Adversários na eleição a prefeito de Vitória, os deputados estaduais Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Fabrício Gandini (Cidadania) subiram ainda mais o tom na guerra de nervos e de indiretas que vêm travando desde o início da campanha, como já registramos aqui. Agora, cada um está acusando o outro de mentir para o eleitor a respeito da possibilidade de abertura de um concurso para a Guarda Municipal de Vitória já em 2021.
Em uma de suas primeiras aparições no horário eleitoral gratuito, ao tratar do tema da segurança pública, Gandini, o candidato da situação, encerrou o programa assumindo um compromisso de campanha “com toda a população de Vitória”: “No meu primeiro dia como prefeito, vou abrir concurso público para novos agentes da Guarda Municipal”.
Pazolini reagiu a essa promessa de campanha do oponente. Em uma inserção de 30 segundos, veiculada nos intervalos comerciais da TV e compartilhada por apoiadores através do Whatsapp, a campanha do delegado afirma que o adversário falta com a verdade e sugere que a proposta é irreal, pois se choca com uma lei que, segundo ele, impede municípios de realizarem concursos públicos que criem vagas até o fim de 2021, por causa da pandemia do novo coronavírus.
Gandini só não é citado pelo nome, mas há menção direta ao “candidato do prefeito”, no texto enunciado por um locutor:
“Candidato do prefeito prometendo concurso público para a Guarda no primeiro dia de mandato? Mentira? Despreparo? Ou os dois? É lei: municípios afetados pela calamidade pública do Covid estão proibidos até 31 de dezembro de 2021 de realizar concursos públicos para novas vagas.”
Ao fim, o locutor convida: “Vem com a verdade. Vem com Pazolini”. E acrescenta que, na página oficial da campanha, o público pode encontrar “propostas reais e possíveis”. A referência do vídeo é à Lei Complementar 173/2020 – a lei federal sancionada pelo presidente Bolsonaro no fim de maio, a qual estabeleceu o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus (ajuda financeira aos Estados e municípios).
O CONTRAGOLPE DE GANDINI
A campanha de Gandini não deixou por menos. Reagiu à reação de Pazolini, subindo ainda mais o tom na contra-ofensiva digital. Em um vídeo também de 30 segundos publicado no Instagram e no Facebook, a campanha de Gandini insinua que Pazolini “mente até quando acusa o outro de mentir”.
Para evitar direito de resposta, o candidato apoiado pelo prefeito Luciano Rezende (Cidadania) também não cita o rival nominalmente, mas nem precisa: a mensagem é totalmente endereçada a Pazolini, e até as cores e a logomarca da campanha do delegado são parodiadas.
O material de campanha de Pazolini é todo produzido em duas cores: azul e amarela. A tela e os encartes são sempre divididos ao meio: do lado esquerdo, no sentido da leitura, a cor é sempre azul; do lado direito, é amarela. No lado esquerdo, sobre fundo azul, lê-se a palavra “paz” (três primeiras letras de Pazolini), em um jogo de palavras com o sobrenome do candidato; no lado esquerdo, sobre fundo amarelo, lê-se “igualdade”. No logotipo, a letra z de Pazolini também vem em azul e amarelo.
Usando o mesmo recurso (e uma fonte de letra parecida), a campanha de Gandini dividiu, em duas cores, as palavras “despreparo”, “desespero” e “descontrole”. Em amarelo, as primeiras letras (“des”) são destacadas e, subliminarmente, remetem ao número de urna de Pazolini: dez.
Em off, diz o locutor: “Despreparo. Desespero. Descontrole. Candidato que não tem proposta mente até quando acusa o outro de mentir e mostra despreparo”. Até aí, tudo em azul e amarelo, em alusão a Pazolini. De repente, as cores dão lugar ao verde (a cor da campanha de Gandini), e o locutor continua:
“Gandini vai abrir concurso para a Guarda Municipal no primeiro dia de trabalho como prefeito. A lei permite a recomposição do quadro e também permite a criação de um cadastro reserva. Mas isso só sabe quem está preparado para ser prefeito e gosta da cidade”.
Para completar, a tela reassume as cores de Pazolini, e o locutor conclui: “Não é o caso do despreparado”.
Em breve, a “réplica” de Gandini passará das redes sociais para a TV. O vídeo de 30 segundos começará a ser exibido como inserção nos intervalos da programação.
Em suma, Pazolini acusou Gandini de despreparo e de espalhar propostas mentirosas e irreais. Gandini rebateu chamando o primeiro de mentiroso, despreparado e desesperado. Estão a se cutucar, sem se citar.
PARA QUEM ESTÁ CHEGANDO AGORA
Pazolini bate em Gandini/Luciano. Nylton também. Assumção bate na "esquerda". Mazinho bate em todo mundo. Coser bate na tecla de que foi um grande prefeito. Neuzinha, Sérgio Sá e Halpher Luiggi batem no peito para dizerem que podem chegar lá.