Mais de quatro mil pessoas precisaram sair de casa devido às fortes chuvas que atingiram o Espírito Santo nas últimas semanas. Aos poucos, com os níveis dos rios voltando à normalidade, as famílias podem voltar aos lares. Mas esse retorno — que, em tese, deveria ser um momento de felicidade — se resume em lágrimas para quem perdeu tudo e agora é obrigado a recomeçar.
"Não temos para onde ir. Estamos esperando a resposta do Aluguel Social. [...] Perdemos tudo, o que salvou foi só um pouco de roupa e documento"
A dona de casa Adilza Jesus do Nascimento, o marido Vanderley Nascimento da Silva e os dois filhos estavam em um abrigo no bairro Araçá, cedido pela Prefeitura de Linhares. A família morava de aluguel na localidade de Rio Quartel, mas precisaram devolver a casa, que vai passar por reformas devido aos estragos causados pela chuva.
“Agora, está difícil. Temos que recomeçar, tudo de novo. Nós vamos ficar na casa de uma colega até conseguir uma casa para alugar”, relata Adilza.
Linhares disponibilizou cerca de oito abrigos para as famílias que precisaram sair de casa durante as chuvas. Dois estão fechados e seis continuam funcionando. O município chegou a decretar situação de emergência. Do dia 21 até o dia 29 de novembro mais de 700 pessoas ficaram fora de casa.
A faxineira Luzia Rodrigues e os filhos estão entre essas pessoas. Eles também ficaram abrigados no ginásio do bairro Araçá, que está sendo usado como abrigo pelo município.
Ela e os filhos moram em uma fazenda no interior do Rio Quartel. Para ela, o retorno é um sentimento agridoce de finalmente voltar para casa junto com a incerteza do que espera pela família. “Não sabemos o que está esperando lá. Eu saí antes que enchesse, então não sei como está lá”, conta.
"Não sabemos como chegar em casa e ver as coisas que foram perdidas. Temos que chegar e bater de frente com tudo o que aconteceu de novo. [...] Limpar tudo. Colocar as coisas que perdemos para fora."
Segundo a secretária de Assistência Social de Linhares, Luciana Mantovaneli , o retorno é para que as famílias possam limpar as casas e contabilizar os prejuízos. “Quem pode retornar, está retornando para limpar suas residências. Quem não puder, vai permanecer no abrigo. Cada família vai ter uma avaliação técnica com um assistente social e psicólogo, para então fazermos todos os encaminhamentos possíveis”, afirma.
O município vai continuar dando o apoio a essas pessoas e o comitê de crise continua atuando, porque há previsão de mais chuva para o Estado.
Algumas famílias ainda permanecem desabrigadas, sem expectativa de quando vão ter uma casa para voltar. É o caso do Reinaldo Silva Cerqueira, da esposa e do filho. Eles moravam no bairro Aviso, e já estão há cerca de duas semanas no abrigo. A casa era de madeira, e, após a chuv,a vai precisar ser demolida. Ele está desempregado e aguarda uma resposta do Aluguel Social para ter onde ir com a família.
“Vamos ficar aqui por enquanto porque não temos para onde ir. Está difícil. Não tem como voltar. Era um barraco de tábua, aí avisaram que era para buscar o resto das coisas que ainda tinha lá porque vão desmanchar. [...] Nós perdemos cama, lençol, roupas, panelas, geladeira, tudo”, relata.
A secretária de Assistência Social de Linhares informou que a Prefeitura recebeu muitas doações que serão repassadas. Além disso, nos próximos dias as famílias também irão receber o Cartão Reconstrução, auxílio que será dado às famílias de baixa renda para atenuar os impactos e prejuízos causados pela chuva no Estado.