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Opinião da Gazeta

Com resposta a Piquet, Hamilton nos propõe um novo patamar de civilidade

Por que será ainda tão difícil entender que racismo, sexismo e todo o tipo de discriminação não cabem mais na vida em sociedade? Vale repetir a frase do heptacampeão de F1, em bom português: "Vamos focar em mudar a mentalidade"

Publicado em 30 de Junho de 2022 às 02:00

Públicado em 

30 jun 2022 às 02:00

Colunista

F1
Lewis Hamilton reagiu ao ser chamado por termo racista Crédito: Mercedes/Divulgação
"Vamos focar em mudar a mentalidade." Lewis Hamilton foi veloz na resposta como é nas pistas, após a repercussão de uma entrevista na qual Nelson Piquet se referia a ele como "neguinho". 
A resposta de Hamilton já nasceu relevante, escrita em bom português, no Twitter, para estes tempos de superação de preconceitos antes camuflados na linguagem. Racismo, também em bom português.
O heptacampeão de F1, minutos depois, complementou o próprio comentário: "É mais do que linguagem. Essas mentalidades arcaicas precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Fui cercado por essas atitudes e alvo de minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Chegou a hora da ação".
O ex-piloto brasileiro se prontificou a pedir desculpas nesta quarta-feira (29), não sem antes justificar o uso do termo racista. "O que eu disse foi mal pensado, e eu não vou me defender por isso, mas eu vou deixar claro que o termo é um daqueles largamente e historicamente usados de forma coloquial no português brasileiro como sinônimo de 'cara' ou 'pessoa' e nunca com intenção de ofender".
É em explicações como a dada por Piquet que a frase de Hamilton ganha mais força. "Vamos focar em mudar a mentalidade". Em pleno século 21, há uma consciência disseminada de que termos antes aceitos por força cultural devem ser evitados até serem descartados. Mesmo que em alguns contextos não sejam usados como ofensa proposital, ainda assim o são. É questão de civilidade. É, não custa repetir, mudança de mentalidade, que exige de cada pessoa mais reflexão sobre os próprios atos e ações.
Vale, inclusive, para as denúncias de assédio de funcionárias da Caixa Econômica Federal contra o agora ex-presidente do banco estatal Pedro Guimarães. Por mais que as mulheres levantem a voz, ainda persiste entre muitos homens a ideia de que toques, carícias e falas indevidas são naturais, até mesmo um sinal de lisonja para quem os recebe. Não há nada mais ultrapassado, comportamentos assim só provocam asco e medo, sobretudo quando há relação de poder.  E, vale sempre lembrar, são comportamentos criminosos.
Mudar a mentalidade sobre atitudes racistas, machistas e tantas outras posturas discriminatórias, expressas de forma simbólica ou não, não é tão difícil. Não tem nada a ver com ideologia, é uma questão que pode ser tratada de forma racional por quem não tiver preguiça de refletir um pouco sobre os próprios atos. Lewis Hamilton está certo em acertar o foco daqueles que ainda têm uma visão embaçada do que deve ser a vida em sociedade em pleno 2022.

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