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Opinião da Gazeta

Caminhões com corpos são retrato da tragédia do coronavírus

Imagem chocante registrada na Itália tem rodado o mundo e servido como um alerta para a gravidade da pandemia

Publicado em 19 de Março de 2020 às 13:18

Públicado em 

19 mar 2020 às 13:18

Colunista

Comboio de caminhões do Exército transportam mortos pelo coronavírus em Bergamo, na Itália Crédito: Reprodução
Uma imagem chocante registrada na Itália tem rodado o mundo nesta quinta-feira (19) e servido como um alerta para a gravidade do coronavírus. Nela, uma longa fila de caminhões militares transporta corpos do distrito de Bergamo para outras localidades que se dispuseram a cremá-los. Uma das regiões mais afetadas, a província não tem mais capacidade em seus necrotérios para cuidar dos mortos pela pandemia. No país europeu, 3,4 mil pessoas já perderam a vida.
A exemplo de outras ao longo da história, a cena tem o poder de resumir em si a tragédia, de condensar em um fotograma toda a carga da realidade. “Essa imagem pesa mais do que dez caminhões do Exército”, escreveu um italiano no Twitter. “É uma das fotos mais tristes da história do nosso país. Sairemos dessa e faremos isso também por eles. Todos juntos”, postou outro.
Nem sempre é verdade que uma imagem vale mais do que mil palavras, porém algumas conseguem “dar significado ao mundo”, como definiu o mestre da fotografia Henri Cartier-Bresson sobre a potência da cena enquadrada no visor. Ao transpor a condição de mero registro, essas imagens provocam mudanças.
A foto de Nick Ut da menina nua queimada por napalm chocou o mundo em 1972 e ajudou a acelerar o fim da Guerra do Vietnã. O menino raquítico observado de perto por um abutre captado em 1993 por Kevin Carter chamou a atenção como nenhuma campanha havia feito sobre o horror da fome na África. Mais recentemente, em 2015, a cena do menino sírio morto numa praia revelou a crueldade da crise migratória e instigou uma guinada nas políticas dos países europeus para abrigar refugiados.
Cartier-Bresson denominava “instante decisivo” esse conjunto de fatores estéticos e emotivos que se combinam em uma fotografia para expressar a essência de um fato. Para alcançar esse resumo convincente da realidade, dizia ele, o fotógrafo deve colocar a cabeça, o olho e o coração no mesmo eixo.
Algo similar acontece no mundo agora. A humanidade passa por um instante decisivo com o coronavírus. E ciência, política e solidariedade devem trabalhar num eixo harmônico para impedir que imagens chocantes como a dos caminhões com corpos na Itália tornem-se banais. A esperança é que a cena transforme-se no símbolo de uma mudança de atitude, de uma chamada à ação de todos para combater a pandemia, não apenas no emblema de uma tragédia.

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