Ver a Mata Atlântica ser destruída ao longo dos anos foi o que motivou um empresário de Sooretama, no Norte do Espírito Santo, a criar um projeto que percorre remanescentes florestais para coletar e armazenar sementes para, então, disponibilizá-las para instituições que fazem o reflorestamento em áreas degradadas. Essa iniciativa foi uma das premiadas na 5ª edição do Prêmio Biguá Norte 2025, realizada pela Rede Gazeta, que reconhece projetos exemplares de preservação e desenvolvimento sustentável.
Com o tema “Horizontes mais verdes”, a cerimônia do Prêmio Biguá foi realizada na noite desta quinta-feira (30), em Linhares. Ao todo, mais de 50 projetos foram inscritos na Região Norte neste ano e, após avaliação da comissão técnica, a premiação destacou as melhores ideias em cinco categorias: Empresa, Escolas, Poder Público, Produtor Rural e Sociedade Civil.
O Prêmio Biguá é um reconhecimento, uma valorização daqueles que estão fazendo alguma coisa em prol do meio ambiente, com alguma iniciativa. E, mais que um prêmio, acabou se tornando um instrumento de incentivo às boas práticas
Da coleta de semente à produção de mudas
Com a coleta de sementes suficientes para produzir mais de 4 milhões de mudas nativas no primeiro semestre deste ano, a iniciativa do empresário Jhonatan dos Santos tem contribuído para a recuperação de áreas degradadas.
Este projeto surgiu com o incômodo de Jhonatan por ver a degradação da Mata Atlântica, e buscou uma forma de ajudar em sua restauração. No dia a dia, os participantes da ação percorrem remanescentes florestais do Norte do Estado para fazer a coleta e armazenar as sementes, mantendo a rastreabilidade da origem e a qualidade. Essas sementes são disponibilizadas para instituições que fazem trabalhos de reflorestamento.
Nesta quinta-feira (30), o projeto “Raízes do futuro - conservação da Mata Atlântica” ficou em primeiro lugar na categoria Empresa do Prêmio Biguá.
A gente se sente honrado e agradecido em ganhar esse prêmio. Isso nos mostra que estamos no caminho certo, na direção certa de tornar o futuro cada vez mais verde. E podemos mostrar que uma restauração florestal e uma floresta nascem de uma semente. Não existe projeto de muda sem semente.
Do alimento à reciclagem
Com o objetivo de valorizar os processos que envolvem a cadeia alimentar, do início da produção ao consumo, a Escola Família Agrícola de Jaguaré oferece a seus alunos o aprendizado prático em diversas áreas ligadas à sustentabilidade.
Entre essas ações, os alunos têm a oportunidade de produzir hortaliças orgânicas e realizar o aproveitamento da água do poço artesiano que a escola possui, sendo conscientizados sobre o seu uso. Além disso, eles aprendem sobre a destinação correta do lixo e produzem até sabão com o óleo de cozinha que seria descartado.
O projeto “Da produção à refeição: nada se perde, tudo se transforma” ficou em primeiro lugar da categoria Escola do Prêmio Biguá.
Ganhar esse prêmio representa um reconhecimento daquilo que a gente faz no dia a dia. A escola tem 55 anos e desde quando surgiu, em 1971, a gente vem trabalhando com práticas de conservação, de sustentabilidade e é a primeira vez que a gente ganha, de fato, um prêmio de reconhecimento pelo que a gente faz relacionado à questão da sustentabilidade
Pesquisadores e comunidade recuperam manguezais
Na categoria Poder Público, o primeiro colocado foi o projeto “Manutenção do estoque natural: experiências compartilhadas com a comunidade extrativista”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A iniciativa visa à restauração comunitária e participativa dos manguezais mortos, localizados na bacia dos rios Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim, em Aracruz, e conta com a participação de pesquisadores e da comunidade tradicional.
Em seis meses de plantio, já foram recuperados 12 hectares de manguezal e 20 hectares seguem em monitoramento. Além do plantio, o projeto desenvolve pesquisas para entender o que levou a morte de cerca de 600 hectares de manguezal. Com a melhora da qualidade do ambiente, já foi observado até o ingresso de espécies de caranguejo.
A recuperação do manguezal é de extrema importância porque é o primeiro ecossistema que vai estar ali na linha de frente das mudanças climáticas, com o aumento do nível do mar, a alteração da temperatura e é um ecossistema berçário. Toda cadeia produtiva, costeira, depende do manguezal
Iniciativa valoriza a cultura do cacau
Com o objetivo de conscientizar as pessoas, principalmente crianças e jovens sobre a importância econômica, cultural e ambiental do cultivo do cacau, o produtor rural Emir Macedo Gomes, de Linhares, abriu sua propriedade para receber visitantes e apresentar sua produção. Neste ano, ele ampliou seu viveiro, que já possui capacidade de produzir mais de 200 mil mudas por ano.
Por meio de atividades pedagógicas e lúdicas, a fazenda oferece uma experiência educacional prática que engloba desde o cultivo até o processamento do cacau. O local recebe cerca de 600 visitantes por ano e até alunos de outros Estados. O “Projeto histórico cultural do cacau” ficou em primeiro lugar na categoria Produtor Rural do Prêmio Biguá.
Ganhar esse prêmio significa a valorização do nosso trabalho, a coroação do que nós estamos fazendo. Isso nos motiva a continuar empreendendo, investindo e mostrando que realmente estamos trilhando o caminho certo.
“Sapo Zé” promove conscientização
Com o propósito de ampliar a conscientização ambiental das crianças e da população, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis do Município de Mucurici (ASMUC) buscou uma forma diferente de incentivar as pessoas a descartarem o lixo corretamente. Então, criaram uma música que pudesse ser lembrada pelas pessoas e, com ela, um personagem conhecido como “Sapo Zé”. Quando a música dele passa tocando pelas ruas da cidade, os moradores já sabem que precisam colocar o lixo para fora separado corretamente, com a divisão entre resíduos úmidos e recicláveis.
Além disso, o personagem visita as escolas, ensinando de maneira lúdica as crianças e a comunidade escolar sobre como realizar o descarte adequado dos resíduos. O projeto “Sapo Zé = educação ambiental” ficou na primeira colocação da categoria Sociedade Civil do Prêmio Biguá.
A gente entende que coleta seletiva e educação ambiental, sem as crianças, não vai funcionar. Porque as crianças são o futuro do Brasil, o nosso futuro. Nós temos que deixar um futuro melhor, um meio ambiente melhor para nossas crianças.