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Opinião da Gazeta

Tiroteio em Vitória é retrato da ineficiência do combate ao tráfico

Políticas públicas em todo o país restringem-se a estratégias de repressão policial e redução de oferta de entorpecentes. Uma miopia que custa vidas e encolhe uma realidade complexa

Publicado em 20 de Setembro de 2019 às 18:12

Públicado em 

20 set 2019 às 18:12

Colunista

Polícia Militar na região de Andorinhas, em Vitória, na manhã desta sexta, após intenso tiroteio na noite desta quinta Crédito: Caíque Verli
O tiroteio que tirou o sono dos moradores de Vitória na noite de quinta-feira (19) expõe um pesadelo constante da população urbana no Brasil. O poder e a ousadia de traficantes, que saem em bando para acertar contas com rivais, são o retrato de políticas públicas claudicantes, desde as voltadas para os dependentes químicos até as de enfrentamento aos líderes do crime organizado. Tanto que a metáfora a que recorrem especialistas para definir as ações do Estado brasileiro no combate ao narcotráfico é “enxugar gelo”. São tão trabalhosas quanto ineficazes.
Por trás dos mais de 100 tiros trocados com a polícia na Capital, está uma disputa de criminosos de Itararé, Bairro da Penha e Morro do Macaco contra bandidos de Andorinhas. São regiões conhecidas como redutos de facções e pontos de tráfico de drogas. Juntam-se a outros cenários recentes de tragédias, como Piedade e Alagoanos, também em Vitória, e Central Carapina, na Serra.
Os moradores dessas regiões afirmam que já se acostumaram com o barulho dos disparos. Vivem reféns em suas próprias casas, suas próprias ruas. Esse medo não é nem um pouco insustentado: no início deste mês, uma dona de casa foi vítima de bala perdida pela segunda vez no mesmo bairro de Vila Velha.
Enquanto o tráfico espalha seus tentáculos por meio da lavagem de dinheiro, da corrupção, das milícias, a justiça tem braços curtos. Com frequência, as políticas de combate em todo o país restringem-se a estratégias de repressão policial e redução de oferta de entorpecentes. Uma miopia que custa vidas e encolhe uma realidade complexa, que deve envolver, sem margem para descontinuidades, políticas de promoção de cidadania e saúde. Não se trata de amenizar punições para criminosos, mas de construir um ambiente em que crimes não venham a ser cometidos.
As comunidades, geralmente um eufemismo para se referir a favelas e periferias, enfrentam diariamente a privação de direitos e a vulnerabilidade social, que esvaziam qualquer senso de bem-estar comum. A falta de escolas, de unidades de saúde de qualidade, de saneamento, de mobilidade urbana, aliada ao desemprego, deixa esses bairros ainda mais à mercê dos comandantes do tráfico. Em um cenário de oportunidades escassas, conviver sob o domínio do terror é uma dupla punição.

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