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Eleições 2020

Partido de Magno Malta tem candidato próprio a prefeito de Vitória

Com apoio de Magno, o engenheiro civil Halpher Luiggi é a grande aposta do Partido Liberal para liderar uma chapa majoritária na disputa municipal. Se ele não for cabeça de chapa, pode ser vice do deputado estadual Lorenzo Pazolini

Publicado em 23 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

23 jun 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Halpher Luiggi e Magno Malta
Halpher Luiggi e Magno Malta Crédito: Halpher Luiggi/Agência Senado
O Partido Liberal (PL), sigla comandada no Estado pelo ex-senador Magno Malta, decidiu entrar de verdade na eleição a prefeito de Vitória, preparando um candidato próprio à sucessão de Luciano Rezende. Com apoio de Magno, o engenheiro civil Halpher Luiggi é a grande aposta do partido para liderar uma chapa majoritária na disputa municipal. O presidente do PL em Vitória, Charles Jean, confirma: a prioridade do partido, hoje, é lançar Halpher como candidato a prefeito. “Hoje, eu diria a você que o PL sai com candidatura própria em Vitória. Hoje o Halpher é o nosso candidato.”
Se eles não conseguirem viabilizar a candidatura própria, o plano B é fazer uma composição e emplacar o afilhado político de Magno como candidato a vice-prefeito em outra chapa, a ser encabeçada por um aliado pertencente a outra sigla. Nesse caso, a possibilidade mais forte é a de uma dobradinha com o deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), que, segundo Charles Jean, mantém proximidade política com Magno e pode vir a absorver Halpher como vice na chapa dele à prefeitura.
Segundo o dirigente municipal, esse seria o segundo caminho natural do PL, já que Magno tem “fidelidade ao partido e também a Pazolini”, definido por Charles Jean como “parceiro” do ex-senador. “Existe um bom relacionamento. O deputado Pazolini é uma pessoa do nosso convívio particular, de amizade.”
Magno não tem falado quase nada publicamente sobre o próximo processo eleitoral, mas, à reportagem de A Gazeta, já afirmou o seguinte: “Nas maiores cidades, seremos cabeça ou pescoço. Onde o PL não for cabeça, será pescoço”. Em Vitória, “ser cabeça” significa lançar Halpher à prefeitura; ser “pescoço”, emplacá-lo, como vice, na chapa de Pazolini.
Sem cargo, sem mandato e sem espaço político, Magno Malta entrou em um período difícil, em viés de baixa política, desde que perdeu a reeleição para o Senado em outubro de 2018. Mas, com experiência, conexões e o PL na mão no Estado, está longe de estar morto politicamente. E tem nas próximas eleições municipais uma chance única para começar a recuperar o terreno perdido. Para isso, precisa fazer as apostas certas e acomodar o PL em chapas vencedoras.
Na Serra, o PL (ex-PR: Partido Republicano) já lançou a pré-candidatura do deputado estadual Alexandre Xambinho (ex-Rede) a prefeito. Porém, filiado ao partido no início de abril, Xambinho tem pouquíssima ligação política com Magno. Com Halpher Luiggi, a história é diferente. Embora o engenheiro de carreira da ANTT também só tenha se filiado ao PL no começo de abril, ele e o ex-senador mantêm estreita relação há muitos anos.
Para dar um exemplo, sem prejuízo de seus méritos e qualidades técnicas, Halpher contou com uma decisiva indicação de Magno para chegar ao cargo de superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Espírito Santo, em abril de 2011. O órgão era vinculado ao então Ministério dos Transportes, que, à época (primeiro governo Dilma), pertencia à “cota” do partido de Magno na Esplanada. O cargo de superintendente, de livre nomeação, era designado diretamente pelo ministro (à época, Alfredo Nascimento, do então PR). No Espírito Santo, a “cota” era de Magno.
À parte o apadrinhamento, Halpher é reconhecido no meio político capixaba como um quadro eminentemente técnico (ativo em que o PL também aposta para se fortalecer nas negociações de chapas). Nascido em Colatina e criado no Centro de Vitória, onde mora até hoje, o agora pré-candidato formou-se em Engenharia Civil pela Ufes. Tem 25 anos de serviço público, especialmente como servidor federal de carreira, com passagens por alguns dos principais órgãos de engenharia da administração pública na esfera federal e na estadual, na área de infraestrutura, como o DER-ES e a ANTT, além do já mencionado Dnit.
Charles Jean explica por que o partido está apostando em Halpher. E a explicação passa por esse currículo: “É uma pessoa que já provou capacidade, tanto no Dnit como no DER-ES. Pela experiência administrativa dele, pela experiência dele como gestor, principalmente nessa questão de trânsito e estradas, que consideramos hoje o maior problema de Vitória. E também por ele ser morador do Centro de Vitória. Então, hoje estamos dispostos a ir com um puro-sangue na eleição. É uma pessoa nova na política, não tem desgaste político. Isso é um desejo do partido, e é um desejo do meu coração. E acredito que vamos concretizar isso”, assinala o presidente municipal do PL.
Perguntamos a ele, então, se esse também é “o desejo do coração” de Magno Malta, presidente estadual do PL. A resposta indica que o coração do ex-senador está dividido: eleitoralmente, bate tanto por Halpher Luiggi como por Lorenzo Pazolini.
“O Magno é muito fiel ao partido dele e ao Pazolini também”, afirma Charles Jean. “Então ele deixa isso a critério do partido. Ele deixou isso a critério do Diretório de Vitória. O Halpher hoje está comigo, administrando o partido. É meu amigo pessoal. Já trabalhei com ele, como assessor [comissionado], tanto no Dnit como no DER-ES. O senador apoia a ideia de o Halpher ser candidato a prefeito da Capital, como também apoia uma composição com Pazolini. Se não conseguirmos ir com o Halpher, qual é o outro caminho? Qual é o mais próximo? Por também ser parceiro do nosso presidente e ex-senador, seria realmente o Pazolini.”

O QUE DIZ HALPHER LUIGGI

Halpher Luiggi, 45 anos, nunca disputou nenhuma eleição nem jamais havia se filiado a partido algum. Ele conta que, no fim de março, atendendo a um convite do PL, topou filiar-se à legenda, “não para poder ser candidato a algo, mas para poder ajudar na construção de um projeto para a cidade de Vitória". "E tenho trabalhado nesse sentido.”
O agora pré-candidato enfatiza: o PL tem projeto para a Capital, e esse projeto passa pela eleição municipal deste ano.
“Não que o projeto seja meu. Ajudo a construí-lo, mas ele não precisa ser meu. O importante é que a cidade tenha um projeto. E o que posso te dizer é que o PL tem projeto para a cidade. O partido efetivamente está construindo um projeto para participar da eleição majoritária em Vitória. Devido a uma orientação nacional, o PL vai participar da eleição majoritária em Vitória, ou com candidato próprio a prefeito ou participando de uma chapa, com o vice-prefeito. Estou filiado e tenho possibilidade, sim, de ser candidato.”

O CURRÍCULO DO PRÉ-CANDIDATO

Halpher Luiggi já foi funcionário concursado do DER-ES, do Dnit e, desde 2009, é concursado da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). De 2011 a 2014, comandou o Dnit no Espírito Santo. De janeiro de 2015 a agosto de 2016, foi diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER-ES), durante o governo passado de Paulo Hartung.
Em agosto de 2016 (governo Temer), assumiu o cargo de diretor executivo nacional do Dnit. Com o fim do mandato de Temer, voltou à ANTT, onde hoje em dia atua como assessor, participando, por exemplo, da fiscalização e da regulação do contrato da concessão da BR 101 para a empresa Eco101, enquanto colabora com a Superintendência de Infraestrutura Rodoviária da agência, em Brasília.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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