Quase todo candidato a prefeito das maiores cidades do Espírito Santo tem alguma proposta voltada para o turismo, o queridinho da vez nesta campanha eleitoral. Não sem razão: o setor é a aposta do setor produtivo, governo estadual e prefeituras para aumentar a arrecadação quando os efeitos da reforma tributária começarem a ser sentidos no Estado, com o fim dos incentivos fiscais em 2032.
O turismo no Estado está na moda entre os candidatos, não há dúvidas. E isso é importante porque demonstra que eles estão antenados, fazendo o dever de casa. Mas, ao mesmo tempo, as propostas precisam ter viabilidade para não ficarem só nas boas intenções, o incentivo ao turismo deve ser mesmo um compromisso: o turismo funciona com iniciativas privadas, mas depende de indução pública. Essa coexistência precisa ser modulada para que um destino turístico de fato desponte.
O Espírito Santo ainda engatinha nesse sentido. Uma pesquisa do IBGE, em parceria com o Ministério do Turismo, apontou recentemente que o Espírito Santo foi, no ano passado, destino de 450 mil viagens nacionais, o equivalente a 2,2% do total realizado no país (20,4 milhões). O gasto total médio das viagens com pernoite de turistas que tiveram o Estado como destino foi estimado em R$ 1.565, valor abaixo da média do país, que é de R$ 1.639.
Em sua coluna, Abdo Filho mostrou que algumas iniciativas importantes estão para serem destravadas: o projeto arquitetônico e executivo do centro de convenções a ser erguido na área do Pavilhão de Carapina, na Serra, deve ficar pronto no fim de outubro, o que vai impulsionar o turismo de eventos na Grande Vitória. Para especialistas, esse é o primeiro passo para induzir também o turismo de lazer.
Outra expectativa é o retorno de Vitória à rota dos cruzeiros que circulam na costa brasileira. A previsão é que a primeira embarcação atraque por aqui em março de 2025, em caráter de teste. É definitivamente necessário tornar esse desembarque de turistas uma experiência mais atraente do que vinha sendo no passado. O visitante quer ser bem recepcionado, quer conhecer lugares e paisagens deslumbrantes (o que temos de sobra), quer ter contato com a gastronomia do lugar. E quem recebe precisa fazer de tudo para que esse visitante tenha vontade de voltar ou indicar a cidade para seus amigos.
São apenas dois exemplos que podem começar a catapultar o nome do Espírito Santo para os viajantes. As praias precisam ser mais bem vendidas, e também atrair mais investimentos em hotelaria e serviços, para entrarem nos grandes roteiros de viagem. As montanhas capixabas, nesse sentido, têm tido mais destaque nacionalmente, com mais opções de hospedagens e restaurantes para trazer um visitante disposto a gastar.
É excelente que o turismo esteja na boca dos candidatos, principalmente na dos que forem eleitos, para que tenhamos ações bem-sucedidas para desenvolver esse setor capaz de produzir tantas riquezas. Só assim o Espírito Santo poderá ser não só uma moda passageira de turismo, mas um sonho de consumo para quem gosta de viajar.