Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sem agrotóxico

Agro no ES tem frutas, ovos, frango, porco e até bois orgânicos

Produtores rurais enxergam como tendência a expansão de alimentos que não usam agrotóxico e que são livres de antibióticos.  Na pecuária, o desafio ainda é a alimentação dos animais, que é mais cara

Siumara Gonçalves

Repórter de Economia

sfgoncalves@redegazeta.com.br

Publicado em 28 de Outubro de 2019 às 09:18

Publicado em

28 out 2019 às 09:18
Feira de alimentos orgânicos na Praça do Papa  Crédito: Vitor Jubini
Há cinco ou dez anos, a ideia de comprar peixe, ovos e até mesmo carne de boi orgânica era quase inimaginável. Hoje, esses e dezenas de outros produtos, como iogurte, frutas e até cosméticos, já estão disponíveis tanto em gôndolas e prateleiras dos supermercados quanto nas feiras livres. Com as variedades ofertadas já é possível montar o cardápio do café da manhã ao jantar apenas com produtos orgânicos.
Na localidade de Alto Santa Maria, em Santa Maria de Jetibá, Silvio Guilherme, 36 anos, e Chavina Coronadti, 46 anos, produzem mais de 20 variedades de frutas e verduras. No sítio da família já não se usa nenhum tipo de produto químico para adubar ou eliminar as pragas da plantação há 14 anos.
“Produzimos de tudo um pouco na nossa casa e vendemos nas feiras orgânicas. Temos o certificado para a produção de vegetais, mas estamos vendo que a procura por outros tipos de alimentos está crescendo”, explica.
Silvio Guilherme e Chavina Coronadti. Feira de alimentos orgânicos na Praça do Papa  Crédito: Vitor Jubini
O extensionista do Incaper de Santa Maria de Jetibá, Galderes Magalhães, explica que a expansão dos orgânicos só foi possível porque o consumo aumentou. “Os produtores viram uma oportunidade surgindo ali. Além disso, o aumento no número de feiras orgânicas em shoppings fez com que o produtor tivesse mais espaço para comercializar seus produtos”, conta.
Atualmente, o Espírito Santo já tem 482 produtores orgânicos certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), segundo dados da própria instituição, além de nove feiras orgânicas ou agroecológicas espalhadas pelo Estado. Porém, a produção em terras capixabas é quase totalmente de produtos de origem vegetal.

SANTA MARIA DE JETIBÁ

O maior número de produtores rurais certificados (128) está em Santa Maria do Jetibá. Na década de 1980, o município sofreu com altos índices de intoxicação e de suicídios devido ao uso de pesticidas. A situação acendeu um alerta aos moradores que foram buscar no passado uma maneira de cultivar sem causar danos ao meio ambiente e a saúde deles.
Naquela época, a Igreja Luterana local conseguiu realizar um projeto para o resgate cultural da produção de alimento e conscientização do uso de pesticidas em parceria com uma ONG alemã. Foi em uma das reuniões realizadas na igreja que o agricultor Valdemar Flegler, 58 anos, resolveu ser radical e mudar o modo de produção.
O produtor orgânico Valdemar Flegler no plantio de cenouras Crédito: Arquivo Pessoal
“Em 1986, resolvi parar de usar agrotóxicos. Cheguei em casa e falei com a minha esposa e meus pais o que iria fazer. Fui radical”, revela.
Na propriedade de 16 hectares, que fica localizada na região de São Luiz, em Santa Maria de Jetibá, a família começou a cultivar alguns tipos de hortaliças. Hoje, já são quase 50 variedades produzidas de maneira sustentável. “Tem feijão, café, brócolis, couve, beterraba, cenoura, temperos verdes, gengibre e muito mais. Trabalhar com produtos orgânicos mudou tudo”, comenta orgulhoso.

ANIMAIS ORGÂNICOS

A produção de alimentos orgânicos não se resume apenas aos de origem vegetal. Porco, galinha, peixe, boi e carneiro, por exemplo, são alguns dos animais criados de forma mais sustentável e que já podem ser encontrados no Estado em supermercados e casas especializadas.
Cenouras na feira de alimentos orgânicos na Praça do Papa  Crédito: Vitor Jubini
Para serem caracterizados como orgânicos, os produtos de origem animal, como as carnes, embutidos e frios, não podem levar antibióticos promotores de crescimento na alimentação do bicho. Além disso, é preciso que eles respeitem o ciclo natural da vida.
Algumas propriedades já começam a conquistar o selo de orgânicos. Mas ainda são poucos produtores rurais com certificação. Geralmente, eles não atuam em larga escala e criam vários tipos de animais.
Apesar de ser um dos maiores produtores de ovos do país, o Espírito Santo ainda não tem nenhuma granja orgânica certificada. Como a soja orgânica usada para complementar a dieta dos animais precisaria vir de outros Estados, a produção ainda é muito cara em larga escala.
Além disso, as criações de animais orgânicos ainda são poucas no Estado. A maior parte das carnes, laticínios, ovos e derivados acaba sendo adquirida de Estados como São Paulo. Porém, os produtores capixabas estão aos poucos tentando mudar essa realidade e conquistar seus espaços nas gôndolas de frios e de ovos.
Carneiros criados de forma orgânica em Domingos Martins Crédito: Domaine Orgânicos/Divulgação
O produtor rural e locatário da Domaine Orgânicos, Joaquim Silva, há 20 anos, por exemplo, é um dos produtores que têm expandido os negócios de produção orgânica e agroecológica certificada na região de Pedra Azul, em Domingos Martins. "Em qualquer lugar do mundo o orgânico vai ter a mesma visão: zelar pelas florestas, águas, natureza, bioma e solo", conta.
Segundo Joaquim, os produtos de origem animal são mais difíceis de serem produzidos. "Você tem que reproduzir o que os animais faziam na natureza e eles só podem comer alimentos orgânicos", explica Joaquim.
A propriedade que tem cerca de 800 hectares é a primeira do Estado a ser certificada para a produção de ovos orgânicos caipiras, apesar de não ser uma granja. Lá são produzidos cerca de 80 produtos de origem vegetal e animal certificados pelo Ministério da Agricultura.
"Temos um abatedouro de frango, fábrica de produtos como presunto tipo Parma, linguiça, ossocolla (socol italiano tradicional) com os suínos criados na propriedade, ovos e criação de bois para leite orgânico", elenca.
Aipim na feira de alimentos orgânicos na Praça do Papa  Crédito: Vitor Jubini

SAIBA MAIS SOBRE OS ORGÂNICOS

O que são produtos orgânicos?

São produtos livres de agrotóxicos e outros produtos químicos sintéticos. Essa produção deve respeitar a sazonalidade dos vegetais e os ciclos naturais. Os alimentos não podem ter corantes ou conservantes sintéticos. As carnes não podem levar antibióticos promotores de crescimento.

Todo alimento sem agrotóxico é orgânico?

Não. Para serem orgânicos, os produtos devem ser certificados e receber um selo reconhecido pelo Ministério da Agricultura, que atesta o cumprimento de normas de produção. No país existem seis empresas certificadoras.

Como saber que um produto é orgânico?

Nos produtos embalados, o rótulo deve ter o selo de orgânicos. Já nos ingredientes vendidos a granel, é preciso pedir para ver o certificado do produtor.

Quais itens podem ser certificados?

Além de frutas, legumes, e verduras, a lista de produtos orgânicos também inclui carnes, ovos, laticínios, itens industrializados variados, maquiagem e outros artigos de beleza, produtos de limpeza, além de bebidas, alcoólicas ou não.

Frutas e hortaliças orgânicas são sempre feias e menores?

Não. Porém, os alimentos orgânicos não são padronizados e variam de tamanho e dependem da sazonalidade.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados