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"Tempero" da cerveja

Viana ganha campo experimental de lúpulo para exportação

Área tem 160m² e foi criada com o intuito de fortalecer os produtores do município. Lúpulo é o responsável pelo sabor e aroma da cerveja, um mercado que tem crescido no ES

Publicado em 27 de Maio de 2022 às 15:51

Redação de A Gazeta

Publicado em 

27 mai 2022 às 15:51
Primeira colheita no campo experimental em Viana deve ser feita ainda em abril ou maio deste ano
Primeira colheita no campo experimental em Viana deve ser feita ainda em abril ou maio deste ano Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
O Brasil é o terceiro maior produtor de cervejas em todo o mundo. São mais de 1.300 cervejarias espalhadas pelo país, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). O produto é feito de quatro ingredientes: água, malte, levedura e lúpulo, sendo este último o responsável pelo sabor e aroma da cerveja, assim como o tempero é para os alimentos.
Pela importância que tem no produto final, a planta chamou atenção de pesquisadores do Espírito Santo, que criaram um campo experimental, em Viana, na Grande Vitória, para cultivar sete variedades diferentes de lúpulo. Em uma área de 160m² foram plantados 60 pés.
"O mercado brasileiro hoje importa quase 90% de todo o lúpulo necessário para produção de cerveja, então por isso que estamos investindo na produção de lúpulo. Tem um mercado vasto, o valor de mercado dessa planta chega até R$ 300 o quilo, e o nosso agricultor vai ter uma rentabilidade muito maior produzindo lúpulo", afirmou o gerente de Desenvolvimento Rural de Viana, Francisco Sizino.
A ideia da Prefeitura de Viana é criar um polo cervejeiro na cidade, tendo cinco cervejarias artesanais e uma escola técnica para quem quiser entrar no mercado, a "Tecnocerva".
"Fomentaremos a produção de lúpulo na cidade de Viana. Temos a meta de 20 unidades rurais na produção. Temos uma Parceria Público-Privada (PPV) já nessa produção e vamos estender esse processo. Os agricultores interessados poderão, por meio de um edital, participar desse processo integrado, com produção, plantio e uma rota cervejeira na cidade", disse Francisco.
Foram criados sistemas artesanais de iluminação e irrigação para situação ideal de floração da planta
Foram criados sistemas artesanais de iluminação e irrigação para situação ideal de floração da planta Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
Apesar do plantio ser novo, a engenheira agrônoma Robertha Bragato, uma das responsáveis pelo projeto, já fez as primeiras descobertas positivas para a colheita.
"Das variedades que já plantamos aqui, podemos perceber que mais da metade delas possuem um desenvolvimento bem adaptado com três meses. Ela já consegue atingir a parte superior, que são de seis metros. A partir daí vão ser formados os ramos laterais, os cones, então vemos que ela está num clima adequado e possui horas de luz exatas de acordo com a necessidade", disse Robertha.
O manejo é simples, mas a planta necessita de muita exposição ao sol. Desta forma, o campo experimental ganhou artifícios para não deixar os pés de lúpulo no escuro.
A planta precisa de cerca de 8 a 10 horas de iluminação para formar os ramos laterais, e com auxílio da energia elétrica instalada no local, os pesquisadores capixabas conseguiram em torno de 17 horas de luz. A demanda por água também é grande, e por isso foi montado um sistema para o controle ideal de irrigação.
"O lúpulo precisa de muita água para o pleno desenvolvimento. No início, demanda muita água, cerca de cinco até seis litros de água por planta de lúpulo. Aqui nós fazemos o sistema de gotejamento, em que podemos fazer o cálculo da vazão de água a cada minuto", afirmou a engenheira agrônoma.
Robertha é engenheira agrônoma
Robertha Bragato é engenheira agrônoma e uma das responsáveis pelo campo experimental Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
Todo esse investimento é pensando na floração. São das flores, conhecidas como cones, que os óleos essenciais e resinas utilizadas para a fabricação da cerveja são extraídas. Tendo todo o processo concluído, os pesquisadores esperam realizar a primeira colheita em breve.
"No primeiro ano a gente consegue um quilo produtor. No segundo, dois; e no terceiro, de dois a dois e meio. Então o produtor pode ter esse lucro já na primeira ou segunda florada do lúpulo", explicou Robertha.

ES PROTAGONISTA NA PRODUÇÃO NACIONAL

Amostras do lúpulo produzido e colhido no Espírito Santo passaram por diversos testes no Laboratório de Análise de Cervejas & Matérias-Primas (Lacemp) no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em Vila Velha. Segundo o coordenador do laboratório, Juliano Souza Ribeiro, com apenas algumas amostras dos cones foi possível investigar aspectos únicos da produção capixaba.
Juliano Souza Ribeiro é coordenador do Lacemp
Juliano Souza Ribeiro é coordenador do Lacemp Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
"Dentro do estado tenho relato de produtores de quatro a cinco anos. oS lúpulos desses produtores a gente já pode chamar de lúpulo adulto. Apresenta aroma próprio e, usando na cerveja, fica muito melhor que um lúpulo de fora do país. Fica extremamente aromático. Esperamos é que no máximo em três ou quatro anos tenhamos uma diferença significativa nos aromas e na qualidade que teremos na cerveja produzida no Espírito Santo".
Juliano tem a expectativa de que Espírito Santo chegue em 2025 com o número de 100 a 120 cervejarias registradas. Ainda segundo o professor, o estado é o sétimo colocado em número de cervejarias no Brasil, tendo uma escala exponencial de crescimento.
Avanços como a pesquisa podem levar o ES a alcançar ainda mais protagonismo no setor cervejeiro nacional
Avanços como a pesquisa podem levar o ES a alcançar ainda mais protagonismo no setor cervejeiro nacional, aponta pesquisador Crédito: Ari Melo/TV Gazeta
Com a expansão e mais competitividade do setor, a análise do professor é que os preços fiquem cada vez mais convidativos para clientes antigos e novos desse mercado.

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