O vereador Roberto Martins, eleito em 2016 pelo PTB, vai assinar ficha de filiação à Rede Sustentabilidade no próximo dia 14. Nesse dia, ele também lançará a pré-candidatura a prefeito de Vitória pelo novo partido.
O ato de filiação será realizado no Centro Cultural A Oca, no Centro de Vitória, das 18h às 22h. Tem a presença confirmada do porta-voz estadual da Rede, André Toscano, e dos dois políticos mais importantes da sigla hoje no Espírito Santo: o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, e o senador Fabiano Contarato.
Na ocasião, Martins lançará as bases da sua candidatura: “Principalmente, a retomada da valorização da educação no município e também a luta pela sustentabilidade ambiental, ética, econômica e política. Essa última, para nós, passa por tentar encaminhar uma democracia mais participativa na cidade. Esses são os pilares fundamentais da nossa futura plataforma de governo”.
O vereador confirma, entretanto, algo que já havia anunciado: ele está pronto para declinar da candidatura na mesma hora em favor de Sergio Majeski, se o deputado estadual se filiar ao partido para ser candidato a prefeito.
Filiado ao PSB, Majeski tem convite para entrar na Rede, onde terá legenda garantida para concorrer à prefeitura. No momento, o deputado busca viabilizar candidatura dentro do PSB, mas a direção do partido não lhe dá nenhuma garantia de que ele poderá ser candidato. Ao contrário, no dia 17 de fevereiro, em decisão tomada em prévia do PSB de Vitória – mas não reconhecida por Majeski –, os participantes escolheram o vice-prefeito de Vitória, Sérgio Sá, em detrimento de Majeski, como pré-candidato a prefeito do partido na Capital.
PSB LIBERA. MAJESKI DESCONFIA
Por outro lado, se Majeski trocar o PSB pela Rede (ou por qualquer outro partido), ele corre o risco de perder o mandato atual na Assembleia Legislativa. Fontes da cúpula do PSB afiançam que o compromisso do governador Renato Casagrande, principal líder do PSB no Espírito Santo, é o de que o partido não pedirá o mandato de Majeski à Justiça Eleitoral, caso o deputado decida sair.
Majeski está desconfiado, porém. Tanto que, na prévia do PSB de Vitória em 17 de fevereiro, encerrou o seu discurso com a seguinte citação, extraída do romance “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa: “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”
Por conta disso, Roberto Martins acredita que, hoje, a tendência é a de não filiação de Majeski à Rede.
"Está mantido, sim, meu compromisso de ceder o lugar ao Sergio Majeski se ele vier para a Rede. Mas a gente tem observado que está cada vez mais difícil a configuração da candidatura dele."
“A questão é que ele teme perder o mandato de deputado em caso de desfiliação partidária. Pela Rede, se ele vier, está tranquilo: será o candidato. Mas, pela conjuntura, acho que a tendência é que ele não venha. É o que eu acho, mas não é o que eu desejo. Infelizmente o deputado vem sendo muito perseguido por vários atores ligados ao Judiciário e ao Ministério Público. E essa conjuntura me leva a crer que o temor dele é fundado”, completa Martins.
Segundo o vereador, a Rede hoje conversa em Vitória, sobre possíveis alianças, com PP, PROS, PSOL E PCdoB.
Antes de se eleger vereador de Vitória em 2016 pelo PTB, Martins chegou a pertencer ao PSOL e à própria Rede.