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Dinheiro

Investir a 14% ao ano é um bom negócio?

Os investimentos pré-fixados atraem pela previsibilidade do retorno, mas é preciso entender os riscos envolvidos

Publicado em 29 de Setembro de 2022 às 10:06

Públicado em 

29 set 2022 às 10:06
Lélio Monteiro

Colunista

Lélio Monteiro

lelio@pedraazulinvestimentos.com

É muito comum ouvir de investidores que os investimentos pré-fixados, onde já é conhecida a taxa de retorno em um prazo determinado, são seguros porque já se sabe quanto o investidor vai receber. Ao mesmo tempo, este investidor pode argumentar que a renda fixa pós-fixada, frequentemente determinada em percentual do CDI, é menos segura, porque, sendo denominada em função de algum índice cujo retorno final não conhecemos, ficamos sujeitos às oscilações de mercado.
Não deixa de ser verdade que investindo a 100% do CDI, não sabemos quanto será o CDI no futuro. Em um passado recente, a taxa Selic muito baixa, a 2% ao ano, penalizou os investimentos pós-fixados e fez com que títulos públicos pós-fixados, fundos de investimentos conservadores, CDBs, LCAs e LCIs, entre outros títulos privados, perdessem para a inflação.
No entanto, é preciso entender que o pós-fixado tem um elevado grau de proteção sobre o retorno do investidor, justamente porque acompanha a taxa de juros do país, determinada pelo Banco Central. Se houver uma situação em que a inflação suba demais, a tendência é que a taxa básica também aumente, melhorando o retorno dos investimentos pós-fixados. É o que está acontecendo agora, com Selic a elevados 13,75% ao ano.
A “imprevisibilidade” sobre o retorno final, neste caso, é a maior virtude do investimento pós-fixado, porque este se torna mais adaptável às condições macroeconômicas, principalmente se houver problemas mais sérios na economia. O investimento pós-fixado também tem baixa volatilidade, justamente porque o cálculo do seu preço não depende de um valor final fixo, como no caso dos pré-fixados.
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Elementos de investimento: dinheiro, calculadora, gráfico e porcentagem Crédito: Pexels
Investir a uma taxa pré-determinada pode ser um grande negócio, principalmente se alocarmos a uma boa taxa, em um cenário onde a Selic se mantenha estável ou mais baixa do que o esperado para o período.
O problema é se acontecer o contrário. Havendo uma alta acentuada da taxa básica do país, em função de inflação elevada, crise econômica, ataque especulativo à moeda nacional, ou qualquer outro motivo que traga alguma mudança brusca na política monetária, o investimento pré-fixado não vai acompanhar as mudanças, e pode se tornar defasado em relação aos pós-fixados, que são mais adaptáveis.
Já houve, há anos atrás, momentos em que a taxa Selic foi elevada, por exemplo, a 45% ao ano. Imagine que o investidor tenha feito um investimento a 14% por 1 ano, considerando que este seria um bom retorno nas condições anteriores. Neste cenário, este investimento acaba se tornando ruim, e deixando o investidor preso a condições agora desfavoráveis. Sabemos que a chance de acontecer uma alta tão brusca na Selic é bem menor hoje em dia, mas oscilações não esperadas ainda estão dentro dos cenários possíveis.
Esse risco do pré-fixado não é lembrado, muitas vezes, porque a tendência dos investidores em geral é de supervalorizar a chance de um cenário positivo, esquecendo-se ou desconsiderando a possibilidade de que as coisas não saiam como o esperado. E caso isso aconteça, o investimento pré-fixado pode não ser o ideal e, portanto, tem risco, diferente do que é o senso comum.

Lélio Monteiro

Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

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