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Dia Mundial da Água

ES perde quase 40% da água tratada; desperdício se agravou na pandemia

Mais de 100 piscinas olímpicas de água pronta para o consumo são perdidas por dia nos 52 municípios atendidos pela Cesan no Estado, o que acaba fazendo a tarifa ficar mais cara

Publicado em 22 de Março de 2022 às 19:42

Natalia Bourguignon

Publicado em 

22 mar 2022 às 19:42
28/06/2017 - Bueiros com vazamento de água, em frente ao Crefes, em Vila Velha
Vazamento de água limpa em rua de Vila Velha Crédito: Fernando Madeira/Arquivo Gazeta
Quase 40% de toda água tratada pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) é perdida seja por vazamentos, “gatos” na rede de distribuição ou erros de leitura dos hidrômetros. São mais de 100 piscinas olímpicas perdidas por dia nos 52 municípios atendidos pela estatal.
Os dados são do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (Snis), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Regional, e se referem ao ano de 2020, o mais recente disponível na plataforma.
O levantamento aponta que em 2020 a Companhia registrou o maior índice de perda de água dos últimos dez anos. A Cesan afirma que o aumento foi causado pela pandemia de coronavírus
Segundo o economista e sócio da GO Associados Gesner Oliveira, o índice de perdas de água do Espírito Santo é similar à média brasileira. Mas ele ressalta que o dado mostra a ineficiência do sistema de abastecimento brasileiro.
"Infelizmente o país ainda está em uma situação bem ruim. Esse patamar de 39% é péssimo. O que é considerado como padrão internacional bom é algo entre 10 e 15%. Estamos muito longe disso. Precisa realmente fazer um grande esforço para reduzir essas perdas"
Gesner Oliveira - Economista e Sócio da GO Associados
Ele esclarece que existem dois tipos de perdas, as físicas e as comerciais. O primeiro grupo inclui os vazamentos na rede, rompimento de tubulações, adutoras, etc.
Já o segundo, se refere à água que é perdida por meio de fraudes como “gatos” ou hidrômetros adulterados. Ou seja, a concessionária paga para coletar, tratar e distribuir o recurso, mas não recebe por ele.

DESPERDÍCIO  ENCARECE A CONTA DE ÁGUA

Com isso, os custos de ambas as perdas acabam sendo distribuídos por todos os usuários que pagam efetivamente pelo serviço.
“Encarece para outras pessoas. Se você produz aquela água, o que você cobra de tarifa tem relação com a quantidade de água produzida. Se você perde uma parte, você não arrecada aquele valor. Isso faz com que todo mundo tenha que pagar um pouco mais”, aponta Gesner Oliveira.
De fato, segundo a Cesan, o índice de perdas é um dos elementos que compõem o cálculo da tarifa de água.
ES perde quase 40 por cento da água tratada - desperdício se agravou na pandemia
O economista ressalta ainda que reduzir o desperdício permite que o recurso seja distribuído para mais pessoas além de possibilitar que investimentos na área sejam postergados. Ele dá como exemplo a cidade de Franca, em São Paulo:
“Reduzimos muito as perdas, o que permitiu que adiassem em cinco a sete anos o investimento em um novo sistema de água. Porque com a redução de perdas, não precisa construir um novo sistema de água, pelo menos por um tempo. Se reduzíssemos as perdas da ordem de 40% certamente conseguiríamos dar água pra mais gente sem precisar de novos sistemas”, avalia.

PANDEMIA AMPLIOU PERDAS NO SISTEMA, DIZ CESAN

Segundo a coordenadora de combate à perdas da Cesan, Francine Doelinger, a pandemia de coronavírus e a consequente crise econômica causada por ela fez crescer as perdas de água no Estado, principalmente referente às fraudes e aos “gatos”.
Além disso, a Companhia ficou impedida de cortar o fornecimento das pessoas que não tinham como pagar a conta. Essa água consumida “de graça” também entra no rol das perdas.
Ela aponta ainda que esse índice é maior nos municípios da Grande Vitória do que naquelas do interior. Segundo os dados do Snis, em Marechal Floriano, Santa Leopoldina e outras seis cidades, todas do interior, as perdas são menores que 15%.
“Temos perda maior na Grande Vitória. O interior tem níveis baixíssimos. Além da cultura da população em relação às fraudes, temos um sistema menor. Quanto maior e mais complexo o sistema, temos mais dificuldade de fazer o controle e o monitoramento disso”, aponta Francine.
Mesmo na Grande Vitória, a proporção de água que é desperdiçada é desigual. A coordenadora da Cesan afirma que essa questão está relacionada à situação socioeconômica da população. É possível observar essa questão quando é analisado o índice de perdas por ligação. Ele contabiliza quantos litros de água são perdidos por dia para cada cliente da concessionaria.
“Tanto Cariacica como Serra tem a questão socioeconômica, com diversos loteamentos irregulares, onde a Cesan não pode atuar, mas mantém o abastecimento nesses locais para não cortar a água. A gente abastece, mas não entra no faturamento. Por isso entra nas perdas”, explica.
Um dos fatores que prejudica a Companhia de verificar efetivamente locais onde podem haver vazamentos ou furto de água é a dificuldade de acesso aos bairros, principalmente por conta da violência. "Temos regiões onde há muita dificuldade de entrar, de as pessoas quererem ser clientes. Algumas temos dificuldade por conta do risco em relação aos nossos colaboradores. Em Cariacica, Serra e Viana temos mais essa situação, assim como em alguns morros de Vitória. Não conseguimos acessar pra regularizar e isso entra como volume perdido."
Ela ressalta que a estatal tem feito investimentos em diversas áreas para reduzir a quantidade de água perdida. Além disso, deve começar a incluir nos contratos com empresas terceirizadas metas de redução de perdas.
“Estamos fazendo novos contratos e novas modelagens, para 2022 e 2023, com meta de redução de volume perdido. Uma modelagem diferente da atual, em que a gente paga pelo serviço. Vamos cobrar das terceirizadas pela performance. Essa modelagem é usada na Sabesp com ótimos resultados. Ela (a empresa) só recebe quando consegue atingir aquela meta”, diz.

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