Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Primeiro Comando de Vitória

Maior facção criminosa do ES reúne 10 mil pessoas, de traficantes a advogados

Informação foi divulgada em evento do MPES, onde promotores ressaltaram a necessidade de unir as forças de segurança para combater a atuação criminosa do PCV, cada vez mais organizada

Publicado em 04 de Julho de 2022 às 11:11

Vilmara Fernandes

Publicado em 

04 jul 2022 às 11:11
Operação Armistício
Equipe do Gaeco chega à sede do Ministério Público Estadual, em Vila Velha, com documentos aprendidos na Operação Armistício Crédito: Carlos Alberto Silva
Pelo menos 10 mil pessoas atuam como faccionados e colaboradores na maior organização criminosa do Espírito Santo, o Primeiro Comando de Vitória, o PCV. Muitos deles estão detidos no sistema prisional capixaba e outros em liberdade, atuando com o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos, entre outros crimes.
As informações foram divulgadas durante evento realizado no Ministério Público do Espírito Santo (MPES), na tarde de sexta-feira (01), dia internacional de combate ao tráfico de drogas.
Um dos pontos do evento foi apresentar para as forças de segurança — compostas por representantes das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, promotores de justiça, procuradores e juízes — a estruturação das organizações criminosas que atuam no Estado .
Uma delas é o PCV, facção que surgiu na região do Bairro da Penha, que envolve ainda os bairros de Gurigica, Consolação, Bonfim, Itararé e São Benedito, e que há anos tem sido a sede do PCV. Ao longo dos anos a facção se ramificou para outros bairros de Vitória e cidades do Espírito Santo.
Possui um estatuto com regras para seus faccionados, que cumprem à risca. E os que pagam suas mensalidades, contam com apoio da estrutura, que contempla, por exemplo, o braço jurídico.

ESTRUTURA DO CRIME

Foi relatado, por exemplo, que assim que um faccionado é preso e apresentado em uma delegacia, logo aparece um advogado para acompanhá-lo. Pessoa que o detido nem mesmo conhece.
As famílias dos presos recebem cuidados e ajuda financeira da organização criminosa. Contam ainda com o “Tribunal do Crime”, que se encarrega de julgar e condenar os que descumprem as regras da facção. Um caso citado foi o de um faccionado que teve a cabeça cortada e o corpo queimado em “condenação” do crime, o chamado desembolo.
A estrutura foi revelada durante a Operação Armistício, realizada pelo MPES, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que resultou em denúncia, já aceita pela justiça estadual,  de 40 investigados que se tornaram réus por participação no PCV. Entre eles estavam advogados envolvidos com a facção.
A operação foi coordenada pelo Gaeco com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar do Espírito Santo (Dint-PMES) e do 7º Batalhão da Polícia Militar.
Uma das ações da Operação Armistício foi enviar para presídio federal as cinco principais lideranças do PCV. Detentos que  chegavam a contar com uma banca de 80 advogados, alguns passavam mais de 5 horas dentro dos presídios.
Há ainda outras facções menores que atuam no Estado, cujos membros, assim como os do PCV, fazem questão de mostrar em suas redes sociais seu poderio bélico, com imagens de armas e tiros disparados em comunidades.
Detentos foram transferidos para presídio federal
Detentos integrantes de facção foram transferidos para presídio federal Crédito: Divulgação/MPES

UNIÃO DE FORÇAS NO COMBATE AO CRIME

Na avaliação de promotores presentes no evento, para o combate a essas estruturas criminosas é preciso a união de todas as forças de segurança: polícias civil, militar, federal, rodoviária federal, guardas municipais, além das Promotorias de Justiça e do Gaeco.
União não somente nas operações, mas nas investigações, trocas de experiência, compartilhamento de informações e apoio estrutural. “As forças precisam se unir”, foi destacado no evento por promotores.
Citam como exemplo de atuações conjuntas bem sucedidas uma operação realizada em dois locais em Vila Velha, no final do ano passado, quando foi apreendido, em um intervalo de 24h, 890 quilos de cocaína, com valor estimado à época em R$ 230 milhões, segundo informações do superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado Eugênio Ricas.
As ações foram coordenadas pelo Gaeco do Espírito Santo e o de São Paulo, que teve o apoio da Polícia Militar capixaba e paulista, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da PF.
Os 890 quilos de cocaína estavam ligados ao tráfico de outra facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização paulista com atuação no Estado, mas, segundo os promotores, com menos intensidade do que o PCV.
Além da Operação Armistício, foram apresentadas ainda informações sobre as operações Capital, da Polícia Civil, e Jericó, da Polícia Militar.
O evento foi encerrado com uma apresentação dos promotores do Júri de Vitória sobre a atuação na outra ponta do combate ao tráfico, o julgamento dos que mandam ou cometem assassinatos para as facções criminosas no Estado. A maior parte das lideranças do PCV se encontra em presídios capixabas, cumprindo penas, alguns acumulando várias condenações.
Maior facção criminosa do ES reúne 10 mil pessoas, de traficantes a advogados

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Polo Cricaré, da Seacrest Petróleo, no Norte do ES
O marasmo que virou a produção de petróleo no Norte do Espírito Santo
Carteira de trabalho digital
A nova picanha do Lula
Imagem Edicase Brasil
Infância perdida: quando a tecnologia compromete o futuro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados