Da série “cenas consideradas impossíveis até março deste ano”: em Guarapari, o Partido Social Liberal (PSL), ex-legenda do presidente Bolsonaro, fechou aliança com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), sigla do governador Renato Casagrande. Com a oficialização da parceria, o PSL apoiará o candidato do PSB à Prefeitura de Guarapari, Gedson Merízio, ex-vereador da cidade e subsecretário estadual de Turismo até abril passado.
A aliança, agora confirmada, havia sido antecipada na coluna da última terça-feira (14) pelo presidente estadual do PSL, o deputado estadual Alexandre Quintino, que assumiu o comando do partido no Espírito Santo em março. Desde então, sob a condução de Quintino, o PSL deu uma guinada em direção ao campo de influência do governador Renato Casagrande.
Pelas mãos do deputado, além de Guarapari, o PSL deve apoiar candidatos a prefeito de outras cidades capixabas importantes também filiados ao PSB ou a outras siglas aliadas do governo Casagrande. Em Vitória, marchará com o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania). Em Cachoeiro, tem conversa adiantada com o prefeito Victor Coelho (PSB), que tentará a reeleição.
Simplificadamente, o PSB é um partido de esquerda, enquanto o PSL é de direita. Segundo o próprio Quintino, sob a sua condução, o PSL segue sendo de direita, é um partido “conservador moderado” e “independente do Palácio Anchieta”.
Em Guarapari, o PSL buscará emplacar o candidato a vice-prefeito na chapa de Gedson Merízio. Partidos como PP, PDT, Podemos e Cidadania podem se juntar à coligação. Todos também são moradores da arca de Casagrande no governo estadual.
O CANDIDATO DO GOVERNO EM BAIXO GUANDU
Falando em eleições e PSB, com a oficialização do deputado estadual Dary Pagung (PSB), de Baixo Guandu, no posto de líder do governo na Assembleia Legislativa, ele logicamente não será candidato a prefeito da cidade da região Noroeste do Estado. Assim, o pré-candidato de Dary, do partido e do governo no município passa a ser o vereador Aguinaldo, também filiado à agremiação do governador.
DAVI ESMAEL E MAZINHO: A DUPLA "DAVIZINHO"
Parceiros agora no PSD e na oposição à administração de Luciano Rezende (Cidadania), os vereadores Mazinho dos Anjos e Davi Esmael estão formando uma dupla interessante e um encaixe estratégico do ponto de vista eleitoral. Pré-candidato a prefeito de Vitória, Mazinho tem estreitado seus contatos com o segmento evangélico da cidade, com o qual não tem tanta intimidade (ele é católico).
Para isso, tem contado com a ajuda e a mediação de Davi, além de outros dois políticos evangélicos, também filiados ao PSD: o ex-deputado estadual Esmael Almeida (pai de Davi) e o ex-deputado federal Jurandy Loureiro, que trocou o Podemos pelo PSD há pouco tempo. Os três têm feito a ponte de Mazinho com pastores.
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DIREITA NA ECONOMIA E NOS COSTUMES
Mazinho pode ser considerado um jovem vereador de direita, porém mais pelo flanco econômico. Na Câmara, concentrou sua atuação na defesa de pautas liberais, como empreendedorismo e desburocratização. Por outro lado, na atual legislatura, é um dos poucos vereadores de Vitória que não é evangélico e cuja atuação não é fortemente pautada pela religião. Já Davi é muito conservador em pautas comportamentais. Ou seja, a união de Mazinho e Davi é o casamento da direita na economia com a direita nos costumes.
MAX DA MATA COM COVID-19
O vereador Max da Mata (Avante) informa que está com Covid-19. Melhoras para ele.
GAME OF TRAMAS (FOREVER)
Por falar na Câmara de Vitória, a guerra jurídica e política mantida entre o presidente da Casa, Clebinho (DEM), e o vereador Vinícius Simões (Cidadania), teve novo capítulo nesta semana. Um capítulo excelente para o primeiro.
RESUMO DOS EPISÓDIOS ANTERIORES
No início de março, Simões entrou com representação contra Clebinho na Corregedoria da Câmara, pedindo que ele fosse afastado da presidência, por incapacidade administrativa. Inicialmente, o próprio Clebinho considerou a representação inadmissível e determinou de ofício o seu arquivamento, por ato da presidência, em vez de enviá-la para análise da Corregedoria. Vinícius, então, ingressou com mandado de segurança na Justiça, que deu liminar favorável a seu pedido, anulando o arquivamento e determinando ao presidente da Câmara que enviasse a representação para a Corregedoria. Assim foi feito.
DECISÃO FAVORÁVEL A CLEBINHO
Porém, em uma reviravolta judicial, a juíza Sayonara Bittencourt, da 4ª Vara da Fazenda Pública Estadual, acolheu pedido de reconsideração formulado por Clebinho e, na última quinta-feira (16), decidiu revogar a decisão anterior que havia concedido a liminar para Vinícius. Ou seja, derrubou a liminar. Voltou tudo como antes.
VITÓRIA DUPLA DO PRESIDENTE
Clebinho comemorou a decisão, mas esta, na verdade, nem seria mais necessária para ele. Na última segunda-feira (13), o processo de Vinícius contra Clebinho foi arquivado na Corregedoria da Câmara. Por 3 votos a 2, os membros do órgão disciplinar da Casa rejeitaram o parecer do relator, Luiz Emanuel (Cidadania), pela abertura do processo.
CONCLUSÃO
Clebinho teve nesta semana uma vitória dupla, nas esferas política e jurídica. E, embora muito boa para ele, a revogação da liminar na Justiça não tem mais efeito prático algum, visto que o processo contra ele já foi enterrado na Corregedoria.
MARCO TEMPORAL: PANDEMIA E ELEIÇÕES
Nesta quinta-feira (16) chegamos rigorosamente à “metade do percurso” entre a chegada oficial da pandemia do novo coronavírus no Espírito Santo e a próxima eleição municipal. No dia 16 de março, o governador Renato Casagrande decretou estado de emergência em saúde pública no Estado. O 1º turno ocorrerá em 15 de novembro. Entre as duas datas, há um intervalo de 244 dias. Nesta sexta, completaram-se 122. Até o 1º turno, são mais 122.
Resultado prático disso: os dois temas, que já estão se misturando muito nos discursos e atitudes dos pré-candidatos, devem se entrelaçar ainda mais daqui para a frente.