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Opinião da Gazeta

Transcol: menos passageiros, alguns avanços, as mesmas reclamações

As novas opções de deslocamento estão, de certa forma, libertando quem depende de transporte público. E isso faz bem para a mobilidade, sobretudo em cidades com infraestrutura adequada para o transporte ativo

Publicado em 10 de Março de 2026 às 01:00

Públicado em 

10 mar 2026 às 01:00

Colunista

Ônibus do Sistema Transcol
Ônibus do Sistema Transcol Crédito: Carlos Alberto Silva
"Eu não vejo nada de diferente. Ônibus todos os dias lotados, principalmente nos horários de pico." (Luciane R. Assis)
"Troquei o ônibus pela bike tradicional, foi a melhor coisa, chego em casa em 20 minutos, não enfrento filas nem ônibus superlotados sem um ar funcionando na maioria das vezes" (Igor Cunha)
"A passagem tá tão cara que às vezes sai mais barato pagar uber do que pegar ônibus" (Julia Kuboyama)
"R$ 10,20 diariamente, cinco vezes por quatro semanas... Faça os cálculos e muitos de nós improvisarão alternativas" (Bruno Mozer)
"Enquanto o transporte público não for atrativo, esse número aumentará. Os ônibus apenas um pouco mais da metade com ar, frota para carregar mais gente em pé, linhas que demoram e insegurança fazem as pessoas preferirem Uber ou bike ao Transcol." (Paulo Ricardo)
Esses foram apenas alguns dos muitos comentários nas postagens no Instagram sobre a reportagem "Transporte por app e bike elétrica derrubam número de passageiros no Transcol", publicada nesta segunda-feira (9) por este jornal. As variações das reclamações não fogem muito à regra: superlotação, insegurança, desconforto e falta de pontualidade dão a tônica.
E há indignação, já que, ao mesmo tempo em que o levantamento da consultoria 4 Intelligence mostra que em 2025 o número de passageiros recuou ao mesmo patamar de duas décadas atrás, essa redução não se reflete na percepção dos usuários, que reclamam dos ônibus cheios.
A conta é complicada, com especialistas colocando as novas e bem-vindas opções de mobilidade, como aplicativos de transporte e bicicletas elétricas, como razão da redução, enquanto o governo estadual atribui a um aumento no número de passageiros que não pagam passagem, mesmo que a maior parte dos veículos tenha passado a ter catraca dupla. O fato é que os números mostram menos usuários, enquanto os ônibus seguem lotados, principalmente nos horários de pico.
É preciso reconhecer que andar de ônibus atualmente é, em certa medida, mais confortável do que há dez anos. Desde 2020, tem sido feita a renovação da frota,  sendo que em 2026, o governo promete 80% dela climatizada. O aplicativo Ônibus GV mostra os veículos em tempo real e, embora ocorram falhas eventuais, é uma ferramenta que ajuda o usuário a se organizar e a não ficar parado muito tempo no ponto. Antes, essa era a rotina.
Mas não existe ar-condicionado que dê conta de um ônibus lotado. E para os trabalhadores que precisam estar dentro de um ônibus no mesmo horário, não há vestígio de conforto. É nesses momentos, inclusive. que há mais vulnerabilidade aos furtos, outro ponto que afasta o usuário do transporte público. Segurança é essencial.
As novas opções de deslocamento estão, de certa forma, libertando quem depende de transporte público. E isso faz bem para a mobilidade, sobretudo em cidades com infraestrutura adequada para o transporte ativo. Contudo, as empresas de ônibus precisam  se ajustar às demandas. Assim, a partir de estudos sobre os horários de maior fluxo de passageiros, disponibilizar mais linhas para evitar a superlotação nos horários de pico e reduzir horários ociosos. Somente com mais conforto e confiança no serviço, a percepção do passageiro pode começar a mudar.

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