A fé da secretária Maria Angelica Freire Cordeiro, de 54 anos, não adoece. Vítima de dois tipos de câncer num período de 10 anos, a devota da padroeira do Estado nutriu a perseverança ao longo desse tempo distribuindo comida e bebida para saciar fome e sede dos participantes da
Romaria dos Homens. A campanha de arrecadação ganhou uma dimensão tão grande e inesperada que, por questões de logística, começava três meses antes da
Festa da Penha e, no dia, chegava a fornecer 25 mil lanches.
Esta história tem início com a cura do primeiro tumor na mama. Era 2008, e Angélica tinha perdido recentemente a sogra, que levava bolo e café para o filho, o marido da secretária, no caminho da procissão. Para não deixar o esposo com fome e seguir a tradição da familiar que morreu, ela tomou a missão por legado.
“Meu marido e o sobrinho faziam a refeição, mas sobrava muita coisa. A comida que restou eu tive muita dificuldade em distribuir. Os romeiros pensavam que eu iria cobrar algo, não achavam que era de graça. Foi nesse dia que decidi: para agradecer pela cura do câncer que descobri em 2007, vou oferecer os alimentos para os fiéis e montar um ponto de apoio na Glória (rota da caminhada)”, lembra.
Iniciava-se em 2009, na edição seguinte da Festa da Penha, um projeto que marca a vida dessa católica até hoje. A cada ano, a mobilização ganhava mais adeptos e contribuições. “A gente oferecia de tudo para os andarilhos: frutas, pães, bolos, água, sucos, cachorro-quente... Meu apartamento, de apenas 74 metros quadrados, ficava inabitável (risos) às vésperas. Vinham doações de todas as partes. Era algo surpreendente. Deus tinha me dado a cura. Eu precisava mostrar minha retribuição. Em 2016, batemos o nosso recorde e oferecemos 25 mil lanches, que precisaram ser transportados de caminhão. Quando montávamos o ponto de apoio, éramos surpreendidos com mais doações no local”, ressalta.
Mas o engajamento tão forte da secretária teve de ser interrompido. Em outubro de 2017, um outro câncer de mama acometeu Angelica, desta vez levando à metástase para o pulmão. Na Festa da Penha de 2018, ela já não participou ativamente. Deixou os trabalhos nas mãos de amigos para se cuidar. “Era um outro tipo de tumor, diferente do primeiro. As pessoas continuaram meu projeto, mas não naquela proporção que eu mantinha. Naquele ano, eu levei minha cadeirinha e fiquei acompanhando no ponto de apoio. Estava com a imunidade baixa, não poderia ter contato tão de perto com o público. A mesma coisa ocorreu em 2019. Já em 2020, a festa foi virtual.”
Diante de tantas dificuldades, a devota não esmorece e diz ter uma fé inabalável em Nossa Senhora. “Agradeço pela minha cura de um câncer e pela resiliência ao aceitar um outro. A minha fé na Virgem da Penha é indestrutível. Coloquei tudo na mão de Deus pedindo a intercessão dela. O meu câncer é para o resto da vida. Não tem cura, tem controle, com o uso de medicação. Tive Covid-19 no ano passado de forma assintomática, descoberto apenas porque fiz um exame de rotina. Em tudo eu dou graças. Não tenho medo de nada.”
O depoimento de Angelica foi colhido por
A Gazeta depois de ela ter preenchido um formulário que convidava os leitores a contar sua história de devoção. Veja abaixo alguns outros relatos de fé que foram enviados:
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