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Opinião da Gazeta

Criminalidade não pode transformar Itaúnas em uma terra sem lei

Um dos destinos turísticos mais famosos do Estado sofre com a violência: no último domingo (24), um hotel foi alvo de assaltantes, que fizeram hóspedes reféns

Publicado em 30 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

30 jan 2021 às 02:00

Colunista

Itaúnas
Acesso para a vila de Itaúnas, em Conceição da Barra, está sendo asfaltado Crédito: Wing Costa/Arquivo
Enquanto o asfalto finalmente está chegando à Vila de Itaúnas, no extremo Norte do Espírito Santo, as notícias que rondam um dos destinos turísticos capixabas mais famosos  mostram que o bucolismo do lugar está sendo ofuscado por episódios de violência registrados nos últimos meses.
No último domingo (24), um hotel foi invadido por cinco bandidos que fizeram 12 famílias reféns durante a madrugada. Objetos pessoais foram levados, incluindo um automóvel. Uma cena de terror que contribui para aumentar a sensação de insegurança em uma localidade já abatida por dois assassinatos e uma morte sob investigação, desde dezembro. Sensação que nem deveria existir.
Para o turismo que movimenta o distrito de Conceição da Barra, a violência é uma ameaça. A onda recente de crimes ganhou cobertura nacional, com destaque na Folha de S.Paulo.
Itaúnas começou a ter relevância nacional a partir de meados dos anos 90, quando o chamado forró pé-de-serra ou universitário ganhou as paradas musicais com bandas como o Falamansa. A pequena vila se tornou, então, o epicentro do gênero, atraindo principalmente paulistas, mineiros e, evidentemente, os próprios capixabas. Até hoje, o forró segue sendo um chamariz de Itaúnas, com a realização anual do Festival Nacional de Forró de Itaúnas (em 2021, o evento está suspenso em razão da pandemia).
Desde a súbita fama com o forró, um dilema se impôs sobre Itaúnas: o asfaltamento do trecho da ES 010, que liga Conceição da Barra ao distrito também famoso por suas dunas. Uma questão que traçou uma linha entre apocalípticos e integrados: aqueles que viam o progresso como a decretação do fim da Itaúnas bucólica e os que acreditavam no desenvolvimento do turismo. Demorou, e somente em 2018 deu-se início à obra, ainda em execução, de pavimentação de 20,6 quilômetros da rodovia, com duas pistas com 3,5 metros de largura e 1,5 metro de acostamento. 
A modernização da conexão de Itaúnas com Conceição da Barra pode até ser uma via de mão única para alguns problemas antes inexistentes, mas tampouco pode ser responsabilizada pelo fim da tranquilidade. É preciso cuidar da vila desde já, para que o clima de faroeste que ronda a localidade desde dezembro não se torne recorrente a ponto de transformar Itaúnas em uma terra sem lei. Há informações da atuação de milícias no local nos últimos anos, mas, assim como o asfalto, o poder público também precisa alcançar o distrito e se manter por lá.
É fato que o asfalto pode atrair aproveitadores, de olho na valorização imobiliária. Reportagem publicada por este jornal mostrou um  esquema de venda irregular de áreas invadidas em Itaúnas, já investigado pela polícia. Outros crimes podem estar no horizonte de quem não perde a chance de burlar a lei em benefício próprio, mas nem por isso melhorias tão importantes para a qualidade de vida e o desenvolvimento local devem ser desprezadas. É perfeitamente possível, em Itaúnas, o convívio entre as belezas naturais e as benfeitorias humanas.
Itaúnas é um símbolo do turismo pé no chão, foi assim que construiu sua fama. A bandidagem não pode exercer nenhum domínio sobre esse cenário paradisíaco, sepultando um dos locais mais charmosos do Espírito Santo. As únicas ruínas que combinam com Itaúnas são aquelas da antiga vila, que resistem sob as dunas. 

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