O turismo pode se tornar um dos principais motores de crescimento econômico do Espírito Santo nos próximos anos, devido à sua capacidade de gerar empregos, atrair investimentos e impulsionar a economia de maneira mais distribuída.
As oportunidades e as estratégias para colocar o Estado no mapa do turismo nacional foram debatidas durante o painel “Diálogos AG – Desbloqueando o Potencial do Turismo Capixaba”, conduzido pelo colunista de Economia e Negócios de A Gazeta, Abdo Filho, com a participação do superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, e do fundador e presidente da Apex, Fernando Cinelli. O tema fez parte da programação do ESTour – Salão Capixaba do Turismo, nesta terça-feira (28).
Rigo lembra que o Sebrae realizou um amplo mapeamento das potencialidades capixabas, com o objetivo de identificar produtos, estilos e atrativos para que o Estado pudesse se tornar um produto de prateleira nas agências de viagem. A iniciativa desenvolvida pelo órgão é chamada atualmente de Programa Acelera Turismo Espírito Santo.
Segundo ele, o objetivo do estudo foi identificar produtos turísticos capazes de integrar as prateleiras das grandes operadoras de viagens do país.
"Sabemos do nosso grande potencial, mas ainda temos o desafio de atrair o visitante, não apenas para tomar banho de praia, mas para desfrutar das inúmeras experiências que podemos oferecer em nosso litoral", destacou
O Espírito Santo tem uma diversidade muito rica. Temos litoral, ecoturismo, turismo de aventura, turismo religioso, patrimônio histórico e uma forte herança cultural das imigrações italiana, alemã, portuguesa e de outros povos
Pedro Rigo
Superintendente do Sebrae/ES
Outro destaque apontado por Rigo é o crescimento do turismo de experiência no interior do Estado, especialmente ligado ao agroturismo, à gastronomia e às tradições culturais. Ele citou ainda a Festa da Penha, o Convento da Penha, o roteiro das missões jesuítas, em Viana, e o Santuário Nacional de São José de Anchieta.
Para Rigo, se hoje o Estado vive um novo ciclo de desenvolvimento do turismo, isso se deve à governança estabelecida no Espírito Santo. A integração entre governo estadual, Sebrae, Fecomércio, empresários e operadores turísticos tem sido determinante para consolidar um planejamento estratégico para o turismo capixaba.
Segundo Fernando Cinelli, da Apex, o Espírito Santo já apresenta bons indicadores econômicos, mas o turismo tem potencial para ampliar ainda mais esse crescimento, gerando desenvolvimento em diferentes regiões.
O executivo revelou que, em 2027, há a intenção de realizar a Convenção Nacional de Vendas da CVC no Espírito Santo. O evento é conhecido por transformar destinos: cidades como Gramado, Balneário Camboriú e João Pessoa mudaram de patamar após serem adotadas pela operadora. A Apex é uma das principais acionistas da operadora, com 15% das ações.
Segundo Cinelli, o evento tem como expectativa ampliar a visibilidade do Estado junto às agências de turismo de todo o Brasil.
A retomada dos cruzeiros marítimos no litoral capixaba também foi defendida durante a conversa, devido ao impacto econômico positivo que o segmento gera para hotéis, restaurantes, comércio e serviços.
O Estado tem estrutura, localização estratégica e atrativos competitivos. Agora, precisamos divulgar melhor o que temos e transformar isso em produto turístico nacional
Fernando Cinelli
Fundador e presidente da Apex
Ele lembrou que, por conta do cenário geopolítico no Oriente Médio, os navios têm buscado o Brasil como destino. Entretanto, os cruzeiros vêm do Sul do país, passam pelo Rio de Janeiro e seguem direto para a Bahia.
Para receber os cruzeiros, são necessárias adaptações na Grande Vitória. Cinelli criticou a resistência de setores da sociedade que barram o crescimento, citando como exemplo as discussões sobre a recepção das embarcações na Ilha do Boi, em Vitória.
“É preciso uma mudança de mentalidade para aceitar o turismo como uma indústria de massa”, complementou.
O Sebrae contratou um estudo sobre o assunto, como explicou Pedro Rigo. Segundo ele, os investimentos estão sendo realizados pelo governo do Estado para a instalação da boia e de toda a estrutura técnica necessária para o fundeio dos navios, que não passam mais pela Terceira Ponte.
“É preciso ter um ponto para fazer o transbordo dos passageiros, mas hoje ainda estamos travados nessa questão, embora seja uma decisão que já envolve a governança. O lugar ideal seria o Hotel Senac, na Ilha do Boi”, disse Rigo.
Outro movimento que pode alavancar o turismo, principalmente o de negócios, é a construção do novo Centro de Convenções de Carapina, no Pavilhão de Carapina, na Serra. As obras já foram licitadas pelo governo estadual.
“O governo do Estado entendeu a importância desse investimento e está garantindo recursos em caixa para realizar mais de R$ 250 milhões em investimentos no Centro de Convenções. O edital, atualmente, está parado por questionamentos empresariais”, ressaltou Pedro Rigo.
Ao final do encontro, os representantes do setor afirmaram que o principal legado do evento é o fortalecimento da cadeia produtiva do turismo capixaba e a criação de uma rede de colaboração entre empresários, operadoras, hotéis, receptivos e agentes de viagem.
“A construção do turismo acontece em rede. Quanto mais pessoas, empresas e instituições participam, maior é o impacto positivo para o Estado”, concluiu Cinelli.
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