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Opinião da Gazeta

Transcol: o "velho normal" segue sendo a regra para quem anda de ônibus

Por mais que os usuários saibam que a proibição de passageiros em pé nos coletivos ao sair dos terminais fosse uma medida que não se sustentava até o próximo ponto de ônibus, ao menos havia uma preocupação no papel de evitar contaminações

Publicado em 28 de Janeiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

28 jan 2022 às 02:00

Colunista

Transcol
Terminal de Vila Velha (arquivo): ônibus passam a ter permissão para sair com passageiros em pé dos terminais Crédito: Fernando Madeira
Com as infecções de Covid-19 batendo recordes diários no Espírito Santo nesta semana — nesta quinta-feira (27) foram mais de 19 mil casos em 24 horas —, o decreto estadual que revoga decisões sobre o transporte público tomadas no primeiro ano da pandemia, em 2020, é no mínimo contraditório. O que é confirmado por especialistas da área de saúde ouvidos pela reportagem.
Por mais que qualquer usuário do Sistema Transcol saiba que a proibição de passageiros em pé nos coletivos que saem dos terminais fosse uma medida que não se sustentava até o próximo ponto de ônibus, ao menos havia uma preocupação no papel com os rigores sanitários para tentar evitar a contaminação no sistema de transporte. Agora, nem isso. 
Aglomerações dentro de ônibus se enquadram naquelas que não podem ser evitadas por quem depende do transporte público, para trabalhar, estudar ou cumprir compromissos de rotina. É diferente de quem pode escolher ir a festas ou bares, que descumpram as normas sanitárias vigentes atualmente e promovam aglomeração, no momento em que o Estado atravessa uma quarta onda de Covid, potencializada pela virulência da Ômicron.
Variante que, até o momento, tem provocado menos mortes no Estado, mas já pressiona o sistema de saúde e tem impacto na força de trabalho dos mais diversos setores econômicos. Trabalhadores que, vale lembrar, em sua maioria são usuários do sistema para se deslocar.
O decreto mantém a obrigatoriedade do uso de máscaras, mas sem a exigência de que sejam as com mais proteção, como as PFF2 ou as cirúrgicas. Esses itens são de difícil acesso à população de baixa renda, que costuma usar máscaras de pano reutilizáveis. Ainda que protejam menos, seu uso continua sendo válido.
Mas não custa repetir que ainda faltam programas, em nível federal, estadual ou municipal, de distribuição em massa dessas máscaras mais seguras, com orientação sobre conservação e uso correto. Nos ônibus, elas podem fazer a diferença.
A superlotação no transporte público é um problema pré-pandêmico, mas que ganhou contornos mais dramáticos por deixar mais vulnerável à doença uma parcela da população que não tem outra opção para circular pela Grande Vitória. O fato de haver a permissão para que veículos deixem os terminais com pessoas em pé é na essência a demonstração de que não há "novo normal" para quem anda de ônibus. O "velho normal" segue sendo a regra.

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