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Expedição científica

Capixaba deixa o litoral do ES e vive aventura ao capturar imagens na Antártica

Fotógrafo e estudante de Ciências Biológicas registrou, em realidade virtual, a vida e a rotina na Estação Antártica Comandante Ferraz

Publicado em 15 de Agosto de 2025 às 15:26

Nicoly Reis

Publicado em 

15 ago 2025 às 15:26
No extremo sul do planeta, cercado por um mar de azul profundo e blocos de gelo, o capixaba Marcos Vinícius Tito, mais conhecido apenas como Tito, viveu uma das experiências mais marcantes da sua vida. Natural de Povoação, em Linhares, e morador de Regência, no mesmo município, ele trocou as ondas do litoral capixaba pelo frio intenso da Antártica para participar de uma expedição científica que levou realidade virtual à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF).
“Foi minha primeira viagem internacional e já fui direto para o extremo do mundo”, contou, ainda com a voz carregada de entusiasmo. A aventura começou com um convite inesperado do amigo e parceiro profissional Daniel Venturini. “Ele me mandou uma mensagem perguntando como estava minha agenda e disse: ‘Bora pra Antártica?’. Eu só respondi: Vamos!”.
O projeto, realizado em parceria com a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira, tinha como objetivo captar imagens em 360° para que pessoas no Brasil pudessem “visitar” a base sem sair do lugar. A dupla registrou desde a fauna — baleias, focas, pinguins — até o cotidiano dos militares e pesquisadores que vivem na estação.
Mesmo aceitando o convite de imediato, Tito confessa que, no início, ficou em dúvida se aquilo realmente era real. Foram cerca de quatro meses de preparação, incluindo exames médicos e treinamentos específicos para encarar o frio extremo e as condições adversas do ambiente antártico.
Aventura de Tito na Antártica
Com câmeras que capturam a imagem em 360°, Tito e Daniel transferem as imagens para a realidade virtual permitindo uma imersão ao ambiente ártico.  Crédito: Arquivo pessoal
A expedição aconteceu em janeiro deste ano. Meses depois, Tito decidiu compartilhar registros nas redes sociais e, rapidamente, o vídeo despertou curiosidade. “Hmm, deve ser IA… Linharense na Antártica?!”, brincou uma internauta. A publicação já soma quase 40 mil visualizações.

Chegada à Antártica

No dia 21 de janeiro, Tito e Daniel deixaram Regência rumo à Antártica. Passaram pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e, por fim, pelo Chile, onde aguardaram boas condições para atravessar a temida Passagem de Drake a bordo de um navio polar da Marinha. Apesar da fama de perigosa, a travessia foi tranquila.
Fomos recepcionados com baleias, golfinhos e pinguins em volta do navio, naquele mar gigantesco de um azul que a gente não vê aqui. Chamamos de azul oligotrófico, onde há pouco oxigênio e pouca vida
Marcos Vinícius Tito - Fotógrafo 
Foram dez dias de estadia na Ilha Rei George, convivendo com cientistas de várias partes do Brasil e do mundo. No retorno, o calor recorde — com sensação térmica de 50°C — no Rio de Janeiro foi um choque. “Desacostumei. Só pensava em voltar para o frio”, brincou.
Ao longo da expedição, Tito viu de perto o que antes só conhecia por documentários. “A Antártica é um lugar que muda o tempo todo. Em uma hora o céu está azul; no minuto seguinte, uma neblina fecha tudo. É um cenário vivo e imprevisível”, disse.
Ele também acompanhou pesquisas sobre os efeitos do degelo na vida marinha. Um dos estudos que mais o impressionou foi o de um grupo que analisa como a retração das geleiras altera a salinidade da água e afeta o comportamento dos peixes. “É um trabalho de paciência e precisão, que mostra como tudo está interligado”, destacou.
A experiência trouxe lições de convivência. “Na estação, todo mundo é igual. Pesquisador, militar, cozinheiro… cada um tem um papel essencial e todos dependem uns dos outros. Isso cria um senso de comunidade muito forte”, lembrou.
Quando voltou, Tito foi recebido com festa pelos amigos e com curiosidade pelas crianças dos projetos socioambientais onde atua. “Alguns me chamam de ‘pinguim’. Outros dizem que querem ser como eu quando crescer. Isso me emociona, porque vejo que minha história pode plantar sementes”, afirmou.
O impacto visual e emocional foi intenso. As imagens em 360° registradas por Tito e Daniel permitirão que escolas, museus e projetos ambientais no Brasil ofereçam uma imersão de caminhar virtualmente pela base, ver o refeitório, o auditório, as acomodações e até a rotina dos militares que mantêm a estrutura funcionando durante todo o ano. 
De volta a Regência, Tito leva na bagagem não só imagens, mas histórias e a certeza do propósito: “Hoje eu vejo com clareza que meu papel é contar histórias da natureza usando o audiovisual para inspirar e conscientizar”, finalizou.

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