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Opinião da Gazeta

Quem lava dinheiro para organizações criminosas ajuda a financiar a violência

As empresas capixabas que se prestam a esse tipo de serviço ilegal também estão na contramão da prosperidade que o crescimento do comércio exterior no Estado pode proporcionar em ganhos econômicos e sociais

Publicado em 05 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 out 2021 às 02:00

Colunista

Operação
Agente da Receita Federal durante deflagração das operações Escape e Sumidouro na última sexta-feira (1º) Crédito: Fernando Madeira
A lavagem de dinheiro é um crime invisível, sem materialidade para a opinião pública, mas grave não somente pelas perdas de arrecadação que provoca: em muitos casos, os montantes movimentados contribuem para financiar o crime organizado em suas diversas formas. E se o Espírito Santo se tornou um celeiro de empresas especializadas nessas transações ilegais para criminosos de todo o país, como mostrado na esclarecedora reportagem de Natalia Bourguignon publicada nesta segunda-feira (4), é imprescindível desbaratar essa cadeia que beneficia tantos oportunistas.
É importante constatar que as instâncias investigativas estão atentas, com pelo menos quatro operações tornadas públicas, desde o fim do ano passado, dedicadas a desenrolar os novelos. As mais recentes, Escape e Sumidouro, foram realizadas pela Polícia Federal na sexta-feira (1º) para apurar participação de empresas capixabas em um esquema  com movimentações que podem chegar a mais de R$ 1 bilhão, envolvendo crime de evasão de divisas, com fraudes em processos de importação. Registrou-se, assim, movimentação de recursos com Estados Unidos e China. Os negócios ilegais se deram entre 2015 e 2018.
Em julho passado, durante a Operação Arcano, houve o bloqueio de bens de empresários suspeitos de envolvimento em um esquema de importações fictícias com o objetivo de enviar dinheiro ao exterior para outras empresas. O grupo de empresários, segundo as investigações da Polícia Federal, cobrava 2% de comissão para realizar o envio, um prejuízo de R$ 830 milhões aos cofres públicos.
E em dezembro de 2020, a Operação Piànjú seguiu os passos de uma rede de empresas criadas em nome de "laranjas", com a realização de transações diárias de pequeno valor. Há inclusive a suspeita de que empresas investigadas pela Lava Jato tenham contratado o serviço da lavanderia investigado por essa operação. As estimativas de movimentação são de R$ 800 milhões.
É a própria vocação do Espírito Santo para o comércio exterior que torna o Estado atraente a esse tipo de atividade ilegal. Assim, o grande volume de transações com outros países ajuda a camuflar o envio de dinheiro sujo. Para a fiscalização alfandegária, é como procurar uma agulha no palheiro, sobretudo pela carência de recursos humanos e financeiros. É preciso que haja uma mobilização para tornar esse rastreio mais eficiente. 
Não é uma tarefa simples, e os casos investigados no Espírito Santo mostram que há muitos oportunistas, que se aproveitam dessa abertura comercial do Estado com o mundo para lucrarem com o dinheiro sujo de empresas de todo o país. Enviar recursos obtidos de forma irregular para o exterior dificulta o rastreamento desses valores e, consequentemente, a identificação dos donos do dinheiro.
As empresas capixabas que se prestam a esse tipo de serviço ilegal estão na contramão da prosperidade que a ampliação do comércio exterior no Estado pode proporcionar em ganhos econômicos e sociais. São negócios escusos que contribuem para a sonegação de impostos, com prejuízos à prestação de serviços e à qualidade de vida do cidadão, além de estimularem o crime organizado, que depende de recursos financeiros ilegais para se manter ativo e com poder de influência. No fim das contas, a indústria da lavagem de dinheiro pode não ser um crime tão estarrecedor quanto um homicídio, mas quem a pratica não deixa de ter sangue nas mãos.

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