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Crime prescrito

Ex-prefeito da Serra se livra de acusação de assassinato ocorrido há 25 anos

Por causa da idade, Adalto Martinelli fica livre do julgamento pelo homicídio de Claudia Rodrigues Novaes, desaparecida desde junho de 1997; o crime, considerado queima de arquivo, faz parte de uma sequência de mortes ocorridas a partir de 1990

Publicado em 13 de Fevereiro de 2023 às 19:07

Vilmara Fernandes

Publicado em 

13 fev 2023 às 19:07
Adalto Martinelli, ex-prefeito da Serra, acusado de envolvimento no assassinato do advogado Carlos Batista, chegando para julgamento no Fórum Muniz Freire, Vitória
Adalto Martinelli, ex-prefeito da Serra,  condenado pelo assassinato do advogado Carlos Batista Crédito: Nestor Müller - 20/10/2009
Decisão da 3ª Vara Criminal da Serra declarou prescrita a punição para o assassinato de Claudia Rodrigues de Novaes, 22 anos, que ocorreu há 25 anos. Com isso, o ex-prefeito da Serra Adalto Martinelli, de 82 anos, fica livre do julgamento pelo homicídio, do qual foi denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) como um dos mandantes e pela ocultação do corpo em 1997.
O fato acontece 23 dias antes da realização do julgamento, que havia sido marcado para o próximo dia 6 de março. De acordo com a decisão da juíza Daniella Pellegrino de Freitas Nemer, o acusado pelo crime tem mais de 70 anos, idade em que os prazos prescricionais são reduzidos pela metade, segundo o Código Penal.
O assassinato de Claudia Novaes é um dos muitos que ocorreram após a morte do também ex-prefeito da Serra José Maria Feu Rosa. Outro foi o do advogado Carlos Batista. Segundo Fabrício Freitas, filho do advogado, a mulher foi morta porque revelaria onde o corpo do seu pai havia sido escondido.
Ex-prefeito da Serra se livra de acusação de assassinato ocorrido há 25 anos
“Ela morreu porque revelaria a verdade dos fatos que eles queriam esconder, como onde foi enterrado o corpo do meu pai. A demora no julgamento desses casos leva à impunidade. É revoltante ver uma pessoa impune, sem pagar pelos crimes, o que só beneficia quem pratica crime, e quem sofre são as famílias das vítimas”, desabafa Fabrício.
Ele relata ainda que, por conta da idade, Martinelli também foi favorecido com a prescrição e redução de pena em outros crimes. “Houve prescrição também no crime do ex-prefeito José Maria Feu Rosa, livrando Martinelli da punição. Em relação ao crime do meu pai, ele também teve a pena reduzida”, relata.
Claudia Rodrigues Novaes, assassinada em 1997, por saber detalhes da morte do advogado Carlos Batista de Freitas
Claudia Rodrigues Novaes, assassinada em 1997 Crédito: Carlos Alberto Silva - reprodução

Corpo desaparecido em 1997

No ano de 2000, o MPES denunciou o ex-prefeito da Serra Adalto Martinelli como o mandante do assassinato e da ocultação do corpo de Cláudia Rodrigues Novaes, desaparecida desde junho de 1997. Na ocasião, ela tinha 22 anos.
Cláudia era mulher de João Henrique Filho, o Joãozinho, que também foi acusado do desaparecimento do advogado Carlos Batista de Freitas. Junto com o ex-prefeito, o Ministério Público denunciou ainda o próprio Joãozinho e seus dois irmãos, Noel e Ademar Henrique Filho, como autores do crime da jovem. Joãozinho foi preso em 2019, no Acre, 27 anos após o crime do advogado, pelo qual foi condenado.
Segundo a denúncia, Cláudia teria sido retirada de sua casa no dia 20 de junho de 1997 por Ademar, Noel e Joãozinho. Eles a teriam levado para um local desconhecido, onde a mataram e ocultaram seu corpo. O motivo de Adalto Martinelli ter mandado matar Cláudia, segundo a denúncia, é porque ela sabia de detalhes sobre o assassinato do advogado Carlos Batista.
Pelo crime do advogado, o ex-prefeito foi condenado em 2009, mas teve a pena reduzida em um terço, em 2011, por ter completado 70 anos de idade. Também por causa da idade, houve prescrição favorável a Martinelli, em 2015, em relação ao crime do ex-prefeito assassinado, José Maria Feu Rosa.
Carlos Batista de Freitas, advogado, morto em  24 de janeiro de 1992. Seu corpo nunca foi encontrado
Carlos Batista de Freitas, advogado, morto em 24 de janeiro de 1992. Seu corpo nunca foi encontrado Crédito: Ailton Lopes - 23-01-1985

Queima de arquivo

A série de assassinatos teve origem com a morte do ex-prefeito da Serra José Maria Feu Rosa e o motorista dele, Itagildo Coelho, em abril de 1990, em Itabela, na Bahia. Os dois foram executados, a tiros, na estrada a caminho da fazenda do político.
Na sequência, uma onda de assassinatos começou a acontecer. Em 21 de janeiro de 1991, no Norte do Estado, foram mortos Ademar Ferreira e Elpídio Coelho. A mulher de Elpídio, Carmem Sepulcro, também foi morta. Dois dias depois, o pistoleiro Valdecy Apelpheler foi carbonizado. Pelo menos outras quatro mortes de envolvidos foram registradas.
O MPES denunciou Adalto Martinelli e outros dois empresários. Um deles era Alberto Ceolin, que morreu em 2010, dias antes de ser julgado pela participação na morte do advogado Carlos Batista. O outro era Antonio Roldi (que morreu em 2001). Os dois foram acusados de encomendar a morte do então prefeito da cidade, José Maria Miguel Feu Rosa, e ainda a de Carlos Batista e de Claudia Novaes, como queima de arquivo.
Também segundo denúncia do Ministério Público, o advogado Carlos Batista de Freitas foi contratado pelos mandantes do duplo homicídio (Feu Rosa e seu motorista) para defendê-los e acabou sendo morto por conhecer detalhes do assassinato do ex-prefeito. Ele desapareceu em 25 de janeiro de 1992. Seu corpo nunca foi encontrado.
O policial civil Derneval Pereira, o Russo, também era acusado de executar o advogado. Ele morreu em 1993, um ano após o desaparecimento de Batista. Depois do crime, outras testemunhas, intermediários e executores, foram mortos
José Maria Feu Rosa, ex-prefeito da Serra, assassinado em em 8 de junho de 1990, em Itabela, Bahia.
José Maria Feu Rosa, ex-prefeito da Serra, assassinado em em 8 de junho de 1990, em Itabela, Bahia. Crédito: Arquivo A Gazeta

O que diz a defesa

A reportagem tentou contato com as duas advogadas do Adalto Martinelli listadas no processo, sem sucesso. Quando obtivemos um retorno, este texto será atualizado.

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