O que só era possível na ficção se consolida como uma forma de fazer a Justiça ser cumprida: desde junho de 2024, 600 pessoas com mandados de prisão em aberto no Espírito Santo foram presas após serem flagradas por câmeras de reconhecimento facial enquanto faziam atividades do dia a dia protegidas pelo anonimato em locais de grande circulação de pessoas. As lentes passaram a ser os olhos da Justiça, impedindo a impunidade.
A prisão de número 600 foi realizada na Rodoviária de Vitória, quando as câmeras identificaram um homem com mandado de prisão em aberto por roubo e mobilizaram o Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR), a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e a Guarda Municipal de Vitória. Uma ação eficiente que tira de circulação quem já deveria estar preso, cumprindo a determinação judicial.
A maioria das prisões efetuadas desde que a tecnologia passou a ser utilizada envolve pensão alimentícia (152 casos). Mas também foram encarceradas pessoas envolvidas com tráfico de drogas (125), roubo (113), homicídio (79), furto (27) e estupro (24).
Com câmeras espalhadas por espaços públicos de grande circulação de pessoas, como nos ônibus e terminais do Sistema Transcol, quem está fugindo da Justiça não pode mais andar tranquilamente pelas ruas. As ações de captura precisam ser rápidas para terem sucesso.
É uma revolução para a segurança pública, embora exista discussão sobre erros, já que o reconhecimento facial nem sempre é preciso. A existência de vieses raciais também deve ser uma preocupação das autoridades.
Como já foi dito neste espaço, a tecnologia ajuda a buscar uma agulha no palheiro, mas a comprovação de que a pessoa encontrada é mesmo a procurada ainda depende da avaliação humana, como tudo aquilo que envolve inteligência artificial e algoritmos. As possíveis falhas podem ser contornadas com checagem cuidadosa.
Mas a retirada de 600 pessoas das ruas é uma vitória contra a impunidade. É algo que pode, até certo ponto, inibir a própria prática criminosa, já que há cada vez menos chance de permanecer anônimo. Quem comete crimes está cada vez menos tranquilo com tantas câmeras por aí.