o outro. Tanto Max como Neucimar dizem não escolher adversário e não ter preferência por enfrentar determinado concorrente no 2º turno (caso cheguem lá).
“Não posso escolher concorrente para o 2º turno. Indo para o 2º turno, estou preparado para fazer o debate com qualquer candidato”, afirma Neucimar, que dá, contudo, uma espetada no histórico oponente, quando lhe perguntamos se os 44% de rejeição a Max são um impeditivo para a reeleição do atual prefeito: “Não só os 44% de rejeição como os 58% de reprovação do governo dele. Acho que isso dificulta a reeleição dele”.
Por outro lado, adotando um discurso “sandália da humildade”, Neucimar mostra respeito (não temor) pelo adversário que o derrotou há quatro anos. Num eventual 2º turno com a participação do prefeito, ele não opina que Max esteja totalmente inviabilizado:
“O 2º turno depende da capacidade de articulação de cada candidato e das forças que vão se agregar. Quem está na disputa está no páreo, até o último minuto. Vou respeitar os meus adversários porque sei que, em eleição, cada dia é uma novidade. Não existe adversário fácil de ser batido. Eu espero estar no 2º turno e fazer um bom debate para convencer o eleitor vila-velhense de que nossa proposta é a melhor para a cidade.”
MAX: “NEM ANDAR PRA TRÁS, NEM SE LANÇAR NUMA AVENTURA”
Num eventual 2º turno com a presença de Max, este também diz não ter a menor preferência por enfrentar Neucimar ou o vereador Arnaldinho Borgo (Podemos), que apareceu em 3º lugar na primeira pesquisa Ibope/Rede Gazeta (com 14% na estimulada), ou qualquer outro adversário. Mas o atual prefeito também deixa uma alfinetada de leve não só no ex-prefeito como também no vereador de oposição:
“Não temos preferência alguma, absolutamente. Nós vamos defender o nosso legado, o nosso trabalho e a ideia de que Vila Velha não pode parar, nem andar para trás nem se lançar numa aventura. A população tem entendido essa mensagem. E a campanha tem crescido nas ruas, por onde nós passamos.”
Max considera que é mais que possível reduzir o seu índice de rejeição inicial, de 44%, até o fim do 1º turno.
“Com certeza. Isso é reflexo do momento inicial da campanha, quando há um grande desconhecimento das ações de governo. E estou sentindo isso nas ruas. Com o crescimento da campanha, gente que estava nesse percentual de rejeição já passa a se perfilar no percentual de intenção de votos. Neucimar tem 36% também. Tivemos um empate técnico na rejeição, nessa primeira pesquisa do Ibope. E esse índice inicial é natural para quem já tenha administrado Vila Velha, tanto no meu caso como no do Neucimar. Quem está na cabeceira está pagando a conta.”
O prefeito faz um raciocínio pragmático: “No dia da eleição, não conta quantas rejeições tem o candidato, quanta rejeição caiu na urna… Conta só a quantidade de votos válidos. Por isso, o importante é que estamos na liderança tanto na intenção espontânea como na menção estimulada. E estamos confiantes de que vamos ganhar a eleição. No 1º ou no 2º turno, a gente acredita na vitória”.
Max Filho nos atendeu e nos deu essas declarações antes de se afastar da campanha por ter contraído o novo coronavírus, conforme anunciado por sua assessoria de imprensa na última quarta-feira (28).
NEUCIMAR SOBRE ARNALDINHO
Perguntamos a Neucimar se ele enxerga Arnaldinho Borgo como uma ameaça eleitoral, um candidato capaz de ultrapassar a ele e a Max. O ex-prefeito tira o peso do adversário, relativizando o resultado do vereador no primeiro levantamento do Ibope em Vila Velha.
“A pesquisa Ibope me mostra dez pontos à frente do Arnaldinho e me coloca tecnicamente empatado com o Max, no mesmo patamar. A primeira pesquisa é só um ponto de partida. Só a próxima pesquisa do mesmo instituto é que vai nos dar informações para podermos fazer uma avaliação melhor”, afirma Neucimar.
A margem de erro da pesquisa Ibope/Rede Gazeta é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos. Neucimar está com 24% das intenções de voto na estimulada. Arnaldinho, com 14%. No cenário mais positivo para Arnaldinho, no limite da margem de erro, os dois podem estar empatados no meio do caminho, com 19%. Foi o que frisamos aqui, no dia 16 de outubro.
Em contrapartida, pondera Neucimar, se essa mesma margem de erro for aplicada a favor dele, o ex-prefeito pode estar, no limite, com até 29% das intenções de voto, contra 9% do vereador (20 pontos à frente de Arnaldinho, portanto).
NEUCIMAR SOBRE VIDIGAL
Já na primeira pesquisa Ibope/Rede Gazeta relativa à Serra, publicada no último dia 19, o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) veio com uma vantagem muito ampla sobre todos os adversários, prenunciando uma possível vitória até em 1º turno. Neucimar é o 1º suplente de Vidigal na Câmara dos Deputados. Se ele perder em Vila Velha, mas Vidigal ganhar na Serra, ele volta para Brasília.
Isso por acaso dá certa tranquilidade ao ex-prefeito de Vila Velha ou ele não está olhando para essa questão? Neucimar responde que agora nem sequer possui o direito de pensar nisso:
“Não, não. Desde o momento em que decidi ser candidato, assumi um projeto. E esse projeto não é mais só de Neucimar. É um projeto de quatro ex-candidatos a prefeito: eu, Hércules, Chiabai e Favatto, que decidiram renunciar à candidatura e me apoiar. Então eu não tenho o direito de pensar mais só em mim. Eu tenho que pensar na cidade. Por amor a Vila Velha, se eu for prefeito, vou ficar os quatro anos no governo. E, mesmo sonhando em voltar ao Parlamento, vou ter que adiar essa volta.”