Em momentos de inflação alta, surge uma ideia que soa quase mágica: “por que o governo não segura os preços?”. À primeira vista, parece simples. Se tudo está caro, basta impedir que suba. Pronto, problema resolvido.
Mas a economia não funciona como um botão de volume. É mais parecida com um organismo vivo. Quando você aperta de um lado, algo reage do outro.
O primeiro efeito costuma ser invisível… até que os produtos começam a sumir das prateleiras. Quando o preço é forçado para baixo, muitas empresas simplesmente deixam de produzir ou reduzem a oferta. Afinal, ninguém quer vender no prejuízo. Foi exatamente isso que aconteceu no Brasil durante o Plano Cruzado.
E quando o produto desaparece das lojas, ele não deixa de existir. Ele só muda de lugar. Surge o famoso “por fora” (mercados paralelos, vendas informais, preços escondidos), quase sempre mais caros. Ou seja, aquilo que era para ajudar o consumidor acaba, muitas vezes, prejudicando ainda mais.
Tem também um detalhe curioso, quando não dá para subir o preço, muda-se o produto. Menos quantidade, qualidade inferior, serviço pior. Você paga o mesmo e leva menos. É uma inflação disfarçada, silenciosa.
Quando o controle afeta o investimento
Agora, reflita por um momento se você investiria seu dinheiro em um negócio onde o governo pode decidir quanto você pode cobrar?
O empresário precisa levar esse tipo de situação em conta antes de definir como alocar os recursos. E o resultado mais comum é de menos investimento, menos produção e menos crescimento econômico. No fim das contas, o problema que se queria resolver acaba ficando maior.
A história está cheia de exemplos. Na Venezuela, o controle de preços levou a um cenário extremo de escassez. Na Argentina, medidas semelhantes trouxeram efeitos recorrentes de desorganização e perda de confiança. Até em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos de Richard Nixon, esse tipo de política funcionou só por um curto período e deixou efeitos colaterais depois.
No fim, o preço não é o problema, ele é apenas o termômetro. Quebrar o termômetro não faz a febre desaparecer. E quando o preço deixa de ser livre, o risco entra em cena.
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