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Vitor Vogas

Tayana Dantas, filha do dono da UVV, pode ser candidata a prefeita de Vila Velha

Fundadora do movimento Vila Nova, ela coordena projeto que visa identificar os principais problemas da cidade e propor soluções para eles, reunidas em plano de governo para os próximos anos

Publicado em 22 de Junho de 2019 às 22:11

Públicado em 

22 jun 2019 às 22:11
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Praça Oito - 23/06/2019 Crédito: Amarildo
“Presta atenção naquela menina, hein!”; “Abre o olho, aquela menina vai ser candidata!”; “A filha do dono da UVV pode surpreender em 2020...”
“Aquela menina” é Tayana Dantas. De fato, ela é a filha mais velha do proprietário da UVV. E, de fato, seu nome começa a circular no mercado político de Vila Velha como potencial candidata a prefeita da cidade em 2020.
De tanto ouvir isso, fomos conversar com Tayana. Em termos biológicos, não é propriamente uma menina, mas uma jovem adulta, com 30 anos de idade. Em termos de vivências, já é uma veterana. Em termos políticos, é uma virgem: jamais disputou eleições. Nada, porém, que a impeça de debutar em 2020. Ela mesma admite que pode ser candidata. Mas chegaremos lá.
Por ora, o importante é saber que Tayana é uma das fundadoras e protagonistas de um novo movimento cívico formado por jovens vilavelhenses como ela, o Vila Nova. Antes de pensar em eleições ou de nutrir qualquer aspiração política, os voluntários do grupo (mais de 200, na proporção de duas mulheres para cada homem) deseja influir no destino da cidade nos próximos anos. Como?
O QUE É O VILA NOVA? 
Após experiências profissionais diversas, ativismo político em várias frentes, especializações no Brasil e em Portugal, uma rápida passagem pelo partido Novo, engajamento (até hoje) no movimento Livres e contato com outros modelos de gestão dentro e fora do país, Tayana decidiu que era hora de gerar um impacto maior a partir de um autoquestionamento: o que posso fazer por minha cidade?
“A vontade de fundar e protagonizar um movimento em Vila Velha nasceu da sensação de ser de Vila Velha e pertencer à cidade. Passei minha adolescência aqui, mas saí e vi como em cidades como Lisboa, São Paulo e Rio, as pessoas são muito mais envolvidas nos problemas da cidade, por maiores que sejam, e nas soluções para eles. Em Vila Velha, percebi uma falta de pertencimento das pessoas à cidade, como se ela estivesse vazia de gente e como se os espaços públicos não fossem de fato ocupados. Isso me causou uma preocupação muito grande.”
Foi dessa inquietação e da união com um grupo de amigos da mesma faixa etária que pensa parecido com ela que, em março deste ano, nasceu o Vila Nova, um movimento político, mas antes de tudo cívico, fundado com um propósito: identificar os principais problemas enfrentados pelos moradores de Vila Velha e, a partir daí, pensar e propor, de forma compartilhada, soluções para tais problemas. Por “moradores da cidade” entenda-se “moradores daS cidadeS”, pois os primeiros grandes problemas detectados por Tayana e companhia são a desigualdade social e a falta de interconexão entre as cinco regiões administrativas que formam o município.
“Existem muitas Vila Velhas dentro de Vila Velha, e as pessoas não têm consciência de qual é a real situação de cada uma dessas cidades que existem dentro da cidade. É muito importante que esse diagnóstico seja compartilhado pelo maior número possível de pessoas. É importante que a cidade conheça as suas cidades. Todos os moradores vão para a região 1 (Centro e ‘bairros nobres’). Mas poucos da região 1 conhecem os problemas da região 5 (Terra Vermelha) ou, para não ir tão longe, da região 2, que é a do Ibes, um bairro planejado, mas com um sério problema de tráfico de drogas. São problemas que pedem soluções de longo prazo. Não se pode dar soluções simples, de curto prazo, para problemas complexos. Se você consegue fazer com que as pessoas entendam, terá gente trabalhando com você na busca dessas soluções. Quando o povo quer o impossível, somente um mentiroso pode ser eleito.”
O PROJETO
Em termos práticos, o Vila Nova tem um projeto que compreende três etapas:
A primeira é a elaboração do diagnóstico da cidade mencionado por Tayana, com base em um levantamento quantitativo. “Fizemos uma pesquisa, ouvindo mil pessoas das cinco regiões de Vila Velha, para entender os principais problemas da cidade e como as pessoas enxergam o futuro de Vila Velha.”
A segunda, iniciando-se agora, é uma pesquisa qualitativa, a partir de entrevistas individuais com quem “faz a cidade”: secretários, servidores, professores, guardas municipais, empresários etc.
A terceira etapa é a produção de um “plano de soluções”, que será construído por especialistas do município e de fora e finalizado em abril de 2020 (prazo fatal para filiação partidária dos candidatos).
“Queremos desenhar um plano de soluções ouvindo o maior número possível de pessoas. A ideia é aplicar o conceito de soluções em rede, tentando usar o que já aconteceu fora de Vila Velha. Quais os outros países que têm um problema grande de macrodrenagem como o nosso? Quais os cases de violência em que a gente pode se espelhar?”, exemplifica. Ela adianta as duas maiores chagas já identificadas: “Segurança e a parte de infraestrutura toda, inclusive saneamento básico, são as duas maiores dores apontadas pela população da cidade”.
Tudo será filmado e documentado para ser disponibilizado depois nas redes sociais, de modo a alcançar o maior número de cidadãos.
O propósito do Vila Nova é entregar em 2020 o pensamento de uma nova cidade. A gente quer construir uma vila nova. A gente quer fazer de Vila Velha uma cidade diferente do que ela é hoje, trazendo engajamento para a população, participação de pessoas na cidade, repensando coisas que achamos que ficaram muito para trás em relação até mesmo a Vitória. Então a gente quer reconstruir a cidade, de forma colaborativa
Tayana Dantas
Tayana não trata desse modo, mas o roteiro também inclui um quarto passo: entregar o “plano de soluções”, em 2020, nas mãos de um candidato a prefeito que represente as ideias do Vila Nova e por quem o movimento se sinta representado. Nesse caso, o projeto pode ser compreendido como o embrião de um plano de governo para a próxima administração (2021-2024). “Queremos que algum prefeito execute de fato o projeto Vila Nova, mas não estamos envolvendo nele nenhum político com mandato”, conta.
Nesse caso, o plano poderá ser confiado a, digamos, um Max Filho ou um Neucimar Fraga? Tayana é rápida: “Não, isso de jeito nenhum!” O atual prefeito, a propósito, é classificado por ela como um “político tradicional”.
O essencial, reforça Tayana, é confiar o projeto a uma pessoa que “represente a nossa forma de fazer política”: “Uma pessoa nova na política, que seja aberta, que tenha um pensamento próximo ao nosso, que acredite em políticas públicas baseadas em evidências, uma pessoa de bom diálogo e boas práticas, que tenha uma trajetória profissional e de vida, que tenha uma formação de currículo e que tenha para onde voltar, porque a gente não acha que política é carreira. Política não é profissão. Então, uma pessoa que não vá precisar ser prefeita, que possa sair dali da prefeitura e ter um emprego e que tenha uma história de credibilidade e ética.”
Donde a pergunta inevitável: se não surgir esse “candidato novo” que incorpore as ideias do movimento e cumpra a lista de pré-requisitos, Tayana está disposta a encarar ela mesma a missão de ser a candidata do grupo? Ela não se esquiva. “Precisamos concluir o projeto Vila Nova para entender se é o melhor projeto. Hoje estou numa situação confortável. Considero-me uma boa gestora, tenho trabalhado nisso e buscado a excelência. Tenho tido ascensões dentro da UVV. Então tenho uma vida profissional confortável”, afirma Tayana, que, desde 2017, a convite do pai, cuida da comunicação integrada, da inteligência competitiva e da marca da instituição, enquanto faz mestrado em Segurança Pública no mesmo centro universitário.
Isso (candidatura) está em construção. Hoje tenho uma condição muito favorável. Consegui me constituir como uma gestora profissional. Tenho estudado cada vez mais para conseguir ser com excelência uma gestora profissional
“Tenho bastante tranquilidade para poder me colocar ou não à disposição. Preciso do projeto e de entender quem são de fato os concorrentes se eu vier a ser candidata. Se tiver uma pessoa que eu ache que tem um currículo melhor que o meu e que pode fazer um trabalho melhor, eu não disputo. Mas, se forem as pessoas que até agora estão sendo ditas, aí talvez a gente vai reavaliar.”
“A política de Vila Velha é uma política antiga, que não tem muita perspectiva. As pessoas que estão ali se dedicaram a serem políticos profissionais. São muito dependentes da política e de fazer política”, critica a fundadora do Vila Nova, quiçá calibrando o discurso para uma iminente estreia em campanhas eleitorais.
A menina não está de brincadeira.
PERFIL: A HERDEIRA MULHER DA FAMÍLIA DE NOME INVENTADO 
Tayana Dantas (sobrenome da avó paterna) é a primogênita de José Luiz Dantas da Silva, o dono da UVV. O avô paterno dela, Aly da Silva, é o fundador da UVV e um dos fundadores da Ufes. “Eu deveria me chamar Tayana Loureiro Mohamed Shibibb”, conta a idealizadora do Vila Nova.
A família dela tem origem libanesa. O bisavô paterno migrou para o Brasil e constituiu família em Vitória, no bairro Jucutuquara. Durante a Segunda Guerra Mundial, mudou o sobrenome da família, para que o filho, Aly, escapasse da convocação. Quando a cobra fumou e o Brasil de Vargas decidiu entrar no conflito do lado dos aliados, os estrangeiros residentes no país, conta Tayana, eram os primeiros a serem enviados para o front. Assim o Mohamed Shibibb deu lugar ao Da Silva, sobrenome mais comum dos brasileiros natos. O truque deu certo: seu Moham... digo, seu Silva passou longe dos campos de batalha.
O avô de Tayana fez constar no estatuto da UVV que a presidência da empresa deve ficar com um herdeiro varão (seu filho, José Luiz, deverá ser sucedido pelo primeiro filho homem, este pelo primeiro filho homem e assim por diante). Assim, desde muito cedo, Tayana sabia que precisaria construir o próprio caminho. “Queria ser uma mulher de impacto, e ser empresária não era uma opção.”
Fábio Ruschi, Tayana Dantas, José Luiz Dantas e Danielli Orletti: A GAZETA e Rádio CBN premiaram empreendedores de sucesso da cidade, em 2015 Crédito: Guilherme Ferrari
Após um intercâmbio de seis meses na Austrália, a moça foi cursar Artes Cênicas na PUC-RJ, contra a vontade dos progenitores. Foi a primeira integrante da sua grande família Silva a ir estudar e morar fora do Espírito Santo, desde que o bisavô libanês criou raízes em solo capixaba. Tirou o seu diploma e chegou a iniciar carreira como roteirista e atriz, tendo estrelado produções de cinema e dois seriados do canal Multishow: “Beijo, Me Liga” e “Bicicleta e Melancia” (como a protagonista, Samara).
Com cerca de 20 anos, abriu seu primeiro negócio próprio: uma produtora de roteiros. “Pensei: Caramba, estou empreendendo... Aquilo que falaram que eu não podia fazer, estou fazendo.” Tomou gosto pelo mundo empresarial e não parou mais: começou a estudar branding (construção e gestão de marcas) e, aos 22 anos, abriu uma segunda empresa: Vibe Marcas com Propósito, cuidando do marketing de cinco shoppings (e, posteriormente, da UVV).
Após mudar a própria rota, entendeu que era hora de voltar a estudar: fez uma pós-graduação em Lisboa, na Thnk, escola de Amsterdã que é considerada uma das mais inovadoras do mundo.
Em 2015, realizou um projeto vinculado à Prefeitura de Lisboa. A experiência transformaria sua maneira de encarar a gestão pública. “Conheci um modelo de gestão muito diferente do que a gente está acostumado no Brasil.” Diferente, sobretudo, no uso da inteligência artificial, com a reunião de dados disponíveis no mundo todo e aproveitamento de experiências inovadoras realizadas no mundo todo a fim de solucionar problemas práticos da cidade. Diferente, ainda, no conceito de gestão colaborativa.
“Hoje Lisboa é uma cidade pulsante. As pessoas que vivem em Lisboa vivem a cidade e sentem que pertencem a ela. E o prefeito deu essa liberdade de qualquer um contribuir com a gestão dele. O principal é a ideia de democracia participativa: a cidade resolver pensar sobre ela mesma. E tem o ponto de você estar aberto para todas as inovações do mundo chegarem à cidade. Lisboa, hoje, é uma cidade inovadora.”
Foi o contato com essa concepção de gestão que deu a Tayana o click para começar a pensar o que poderia ser feito nesse sentido pelas administrações municipais brasileiras. “Inclusive em Vila Velha.”
Na volta para o Brasil, ela faz uma especialização em Administração no Insper (SP), enquanto expandia o currículo, como gestora de Marketing Digital na Azul Linhas Aéreas e diretora executiva da Simplesmente, uma fábrica paulista de granolas.
Em 2017, enfim, recebe do pai o convite para trabalhar no negócio da família Silva, a UVV. Hoje, cuida da comunicação integrada, da inteligência competitiva e da marca da instituição, enquanto faz mestrado em Segurança Pública no mesmo centro universitário.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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