O ataque à escola em Jardim da Penha, Vitória, ocorrido em agosto e promovido por um jovem de 18 anos, vinha sendo planejado desde 2019. É o que aponta denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), apresentada à Justiça estadual no último dia 23. O rapaz foi denunciado por tentar contra a vida de cinco pessoas, entre elas, uma criança de 10 anos, e ainda por constrangimento praticado a uma sexta vítima, uma criança.
“Apenas não consumando os homicídios por circunstâncias alheias à sua vontade, por erro de pontaria e por ter sido contido a tempo pelo funcionário da escola, que precedeu à chegada da
Polícia Militar”, assinala o MPES.
No documento, a que A Gazeta teve acesso, é informado que o jovem foi aluno da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Eber Louzada Zipinotti. Em 2019 — ano em que ocorreu o atentado ao colégio de Suzano, em São Paulo, e que ficou conhecido como o “massacre de Suzano” —, o estudante teria participado de conversa com colegas, cogitando a hipótese de promover um ataque semelhante à sua ex-escola, no Espírito Santo.
“Com o tempo, o denunciado passou a se dedicar à preparação do que seria um massacre à escola Eber Louzada Zippinotti, tendo encontrado na rede mundial de computadores o ambiente propício para o amadurecimento da idealização criminosa, aprofundando temas correlatos a armas, racismo, nazismo, atentados, morte, bem como à chacina ocorrida na Escola Estadual de Suzano/SP, conforme perícia elaborada a partir de seu computador”, diz o texto.
A deep web é o nome dado para uma zona da internet que não pode ser detectada facilmente pelos tradicionais mecanismos de busca, garantindo privacidade e anonimato para os seus navegantes. É formada por um conjunto de sites, fóruns e comunidades que costumam debater temas de caráter ilegal e imoral.
O advogado Carlos Alberto Trad Filho, que representa o jovem, informou que o "processo está em segredo de justiça". Por este motivo disse que "não posso dar maiores informações" sobre o caso.