A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) calcula que o setor capixaba deixará de faturar cerca de R$ 430 milhões em 2020, em consequência dos feriados. A queda de receita inevitavelmente trará reflexos negativos na arrecadação tributária e na renda da população.
Para as atividades aderentes ao turismo, os feriados constituem oportunidades. Porém, o Espírito Santo nunca conseguiu aproveitar como deve o seu enorme potencial turístico. Aliás, até hoje a estrutura de recepção aos visitantes é precária. A começar pelas rodovias federais.
A estimativa da Fecomércio-ES considera que neste ano haverá dez feriados nacionais em dias úteis. A maioria cai nas segundas e sextas-feiras. Os demais, às terças, quarta e quintas-feiras possibilitam por em prática o velho hábito, cultural, de “emendar” o feriado. Na verdade, serão 11 dias parados, contando a segunda-feira de carnaval, que oficialmente não é feriado.
Para a produção nas fábricas os feriados também pesam. Estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) aponta prejuízo anual de mais de R$ 55 bilhões para a atividade industrial brasileira, levando em conta de 11 a 12 feriados nacionais por ano.
A proposta defendida pela entidade é a redução drástica do número de feriados nacionais, estaduais e municipais. Mas, ao contrário, no Espírito Santo foi criado mais um feriado (sob muitas críticas do setor empresarial) a partir de 2019. Trata-se do Dia de Nossa Senhora da Penha, comemorado oito dias após a Páscoa. Sempre cai em uma segunda-feira.
O impacto dos feriados na economia é assunto recorrente a cada início de ano. No Japão, ou na Alemanha, ou até mesmo na Suécia, o número de dias parados anualmente tem pouca repercussão no ritmo produtivo. Primeiro, porque são poucos. Segundo, porque tratam-se países de alta produtividade.
No Brasil, as consequências econômicas dos feriados são danosas. Primeiro, porque o Brasil está entre os dez países com maior quantidade de feriados. E com agravantes: aqui os feriados oficiais se estendem informalmente nos dias "enforcados" e nos pontos facultativos - quebrando gravemente o embalo produtivo.
Isso contribui para o Brasil estar hoje em 71º lugar no ranking global de competitividade, entre 141 países , segundo relatório do Fórum Econômico Mundial. É lamentável. Pesquisa da FGV mostra que até 1980 a nossa produtividade era o dobro da chinesa, no entanto, a partir de 2011 (era da Nova Matriz Econômica, de Dilma) passamos a ficar abaixo de países africanos.
Em relação aos Estados Unidos, o desnível de produtividade é gritante: o trabalhador brasileiro leva uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano faz em 15 minutos. Já o alemão e o coreano fazem em 20 minutos. No caso brasileiro, porém, há algumas ilhas de excelência, como nos setores financeiro, de informática e de telecomunicações.
A culpa da baixa produtividade é do trabalhador brasileiro? Claro que não. Ele é vítima. O número de feriados não o deixa trabalhar no mesmo pique dos colegas de outros países. Vários outros fatores também atrapalham, a começar pela formação profissional.