A recente troca de nove superintendentes regionais de Educação pegou de surpresa os deputados estaduais e gerou uma série de manifestações críticas ao governo Casagrande, puxadas por Vandinho Leite (PSDB). No próprio governo, contudo, a insatisfação de alguns integrantes da base governistas, externada em plenário na última terça-feira (19), não está sendo tratada como “pequena crise” nem como “princípio de rebelião”, mas como “insatisfações pontuais”. Que insatisfações são essas? Vejamos caso a caso, pontuando alguns dos deputados que fizeram pronunciamentos críticos:
Vandinho Leite (PSDB)
Motivado a disputar a Prefeitura da Serra, Vandinho ficou particularmente chateado com a nomeação do novo superintendente de Carapina, Rurdiney da Silva, filiado ao PSB. É o partido do deputado estadual licenciado Bruno Lamas, hoje à frente da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social, potencial adversário de Vandinho na disputa pela prefeitura.
Mas Vandinho tem outros motivos para estar descontente. Ex-secretário de Ciência e Tecnologia, ele se ressente por não ter sido incluído na discussão sobre a retomada do programa de capacitação profissional Oportunidades, tocado por ele no governo passado, como chefe da mesma pasta. Vandinho não foi chamado e, pelo que a coluna apurou, não será. O programa continua na Secretaria de Ciência e Tecnologia, e o governo quer prestigiar a atual secretária, Cristina Engel.
Tem mais: Vandinho teve papel decisivo na vitória imposta pelo governo a Marcelo Santos no episódio da indicação do substituto do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado. O deputado foi um dos que inicialmente assinou a lista de apoio a Marcelo mas, posteriormente, assinou a do candidato apoiado pelo governo, Luiz Carlos Ciciliotti (PSB), vencedor do cabo de guerra. Ou seja, Vandinho ajudou o governo no primeiro embate na Assembleia e agora vê o governo “atrapalhar” seus planos na Serra.
Há um detalhe, porém: a ex-superintendente de Educação da Serra, Angela Maria Soares, foi indicada pelo próprio Vandinho no governo passado, de Paulo Hartung. Agora, por mérito, foi mantida, mas transferida para Vila Velha, onde mora.
Marcos Mansur (PSDB)
Também autor de críticas no embalo de Vandinho, Marcos Mansur (PSDB) havia pedido ao governo para indicar o novo superintendente de Cachoeiro. Não teve o pleito atendido.
Rafael Favatto (Patriota)
Além de ter interesse em concorrer à Prefeitura de Vila Velha em 2020, o deputado de Vila Velha trabalha para expandir sua área de influência para algumas partes do interior, especialmente no Litoral Sul. Chamou atenção, por exemplo, a presença dele numa cerimônia de assinatura de convênio do governo do Estado com a Prefeitura de Anchieta, no município. Em evento anterior na mesma região, ele não havia sido chamado. E reclamou com o governo.
Por esta linha de raciocínio, gostaria de ter tido influência sobre a nomeação do novo superintendente de Vila Velha. Também tem pleiteado a indicação de mais cargos no governo (já possui alguns).
Hudson Leal (PRB)
No caso de Hudson, o raciocínio é similar ao que vale para Favatto. O deputado deseja ampliar seu raio de influência eleitoral por algumas partes do interior do Estado. Diga-se de passagem, há um vácuo, muito cobiçado no momento, deixado pela não reeleição de Luzia Toledo. No caso de Hudson, soma-se a sua insatisfação, já externada publicamente por ele, com todo o prestígio que o governo Casagrande tem dado ao novo presidente da Amunes, Gilson Daniel (Podemos), com quem o deputado tem rixa pessoal.