Educação não se confunde, necessariamente, com escolarização. Convivi com pessoas semianalfabetas extremamente bem-educadas e conheço doutores de anel e gravata muito mal-educados. Educação, etimologicamente, vem do latim “ex ducare”, conduzir-se para fora, ou seja, enxergar o outro e não pensar só em si.
Educação tem a ver com civilidade, polidez na convivência social, respeito ao meio ambiente em que se vive. E, nesse aspecto, nós, brasileiros, somos muito mal-educados, se nos compararmos aos japoneses, por exemplo. Todo mundo viu, na fatídica Copa do Mundo de futebol, em 2014, o exemplo da torcida nipônica limpando o estádio, após o uso. Eles fazem isso porque são educados, desde crianças, a cuidar do ambiente em que vivem, seja no estudo, seja no trabalho.
Ai de nós, professores brasileiros, se solicitarmos aos alunos para limpar as salas, após as aulas. Perdemos o emprego e ainda podemos ser acusados de exploração de trabalho infantil.
Passo os finais de semana no sítio e, nessa época de verão, as pessoas vão se divertir às margens do Rio Jucu. Fazem churrascos, colocam o som na maior altura e, ao saírem, deixam todo o lixo que puderem, que será carregado, na próxima chuva, para dentro da água que abastece a Grande Vitória.
Como se não bastasse, furtam mangas, bananas e até as galinhas dos pequenos sitiantes que vivem ali, gente humilde que vive do que planta. Aí já não é mais só falta de educação, é desvio de caráter, mesmo. Na segunda pela manhã, saio pra caminhar, na praia onde moro e fico estarrecido com a quantidade de lixo deixada nas areias da praia. Parece um tsunami de latas e de garrafas, sacolas e sacolinhas, tampas e canudinhos, embora em toda orla existam lixeiras onde tudo isso poderia ter sido depositado.
Os garis trabalham incessantemente para limpar toda essa sujeira, mas não dão conta. São toneladas de lixo e grande parte vai pra água, contamina o meio ambiente e destrói a fauna e a flora marítimas. Peixes, tartarugas, golfinhos e baleias estão sendo exterminados por essa ação inconsequente, pois se alimentam desse material, confundindo plástico com alga.
São Paulo e Rio de Janeiro estão criando leis severas contra o uso de plástico e é preciso que as tenhamos também. O vendedor que vende picolé na praia deveria recolher também o plástico que o envolve; para isso, todo carrinho já tem o recipiente adequado. Leva o picolé e deixa a sacolinha. Simples assim. Pauzinhos de picolé e de churrasquinho podem ser reciclados.
Água de coco só no copo, nada de canudinho plástico. E o coco deve ser devolvido ao vendedor, que o separaria em sacos próprios e o venderia para uma indústria de tapetes, por exemplo. Casca de coco pode ser aproveitada integralmente. Tampas de garrafa de vidro ou de plástico são recicláveis. Deveriam ser guardadas em recipientes próprios e retornariam à indústria.
Enfim, precisamos, urgentemente, educar nossa sociedade para o reúso, o reaproveitamento de materiais, a reciclagem. Ninguém tem o direito de viver numa sociedade achando que só possui direitos e não deveres. Convivência social implica reconhecer o direito de todos usufruírem o mesmo espaço, sem que um incomode o outro. Isso é ser bem-educado e não se aprende só na escola, mas também em casa e na vida.