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Áudios revelam detalhes

Caso Milena: advogado diz que Hilário desistiu de confessar crime durante julgamento

As informações foram repassadas em palestra destinada a advogados sobre a prática de atuação em júri popular, ministrada na última quinta-feira (09)

Publicado em 15 de Setembro de 2021 às 09:20

Vilmara Fernandes

Publicado em 

15 set 2021 às 09:20
Fórum Criminal de Vitória - Final do julgamento no dos envolvidos na morte da médica Milena Gottardi
Fórum Criminal de Vitória - Final do julgamento no dos envolvidos na morte da médica Milena Gottardi Crédito: Fernando Madeira
Em uma palestra para advogados, realizada na última quinta-feira (09), a defesa de Hilário Frasson, condenado como um dos mandantes do assassinato da médica Milena Gottardi, revelou que o seu cliente confessaria o crime no momento do interrogatório, mas que mudou de ideia durante o julgamento.
“A gente queria que o réu confessasse, porque a prova toda capitaneava que foi ele, e ele já tinha confessado para a gente. Internamente, em nossas conversas, ele já tinha assumido a responsabilidade pelo crime”, relatou Leonardo Gagno, em trecho do áudio abaixo, gravado durante o evento:
Os advogados de defesa de Hilário, capitaneados por Gagno, e a defesa de Esperidião Frasson, Davi Pascoal, tinham preparado quatro teses com possibilidade de serem  apresentadas para os jurados durante o júri popular: três delas envolviam confissão e uma, a negativa de autoria.
Na primeira delas, segundo Gagno relata no áudio acima, Hilário assumiria que participou do crime, mas empurraria a autoria para o pai, Esperidião. Dessa forma, ele ficaria, como explicou o advogado, com uma menor participação, podendo brigar pela absolvição, sendo condenado por homicídio culposo e até com perdas de algumas qualificadoras do crime, que aumentam a pena.
Outra alternativa seria a confissão plena. “Hilário segurava a bronca toda, limpando o nome do pai e do Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho. Ficava respondendo pelo crime só ele, Valcir e Dionathas, e a gente trabalharia para retirar algumas qualificadoras, como o meio que impossibilitou a defesa da vítima e a promessa de pagamento pelo crime”, explica Gagno.
Na terceira alternativa, Hilário assumiria haver contratado Dionathas para roubar o telefone da Milena porque ele estaria desconfiado de que ela tinha um relacionamento com outra pessoa, e ele queria monitorar e ter acesso ao celular dela. “Mas na hora do roubo, o cara se descontrola e mata a Milena. Ele poderia tirar o pai e seria condenado por roubo qualificado, com a agravante da violência e o fato de ela ser cônjuge dele. Poderia pegar uma pena em torno de 15 anos, mas era uma história mais mirabolante e não colaria”, explica a defesa de Hilário.
A última tese que poderia ser apresentada para os jurados seria a negativa de autoria do crime. “Sem confissão. Mas sabíamos que se viesse esta tese seria difícil e faríamos até um papel um pouco ridículo no plenário, tanto que  optamos por fazer  um pedido de absolvição com alegação de que as provas eram insuficientes para a certeza da condenação”, explicou Gagno
Foi esta tese adaptada que acabou sendo apresentada aos jurados, no júri popular, por decisão de Hilário. Em reunião com seus advogados, o ex-marido da vítima decidiu não confessar sua participação no crime, explicou Gagno.

HILÁRIO DECIDIU MUDAR A ESTRATÉGIA DURANTE O JULGAMENTO

Durante o julgamento, Hilário decidiu mudar as estratégias planejadas por seus advogados, que trabalhavam com as teses de confissão. O ex-marido de Milena optou por negar totalmente qualquer participação no crime. Ele justificou sua decisão: se confessasse, perderia a possibilidade de restaurar o relacionamento com as filhas.
O ex-marido da vítima avaliou ainda que seus advogados tinham conseguido destruir as provas técnicas da acusação e que, por isso, conseguiria ser absolvido. “Um devaneio da cabeça dele, porque só viu as provas da defesa, não viu os depoimentos da acusação. Só viu o que era bom”, explicou Gagno. Veja mais detalhes no áudio abaixo:
A decisão de Hilário levou seus advogados a considerarem até a possibilidade de abandonar o caso ainda durante o julgamento, o que poderia ter resultado em uma anulação do júri. “Podia ter tomado essa decisão, titubeei muito, porque criou incoerência entre a defesa técnica e a de fato. Fizemos muitas ponderações, uma delas que era um processo que precisava terminar, envolvendo dinheiro público, o tempo de todos, a própria vida dele. Respeitei a decisão, passei mal, minha equipe não gostou, mas decidi usar o que tínhamos”, relatou Gagno.

BASTIDORES RELATADOS DURANTE CURSO PARA ADVOGADOS

Os bastidores do julgamento do caso Milena Gottardi foram relatados durante uma palestra de mais de duas horas voltada para advogados sobre a atuação em um plenário do júri popular. O evento presencial foi ministrado por Leonardo Gagno e Davi Pascoal, no auditório de um shopping, em Cariacica.
Procurado, Leonardo Gagno disse que a palestra tinha o propósito de transmitir para advogados mais novos, principalmente os que estão em início de carreira, a experiência do júri. “Abordamos as técnicas que adotamos e que vão desde a forma de estudar o processo, a delimitar a competência de cada um da nossa equipe, como montamos a nossa estratégia, a escolha das teses, tudo o que era possível transmitir”, explicou.
No curso ele relatou ainda como foi o seu processo de contratação, que inicialmente faria a defesa de Esperidião, mas com a mudança solicitada por Hilário, cujo advogado anterior renunciou, Gagno acabou convidando Davi Pascoal para trabalhar com eles, para fazer a defesa do Esperidião. “O convite inicial foi para que eu fizesse a defesa do Esperidião, mas, posteriormente, acabei assumindo a defesa do Hilário”, contou.
curso sobre caso milena gottardi
Convite para a palestra ministrada pelos advogados de defesa de Hilário e Esperidião Crédito: Divulgação
Gagno também percebeu haver muita curiosidade em torno do julgamento, considerando que o acesso ao público não foi possível em decorrência da pandemia. “Muitos advogados não puderam acompanhar e assim decidimos fazer a palestra”, observou.
Nossa reportagem tentou contato com o advogado Davi Pascoal, mas não obtivemos retorno.
Advogados que participaram relataram para a reportagem que a palestra teve início por volta das 19 horas e foi encerrada por volta das 21h30, e que entre 14 a 20 advogados participaram.
Foram abordadas informações sobre como ocorreu a contratação dos advogados pelos réus, as técnicas utilizadas antes do julgamento, os desafios que enfrentaram durante o júri, e os recursos que já foram apresentados por eles em favor dos réus Hilário e Esperidião Frasson. Confira os áudios do evento na íntegra:

CRIME COMPLETA QUATRO ANOS

O crime aconteceu no dia 14 de setembro de 2017, há exatos quatro anos. Milena, de 38 anos, foi baleada no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória. Ela tinha acabado de sair do trabalho e estava acompanhada de uma amiga quando foi surpreendida por um homem que simulou um assalto. A morte foi declarada no dia seguinte.
Seis pessoas foram julgadas pelo crime, incluindo seu ex-marido. A condenação dos acusados foi anunciada após oito dias de júri popular, em um dos mais longos julgamentos da história do Estado.

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