O ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e o deputado estadual Hércules Silveira (MDB) anunciaram, na semana passada, que unirão forças contra o prefeito Max Filho (PSDB) na eleição pela Prefeitura de Vila Velha. Os dois decidiram o 2º turno da eleição local em 2008. Numa disputa muito acirrada, Neucimar derrotou o emedebista com 52,43% dos votos válidos. Agora, à primeira vista, a parceria parece inusitada, mas faz total sentido do ponto de vista estratégico, sob uma lógica de "complementariedade geográfica".
Primeiro porque, com a máquina na mão, Max será em tese um candidato difícil de bater. Separados, Neucimar e Hércules dividiriam votos e beneficiariam Max, que diria “muito obrigado”. Juntos, eles incrementam suas chances de enfrentar e quiçá derrotar o candidato da máquina.
Além disso, a estratégia obedece a uma lógica “sociodemográfica”, se considerarmos o perfil do eleitorado de cada um. Como provou a já citada eleição de 2008, o de Hércules é muito mais concentrado na região 1 da cidade (a mais rica: Praia da Costa, Itapoã, Centro etc.), enquanto Neucimar tem mais votos nas classes e regiões de renda mais baixa (D e E).
Na disputa municipal de 2016, na qual foi derrotado por Max em 2º turno, Neucimar obteve seus melhores desempenhos em bairros da região 5 (a mais pobre de todas, popularmente conhecida como Grande Terra Vermelha).
Assim, com essa dobradinha, Neucimar e Hércules de certo modo "se complementam": cada um calça sua mão com a luva do outro.